Na sexta-feira, dia 26 de maio, lideranças da região fizeram uma reunião na Câmara de Muzambinho para organizarem ações e questionar o valor dos pedágios das praças que vão ser instaladas nas rodovias da região.
“O Consórcio Infraestrutura MG arrematou concessão do trecho de rodovias na região e a empresa vai ser responsável pelo lote Varginha-Furnas por 30 anos. E com isso vamos ter em 2024 a cobrança na região dos pedágios, o que vai afetar a vida de produtores rurais, empresários, estudantes enfim das nossas famílias. Estamos preocupados e precisamos de negociar o valor dessas cobranças. Por isso convidamos a sociedade para nos mobilizarmos”, disse Gilmar Labanca, vereador e produtor rural.
LEILÃO – Com o leilão, as rodovias da região foram repassadas à iniciativa privada. O lote abrange 22 municípios e tem 432,8 quilômetros de extensão. A venda foi realizada em São Paulo no último dia 25 de maio. O leilão foi promovido pelo governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria do Estado de Infraestrutura e Mobilidade (SEINFRA), para a concessão rodoviária do lote que corresponde ao trecho Varginha-Furnas.
PRAÇAS DE PEDÁGIOS – Com a privatização, vão ser instaladas nas região 6 praças de pedágio (Monte Santo de Minas, Alfenas e Muzambinho). As cidades devem receber as praças de pedágios e o valor leiloado ficou em R$13,17.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Muzambinho, que agora também compõe a diretoria da FETAEMG explica “estamos preocupados com as questões sociais, a maiorias dos produtores rurais que usam diariamente a rodovia são pequenos produtores da agricultura familiar e esse valor é muito alto”, disse Cleber Marcon.
Já Suzana Santos, que participou representando a Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas relatou “nos 21 municípios onde a associação tem produtores, teremos o impacto no custo da atividade, o que mais preocupa é que estes valores vão ser repassados aos consumidores”.
Edna Costa, diretora de agricultura, apontou alternativas. “Podemos buscar ajuda junto as demais prefeituras da região, pois o impacto vai ser muito grande no agronegócio”.
O presidente da Câmara disse “é um valor que vai sobrecarregar nossas famílias e vai trazer dificuldades financeiras. Precisamos tentar reverter esses valores”. falou Roosevelt Pereira.
ARANTES– A reportagem ouviu o deputado estadual Antonio Carlos Arantes que falou “o estado não tem mais como manter as rodovias, temos hoje em torno de 25 mil quilômetros de estradas. É uma quantidade que não tem mais qualidade de transito. Sou favorável a concessão, mas o valor do pedágio ficou elevado. O que precisa ser discutido e ficar atento é a questão dos investimentos, não pode ocorrer é o pagamento antecipado do pedágio para depois serem feitos os investimentos. No nosso entendimento, isso precisa ser discutido, mas se ocorrerem os investimentos em que o cidadão sinta a melhoria imediata fica impossível não ter a cobrança,” disse.
PADRE – Para Janael Silva, assessor parlamentar do deputado estadual Leleco Pimentel e do deputado federal Padre João que participou da reunião em Muzambinho, “a mobilização das lideranças da região é importante para tentar diminuir os impactos dos pedágios. Muitas vezes as concessionárias pegam obras prontas e demoram muito para cumprirem as exigências dos editais, como investimento em melhorias. A outra coisa que atrapalha são os altos valores, acreditamos que as arrecadações do governo são suficientes para poder manter as rodovias. E o valor a ser cobrado no Sul de Minas é muito alto e vai sobrecarregar muito o orçamento das famílias”, disse o assessor
VICE-GOVERNADOR- “O nosso projeto de concessão é na direção de permitir uma melhor qualidade da malha viária para transporte de cargas e circulação de pessoas, não é possível imaginar que vamos ter estradas em boas condições sem o pedagiamento. Estamos fazendo uma discussão com 30 anos de atraso com relação ao estado de São Paulo. Ou pagamos para termos estradas ou não pagamos e não temos estradas”, falou o vice-governador professor Mateus em visita ao Sul de Minas na última terça-feira (30/05).
LUIZINHO – Já o deputado estadual Luizinho reforça que o estado tem recursos para fazer a recuperação das rodovias e depois fazer a concessão para a manutenção da malha viária. “O governo tem recursos para usar na recuperação das rodovias, o governo de Minas recebeu R$ 38 bilhões da Vale do Rio Doce e vai receber mais R$ 40 bilhões. Com R$ 1 milhão o custo do quilometro, é possível fazer a recuperação da malha viária. Na concessão esta sendo cobrado R$ 3 milhões por quilometro. É um absurdo um pedágio nos valores que vão ser cobrados, nossa gente usa Alfenas como referencia em saúde e as consequências econômicas vão ser enormes”, contrapôs o deputado.
Participaram da reunião FAEMG, FETAEMG, Câmara de Muzambinho, Prefeitura de Muzambinho, empresários, representantes dos deputados estaduais Antonio Carlos Arantes e Leleco Pimentel e dos deputados federais Emidio Madeira e Padre João, lideranças da região que querem melhorias para as estradas, mas questionam o valor do pedágio. Preocupados com os impactos econômicos lideranças também estiveram no gabinete do prefeito Paulinho Magalhães para tentar amenizar os custos na região e buscar ajuda das lideranças regionais.
Na segunda-feira, dia 29 de maio, o prefeito Paulinho Magalhães esteve com o grupo e se prontificou a entrar em contato com o secretário de governo do Estado. “Vamos apresentar esta demanda ao Igor Eto, que é o atual secretário de estado do governo de Minas Gerais. “Vamos tentar agendar uma vinda dele a nossa região para discutir o assunto”, disse o prefeito na reunião.