O primeiro Seminário de Apicultura do Alto São Francisco, realizado em Bambuí em primeiro de abril, foi um sucesso. Mais de 400 participantes de várias regiões produtoras do Estado participaram da ação que reuniu palestras, oficinas e concurso de produtos. O Sistema Faemg Senar foi um dos organizadores do evento, juntamente com o IFSuldeMinas, COOPAC, Bee Própolis, Associação dos Apicultores Produtores de Própolis Verde do Alto São Francisco e Entorno (APVASF).
No evento discutiu-se a necessidade de formalização da cadeia produtiva. Segundo a Analista Técnico e Gerencial do Sistema Faemg Senar, Paula Lobato, é preciso regulamentar o setor para que se possa mapear toda a cadeia produtiva, começando pelo registro dos apiários no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). “É muito importante que tenhamos um controle efetivo da atividade”, alertou. Ainda segundo Paula, a informalidade faz com que os apicultores deixem de usufruir de recursos existentes. “Nós precisamos trazer os produtores para a formalidade para que os órgãos públicos invistam nessa cadeia produtiva”.
A Inspetora Técnica de Qualidade na Bee Própolis, Kássia de Castro Silva, destacou a participação do médico veterinário do IMA no evento, Eduardo Laje, que falou sobre o processo de registro dos apiários no órgão, muito importante para o segmento que possibilitará uma série de conquistas, inclusive pesquisas científicas.
Para o CEO da BeePrópolis, César Ramos Júnior, o evento superou as expectativas com a reunião de produtores do Centro-Oeste, Sul de Minas e Triangulo Mineiro. “ A apicultura tem crescido, mas há muita informalidade e muita comercialização sem nota fiscal, o que gera prejuízo muito grande para o setor, porque perdemos rastreabilidade e o produtor perde por não ser assistido em seus direitos”.
Cesar destaca que sem a arrecadação do setor não há como buscar políticas públicas. “Nós queríamos financiamento para estocar mel e própolis, mas sem números não temos linhas de financiamento como em outras cadeias produtivas, como a do café. A nossa luta é para formalizar e assistir tecnicamente o produtor, para que ele produza mais, com qualidade e menor custo”.
O apicultor Herculano Geraldo da Rocha, integrante do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Apicultura, na cidade de Formiga, participou de um Seminário pela primeira vez e levou toda a família para o evento. Ele investe na atividade há oito anos e o filho, Luiz Antônio, está iniciando. Com as capacitações do Sistema Faemg Senar, oferecidas pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Formiga, ele saiu do amadorismo e está se profissionalizando. “Gostei muito do evento. Fui com a família, participei do concurso de própolis, não ganhei, mas valeu muito a experiência e aprendizado. É com persistência e dedicação que chegaremos ao objetivo”.
Para o Marcelo Francisco Ribeiro, o Batata, que tem muita experiência no setor, é técnico em apicultura e fez uma das palestras, o evento foi excelente. “Foi muito bom. As palestras excelentes e oficinas com os maiores profissionais da área. Muitos apicultores focados no mesmo abjetivo, o que fez com que o evento fosse completo”.
Comissão Técnica
Cesar Ramos foi convidado pelo Sistema Faemg Senar para coordenar a Comissão Técnica de Apicultura na busca da formalização da cadeia produtiva e fortalecimento do setor. A comissão terá representantes de todo Estado.
Bambuí é um polo de produtos apícolas. A região tem um diferencial para a produção da própolis verde, devido a ampla área nativa de alecrim do campo e o psilidio, inseto que ataca exclusivamente o alecrim, provocando uma autodefesa da planta, o que reflete na qualidade da própolis produzida; uma das melhores do mundo e carro chefe da produção dessa região, pelo seu alto valor de mercado. O produto é exportado para os EUA, Europa e países asiáticos como Japão e China.
(ASCOM)