CPI interroga diretor da Cemig sobre contratos suspeitos

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
IMPRIMIR
Share on facebook
Share on whatsapp
Share on email
Share on print

Segundo depoimentos anteriores, área chefiada por Eduardo Soares estaria na origem de contratações sem licitação.

Personagem central no suposto esquema de contratações sem licitação na Cemig, o diretor jurídico da empresa, Eduardo Soares, será interrogado nesta segunda-feira (20/9/21), a partir das 14 horas, pelos deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que investiga possíveis irregularidades e uso político da companhia. A reunião, que será presidida pelo deputado Cássio Soares (PSD), será no Auditório José de Alencar.

Acompanhe a reunião ao vivo.

A CPI da Cemig também vai interrogar, na mesma reunião, outro importante executivo da empresa, o diretor-adjunto de Compliance, Riscos Corporativos e Controles Internos, Luiz Fernando de Medeiros Moreira. Os dois executivos serão ouvidos na condição de testemunhas.

Nesse caso, o objetivo dos parlamentares é apurar por que os mecanismos internos de controle da companhia, que tem capital aberto, fecharam os olhos para a celebração, em circunstâncias suspeitas, de dezenas de contratações diretas, desde 2019, com o atropelo das boas práticas de governança corporativa.

A Cemig, que tem ações listadas até mesmo nas Bolsas de Nova York (EUA) e de Madrid (Espanha), é uma sociedade de economia mista e está sujeita tanto ao que é previsto na chamada Lei das S.A. (Lei 6.404, de 1976) quanto na Lei das Estatais (Lei 13.303, de 2016).

Mas o prejuízo maior para a empresa e seus acionistas, sendo o maior deles a população mineira, é a ameaça à boa imagem perante o mercado na atual gestão do diretor-presidente Reynaldo Passanezi Filho. A Cemig integra os índices de governança corporativa da B3, estando no Nível I, conforme atesta o site da empresa, e qualquer abalo na confiança dos investidores pode significar impactos negativos no futuro da empresa, com consequências para o interesse público.

Diretoria Jurídica – A CPI da Cemig já interrogou diversos executivos da Cemig e, em todos os depoimentos, a Diretoria de Regulação e Jurídica, cujo titular é o depoente desta segunda (20), tem aparecido constantemente na origem de diversos atos suspeitos.

Um dos problemas mais graves apontados pelos deputados é a dispensa de pareceres jurídicos prévios nos processos de contratação direta sem licitação. Segundo os depoimentos e documentos colhidos até o momento pela CPI da Cemig, Eduardo Soares teria minimizado a tarefa da Gerência de Direito Administrativo e assumido pra si a função de dar a palavra final para justificar juridicamente as contratações suspeitas, por meio das chamadas Propostas de Deliberação, encaminhadas diretamente para a aprovação da Diretoria Executiva e do Conselho de Administração.

Em outros casos, conforme apontou em depoimento o ex-gerente de Direito Administrativo, Daniel Polignano Godoy, pareceres passaram a ser emitidos posteriormente para justificar a “inexigibilidade de licitação” e, assim, dar um aspecto de legalidade à contratação sem licitação por meio do artifício de convalidação.

Prevista na legislação, a convalidação é a regularização de contratações depois dos serviços contratados já terem sido executados, mas que deveria ser utilizada somente em situações emergenciais, o que não têm acontecido na Cemig, em uma escala que já ultrapassou a casa do bilhão de reais.

Foco de resistência debelado com demissão de gerentes

Pelo apurado até o momento pelos deputados da CPI da Cemig, um foco de resistência a esse de tipo de prática teria sido debelada em janeiro deste ano pela direção da empresa, com o afastamento de diversos servidores de carreira que ocupavam postos gerenciais estratégicos. Entre eles está o próprio Daniel e o ex-gerente de Compras de Materiais e Serviços, Leandro de Castro. Ambos já foram interrogados pela CPI da Cemig.

Respondendo a questionamentos dos membros da CPI, o ex-gerente da Cemig admitiu ter sido pressionado pela cúpula da empresa, incluindo o próprio diretor jurídico Eduardo Soares e o diretor-adjunto de Gestão de Pessoas, Hudson Almeida, para executar processos de contratação sem licitação.

A destituição dos gerentes aconteceu em meio a uma investigação interna na companhia para apurar uma suspeita de corrupção e desvio de materiais na área de Suprimentos e Logística. Embora o Ministério Público também esteja averiguando a suspeita, a opinião majoritária entre os parlamentares integrantes da CPI da Cemig é de que a investigação seria uma “cortina de fumaça” para intimidar os servidores de carreira.

Em meio a essa rede de intrigas, o ex-gerente de Direito Administrativo Daniel e outros servidores de carreira ainda teriam sido “espionados”, segundo depoimentos na CPI, por agentes da Kroll Associates Brasil, multinacional de investigações corporativas, sob as ordens da direção da empresa, com o aval direto da Diretoria Jurídica. O setor que era chefiado por Daniel era responsável direto pela elaboração de pareceres jurídicos prévios que poderiam inviabilizar as contratações sem licitação.
 

(ASCOM / ALMG)

Notícias Recentes