13ª edição da procissão dos carros-de-bois aconteceu no distrito da Pratinha

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Aconteceu no último domingo, 09 de junho, a 13ª edição da procissão dos carros-de-bois realizada no distrito de Santa Cruz da Prata, a Pratinha, no município de Guaranésia.

O evento foi organizado, coordenado e patrocinado pelo senhor José Renato Silveira e pelo filho, o advogado Dr. Maurício Silveira, e contou com a participação de 30 carros-de-bois, cavaleiros, charreteiros, além de uma montaria em touro.

Os carros-de-bois vieram de vários municípios da região, dentre eles: Guaranésia, Jacuí, Juruaia, Nova Resende (distrito de Mata do Sino), São Pedro da União, São Sebastião do Paraíso, entre outros.

Alguns carros vieram rodando, e tracionados pelos próprios bois, de seus locais de origem, sendo que um deles, proveniente do município de São Pedro da União, gastou 10 horas de viagem, saiu na véspera, às 6h00 da manhã, chegando na Pratinha por volta das 16h00. Alguns carros foram transportados por caminhões e os bois vieram tangidos. Os de locais mais longínquos também foram transportados por caminhões e os respectivos bois em caminhões gaiolas.  

A maioria dos carros, arriamentos, e os bois, pernoitaram na fazenda dos herdeiros do Sr. Urias Silveira, o saudoso “Uriinha da Pratinha”, e alguns nas fazendas vizinhas.

No domingo, a partir das 10h00, na fazenda do saudoso Uriinhas, os bois foram arreados e atrelados aos carros, uns com oito, outros com 10 e, finalmente, os “carros inteirados” com 12 bois.

Ainda, sob o patrocínio de José Renato e do filho Dr. Maurício, a partir das 12h00, foi servido um laudo almoço, com refrigerantes diversos, aos carreiros, respectivas famílias e ao público presente.

A partir das 13h00, foi formada a procissão com destino à igreja matriz da Paróquia de Santa Cruz e Nossa Senhora da Prata, localizada na Praça José Gabriel Pinheiro, na Pratinha.

A locução do evento ficou a cargo de “Tide Carreiro”, locutor oficial da Associação do Circuito Mineiro da Queima do Alho, profissional com 38 anos de experiência em locução deste gênero.

Também estava previsto para acontecer, na Pratinha, no período noturno, um show com os cantores Renato e Jovanelli.

 

Apoio da Prefeitura de Guaranésia

Para a realização da procissão a Prefeitura de Guaranésia disponibilizou: uma ambulância com motorista socorrista e uma enfermeira, uma caminhonete com seis brigadistas, e 20 seguranças contratados através de licitação da empresa “Prossegue Segurança”, sendo que destes, 14 eram homens e seis mulheres.

Os seguranças controlaram o fluxo do trânsito entre a fazenda e o distrito da Pratinha, além de acompanhar todo o trajeto da procissão, inclusive no perímetro urbano.

Felizmente tudo correu dentro da normalidade, não sendo necessário a atuação dos brigadistas e nem da equipe da secretaria municipal de saúde.

 

Procissão

À frente da procissão foram posicionados quatro cavaleiros portando respectivamente as bandeiras: do distrito da Pratinha, do município de Guaranésia, do Estado de Minas Gerais, e do Brasil. Logo a seguir uma caminhonete conduzida pelo Dr. Maurício Silveira, portava, na caçamba, o andor de Nossa Senhora Aparecida. Em seguida foi posicionado o carro de som, com a locução de “Tide Carreiro”. Logo após os 30 carros de bois, as charretes, a montaria em touro e, finalmente, a ambulância da prefeitura de Guaranésia.

 

Segurança

 Os brigadistas e os seguranças foram posicionados ao longo de todo o cortejo.

Como o evento despertou a curiosidade de muitas pessoas da região, uma verdadeira multidão se formou nas ruas da Pratinha. Além do mais, como o cortejo era muito grande os carros-de-bois percorreram várias ruas daquele distrito, o que demandou um cuidado especial dos seguranças, evitando qualquer tipo de acidente.

A Polícia Militar também reforçou seu efetivo, inclusive disponibilizando mais viaturas, garantindo a segurança.

 

Carro-de-boi

O carro-de-boi é um veículo tracionado por bois, sempre em número par e construído de madeira. Constitui-se de três partes principais: o eixo com o par de rodas, a mesa, e a esteira.

A mesa é composta de uma peça inteiriça de madeira em forma de uma forquilha. A parte anterior da forquilha forma o cabeçalho do carro, onde é atrelada a canga de coice. A partir da forquilha inicia, de cada lado, as pernas de cheda. As pernas formam as laterais do carro e são ligadas uma a outra através das travessas. As taboas do assoalho são presas nas travessas.

Ao longo destas laterais (pernas de cheda) existem furos com diâmetro aproximado de uma polegada, nos quais são introduzidos os fueiros (peças de madeira de diâmetro circular de uma polegada e comprimento aproximado de um metro e que servem para segurar a esteira. Na parte inferior da mesa são presos os cocões, uma espécie de mancal aberto, onde deve girar o eixo.

O eixo normalmente é construído de madeira de óleo vermelho, ou de alguma outra madeira resistente, pois vai suportar todo o peso. Suas pontas são quadradas, logo a seguir uma seção circular que deverá girar entre os cocões, provocando a cantiga. Entre as duas seções circulares o eixo tem uma forma sextavada. A lubrificação dos cocões com sebo ou óleo de mamona é que provoca a cantiga.

As rodas são de madeira, com um furo quadrado no centro, para fazer a conecção com o eixo, portanto, sendo os furos das rodas e o eixo de ponta quadrada, ambas as rodas vão girar de forma simultânea, inclusive nas curvas. Em toda a sua seção circular existe uma chapa de ferro. Esta chapa é presa na roda através de pressão. Depois de construída a roda, a chapa é encurvada acompanhando a curvatura da mesma. O diâmetro da chapa deve ser ligeiramente inferior ao diâmetro da roda. Antes de ser colocado o “arco” da roda o mesmo deve sofrer um aquecimento até atingir a cor alaranjada, o que lhe vai proporcionar uma ligeira dilatação. Uma vez dilatado, será colocado sobre a roda e resfriado imediatamente, fazendo com que volte ao diâmetro normal, ficando preso na roda sob pressão.

Quando os bois tracionam o carro fazem com que o eixo gire e como o mesmo gira apertado nos cocões o atrito forma a “cantiga do carro-de-boi”.

A esteira é uma malha trançada de taquara que circunda toda a mesa do carro. Tem uma altura de aproximadamente um metro. É presa nos fueiros e serve como lateral dando proteção a carga transportada.

Os bois que são atrelados ao cabeçalho são chamados de bois de coice, logo a seguir a junta de bois da “chaveia”, ou pé do coice, as juntas do meio, as juntas do pé da guia e finalmente a junta de bois de guia. Os bois de coice devem ser os mais reforçados, pois são eles que suportam o peso do cabeçalho e nas descidas devem permanecer com a cabeça erguida ajudando a frear o carro. Os bois de guia são os que conduzem os demais.

O carro-de-boi não possui freio. Nos declives mais acentuados são utilizados os chamados bois de “riata”, para ajudarem a frear o carro. São retirados dois bois da tração e atrelados na traseira do carro, em sentido contrário. Os bois de coice mantêm o cabeçalho erguido e os de riata vão seguindo em marcha a ré até terminar a descida. Geralmente esta é uma situação muito perigosa e exige muita atenção e habilidade do carreiro (condutor do carro) e sincronismo entre os bois entre os bois de coice e os da riata.

Pela própria natureza dos bovinos os mesmos não suportam trabalhar em dias muito quentes, ou em longas viagens com jornadas consecutivas, exigindo um descanso mais prolongado entre uma jornada e outra, além de exigir uma alimentação melhor em relação aos muares. As longas jornadas provocam o desgaste dos cascos, principalmente dos bois de coice, impedindo-os de continuar a viagem. Não era comum ferrar os cascos dos bois com ferraduras, como ocorria com os muares.

Normalmente o boi se locomove de uma forma muito mais lenta que o burro, ou seja, em torno de quatro quilômetros por hora. Pelo fato do eixo girar apertado nos cocões, acaba exigindo mais esforço dos bois e pelo fato de não possuir freio, o sistema de riata acaba tornando o transporte ainda mais lento.

Normalmente o carro-de-bois tem capacidade para cerca de 1.600 quilos. Dependendo do itinerário e da quantidade de carga transportada será a quantidade de bois a serem atrelados ao carro. Geralmente são utilizados de oito a 12 bois. Na linguagem dos carreiros um carro “inteirado” possui 12 bois.

 

Arquivo Maria Luiza Lemos Brasileiro/Wilson Ferraz

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