O Brasil celebra na terça-feira, 24 de fevereiro, os 94 anos da conquista do voto feminino, instituído em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas. A medida garantiu às mulheres o direito de votar e de se candidatar a cargos eletivos, marco decisivo na consolidação da cidadania e da democracia no País.
O primeiro exercício do voto feminino em âmbito nacional ocorreu em 1933, e a Constituição de 1934 consolidou o direito de participação política das mulheres. A conquista foi resultado de décadas de mobilização do movimento sufragista, que desde o fim do século XIX organizou associações, congressos e campanhas públicas em defesa da igualdade política.
Entre as pioneiras do movimento esteve Leolinda Daltro, fundadora, em 1910, do Partido Republicano Feminino, primeira organização voltada à emancipação política das mulheres no Brasil. Professora e ativista, ela defendia a educação como instrumento de transformação social e chegou a organizar, em 1917, uma marcha pelo centro do Rio de Janeiro reunindo dezenas de mulheres.
Outra liderança central foi Bertha Lutz, que, após contato com sufragistas europeias, fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, mais tarde transformada na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Eleita deputada federal em 1936, Bertha atuou na defesa da igualdade salarial, da licença-maternidade e da ampliação dos direitos civis femininos.
Apesar do avanço jurídico, a representação feminina na política brasileira permanece limitada. Embora as mulheres representem 52% da população, ocupam cerca de 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 13% no Senado Federal, segundo dados da ONU Mulheres e da União Interparlamentar. O Brasil aparece na 133ª posição no ranking global de participação feminina nos parlamentos.
Nas eleições municipais de 2024, 727 mulheres foram eleitas prefeitas — 13% dos 5.569 municípios brasileiros. Em âmbito estadual, apenas dois estados elegeram governadoras em 2022: Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, e Raquel Lyra, em Pernambuco.
O País teve apenas uma mulher na Presidência da República: Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014. Seu mandato, encerrado em 2016 após processo de impeachment aprovado pelo Congresso Nacional, permanece como um dos episódios mais marcantes da história política recente.
No cenário internacional, países como Reino Unido, Nova Zelândia e Finlândia registraram três mulheres no comando de governo ao longo da história. O Brasil figura entre as nações que tiveram apenas uma chefe de Estado ou de governo.
A data de 24 de fevereiro marca, portanto, não apenas uma conquista histórica, mas também um lembrete dos desafios ainda pendentes. A ampliação da presença feminina nos espaços de poder segue como uma das principais agendas para a consolidação de uma democracia mais representativa.