SÍNTESE DA HISTÓRIA DA ESCOLA AGROTÉCNICA FEDERAL DE MUZAMBINHO

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Por volta dos anos de 1946 a 1951, o Dr. Licurgo Leite Filho candidatou-se a Deputado Federal pela sigla UDN (União Democrática Nacional) e recebendo expressiva votação na cidade e em toda região foi eleito para o cargo.
No exercício do seu mandato, formalizou junto ao ministério da agricultura o pedido de uma escola agrotécnica Federal para Muzambinho, no governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra.
Decorrido o prazo regulamentar, foram aprovadas 2 escolas para outras cidades e nada para Muzambinho.
Sentindo -se frustrado e inconformado, procurou agendar uma audiência com o presidente Dutra.
Conseguida a audiência, foi estabelecido um diálogo cativante, e o Dr. Licurgo Leite, procurou com argumentos fortes demonstrar o grande significado estratégico que a escola traria para o sul e sudoeste de Minas.
Ganhando a simpatia do Presidente, a escola foi aprovada. A notícia por esta vitória do deputado foi muito comemorada em Muzambinho.
No entanto, o município pobre de recursos precisava providenciar uma vasta área de terras, equivalente a uma fazenda, para a instalação da escola.
O Prefeito Messias Gomes de Melo, junto ao Vice-Prefeito e Gerente do Banco Nacional, Pedro Primeiro Gouveia do Prado, ambos, com muita habilidade e trato em negócios, procuraram conversar com o Sr. João Gonçalves, visto que a prefeitura já possuía de um terreno que confrontava com a fazenda do Sr. João, que até então estava destinado para construir um campo de aviação.
Nas conversações com o Sr. João, ele tomou conhecimento de tudo, e se prontificou a vender 50 alqueires de terras pelo valor de CR$300.000,00 (trezentos mil cruzeiros) com “o pagamento em cima da escritura”.
Como não havia mais tempo a perder e a localização das terras eram ótimas, Pedro Prado, como representante do banco que faria o empréstimo acenou positivamente para o Prefeito Messias que apertando a mão do Sr. João selou verbalmente a negociação.
Foi enviado a Câmara Municipal, presidida pelo Dr. Samuel de Assis Toledo, o projeto da negociação ocorrida. Como não poderia deixar de ser a aprovação foi concretizada, uma vez que todos os envolvidos pertenciam ao mesmo grupo político (UDN – “Tucanos”).
Na época, a reciprocidade de confiança entre os membros da UDN (Tucanos) era multo forte, pois, inicialmente o empréstimo foi concretizado através de uma nota promissória assinada apenas pelo prefeito Messias. O gerente imediatamente enviou um colaborador de confiança para coleta das assinaturas dos avalistas: Dr. Licurgo Leite Filho, Manoel Camero Barroso, Osório Faria Pereira, Dr. Luiz Leite, Amélio Martins de Oliveira, Álvaro Martins de Oliveira, Vicente Silvo Cerávolo e José Martins de Oliveira.
Cabe destacar nesta negociação a coragem e o apoio incondicional do gerente do banco, Pedro Prado, que em favor de um bem maior para Muzambinho, arriscou o seu cargo sem consultar a diretoria para o desconto de uma promissória de alto valor.
Vindo do Rio de Janeiro, o Dr. Hercílio Valter de Faria, que foi o primeiro diretor da Escola, sendo recepcionado e hospedado pelo então prefeito Álvaro Martins de Oliveira, que o conduziu a área destinada à construção da escola e o apoiou até a inauguração.
O Dr. Hercílio em conversa com os amigos mais próximos, afirmou: “Eu quero perpetuar meu nome nesta escola em um pavilhão a ser construído cuja estrutura terá a forma da letra H”. E assim foi feito… Algo que hoje para muitos passa despercebido.

 

GETÚLIO – Após a conclusão de grande parte das estruturas funcionais da escola, o Presidente Getúlio Vargas foi convidado para oficializar a inauguração, juntamente com o Ministro da Agricultura João Cleófas, o Ministro da Justiça Tancredo Neves e o Governador de Minas Juscelino Kubitschek (foto).
Além dessas autoridades, participou também Assis Chateaubriand, uma das figuras mais polêmicas do Brasil naquela época, pois era considerado o primeiro magnata da mídia nacional, dono de 18 emissoras de TV sendo a mais conhecida a TV Tupi, dezenas de jornais e mais de 36 estações de rádio.
As melhores residências da cidade de Muzambinho foram requisitas para a hospedagem da comitiva presidencial. Entre elas, a de meu Tio Alípio Martins.
Da mesma forma, os melhores veículos da cidade foram solicitados para a locomoção de toda a comitiva presidencial no trajeto entre o aeroporto de Guaxupé a Muzambinho. Coube ao meu pai Antônio Martins conduzir Assis Chateaubriand em seu Dodge 1951. No trajeto, o Presidente seguia na frente e acompanhado de mais de vinte carros que levantavam uma intensa poeira na estrada de terra. O Chateaubriand ficou chato e perguntou ao meu pai: “Que diabo de carro é esse que não tem ar-condicionado?”
O presidente Getúlio Vargas e demais autoridades, tomando posição para cortar a fita da inauguração precisava de uma tesoura. Esta foi tomada emprestada de uma costureira, mãe de um soldado da Polícia Militar chamado José Morais, que passou para a jovem Maria Odila de Oliveira Romano que a entregou ao presidente.
E com o corte da fita, a inauguração da nossa escola agrícola foi oficializada.
Para o Presidente e as demais autoridades, foi oferecido um requintado banquete.
Para os demais participantes da cidade e região, foi servido um farto churrasco, com carnes doadas e bebidas à vontade da Antarctica de Ribeirão Preto.
Com o passar dos anos, a escola cresceu e vários cursos foram incorporados.
Há aproximadamente 10 anos com a implantação do curso de enfermagem na escola, eu, como eventual provedor da Santa Casa, assinei o convênio que abriu as portas da entidade para os estudantes. Assim, eles podem praticar e consolidar efetivamente os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula.

 

RESUMINDO – Sem a dedicação e comprometimento de tantas pessoas envolvidas nessa história, e com a evolução de muitos anos de trabalho, Muzambinho não estaria festejando no dia 25 de novembro de 2025 os 72 anos desta notável instituição de ensino, atualmente nominada: Instituto Federal – Sul de Minas – Campus Muzambinho
Parabéns Campus de Muzambinho!

(José Francisco de Oliveira – Zito Martins)

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