(Foto: Divulgação: CBF)
Com 10 dos 23 convocados atuando na Inglaterra, amistoso evidencia o domínio do futebol inglês entre os brasileiros
A Seleção Brasileira voltará a Londres no dia 15 de novembro para enfrentar Senegal, em amistoso marcado para o estádio Emirates. Mais do que um simples jogo preparatório, o duelo simboliza o laço cada vez mais forte entre o futebol brasileiro e os ingleses. Dos 23 atletas convocados por Carlo Ancelotti, 10 atuam na Premier League, a liga que mais fornece jogadores à Seleção.
Entre os nomes que podem ir a campo estão: John (Nottingham Forest), Gabriel Magalhães (Arsenal), Andrey Santos (Chelsea), Bruno Guimarães (Newcastle), Casemiro e Matheus Cunha (Manchester United), Paquetá (West Ham), Estêvão e João Pedro (Chelsea) e Richarlison (Tottenham). Nenhuma outra liga do mundo teve tanta influência sobre a montagem da seleção brasileira quanto a Premier League. Desde o início do ciclo para a Copa do Mundo, em meados de 2023, dos 81 atletas convocados no período, 21 atuam na Inglaterra.
Segundo Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management no Brasil, empresa que administra a carreira de mais de 150 jogadores ao redor do mundo e foi responsável pela transferência recorde do zagueiro Vitor Reis para o Manchester City no início do ano, o fenômeno não é por acaso. “A Premier League concentra hoje alguns dos principais jogadores do mundo e isso se reflete nas convocações, não só do Brasil como a de diversas outras seleções. Nós vivemos um ciclo de transição, em que a mescla de jovens talentos e atletas já consolidados se tornou essencial para manter a competitividade e a evolução do trabalho”, analisa Fiorito.
Atualmente, o campeonato inglês conta com 31 jogadores brasileiros, consolidando o país como a nacionalidade estrangeira mais numerosa na liga. Na temporada passada, esse número chegou a 35. O Nottingham Forest é o time mais “brasileiro” da Inglaterra, com seis atletas: John, Jair, Morato, Murillo, Douglas Luiz e Igor Jesus. “Apesar dos nossos treinadores mais experientes terem “parado no tempo” nas últimas duas décadas, os mais jovens, que formam nossos jovens atletas, estão atualizados, estudando muito, e por isso, seguimos formando atletas aptos a atuar na elite mundial, que um dia já esteve na Itália, e agora está na Inglaterra”, destaca Thiago Freitas, CMO da Roc Nation no Brasil, agência que cuida da carreira de diversos jogadores ao redor do mundo.
A relação, no entanto, vai além dos gramados. O carisma e o estilo de jogo dos brasileiros criaram uma verdadeira “Brasilmania” entre os torcedores ingleses. Hinos e cantos dedicados a nomes como Roberto Firmino, Willian, Lucas Moura, Bruno Guimarães e, mais recentemente, Murillo, tornaram-se parte da cultura dos estádios.
Essa conexão também já foi explorada comercialmente. Em 2017, o Manchester City promoveu o Samba Style Tour, uma exposição dedicada à trajetória dos brasileiros no clube. O evento foi impulsionado pelo início arrasador de Gabriel Jesus, que marcou três gols nas quatro primeiras partidas e fez disparar as vendas de camisas com seu nome — superando até estrelas como De Bruyne e Agüero.
Para Rene Salviano, especialista em marketing esportivo e CEO da Heatmap Sports and Entertainment, a presença da Seleção em Londres é estratégica. “A realização de um amistoso em Londres é uma oportunidade para trabalhar o fortalecimento e a internacionalização da marca da Seleção Brasileira, trazendo um apelo que vai muito além da parte esportiva. É uma forma de ampliar a visibilidade junto a torcedores, patrocinadores e parceiros comerciais. Essa presença em mercados europeus permite ativações, eventos paralelos e novos conteúdos que potencializam o retorno para a CBF e marcas envolvidas, além de estimular a expansão da base de fãs entre o público local e promover uma reaproximação com a comunidade brasileira que vive no exterior”, pontua.
O amistoso contra Senegal promete, portanto, ser mais do que um teste técnico: será a celebração de uma relação que atravessa gerações e continua a inspirar cânticos, campanhas e corações — de brasileiros e ingleses.
(Ascom)