Muzambinho vive dias de profunda comoção com a partida do artista plástico e médico psiquiatra Domingos Mazzilli Júnior, falecido em Belo Horizonte, vítima de endocardite, após cerca de 30 dias de luta contra a doença. Na capital mineira, recebeu as últimas homenagens de familiares, amigos e artistas, em reconhecimento a uma trajetória marcada pela arte, pela sensibilidade e pelo cuidado com o próximo.
O corpo foi cremado, e as cinzas serão trazidas para Muzambinho, atendendo a um desejo manifestado por ele em vida. A família, juntamente com Marcelo Guedes, convida parentes e amigos para a missa de sétimo dia, que será celebrada no próximo sábado, dia 7, às 19 horas, na Igreja Matriz de São José.
Mazzilli construiu uma história singular. Como médico psiquiatra, dedicou-se à saúde mental com escuta atenta e humanizada. Como artista plástico, deixou uma marca profunda na cultura local e regional. Sua importância foi reconhecida ainda em vida, quando foi homenageado na FELIM, dando nome à Sala de Exposições da Casa da Cultura Dr. Licurgo Leite, eternizando sua contribuição ao cenário artístico muzambinhense.
A notícia de sua morte provocou uma série de manifestações de pesar de amigos, artistas e admiradores.
O empresário Toninho Casagrande relembrou a convivência cotidiana. “Mazzilli sempre estava presente no restaurante. Ali nos tornamos amigos. Era uma presença leve, constante, que agora deixa um vazio.”
A jornalista Valéria Vilela destacou a dimensão afetiva de sua trajetória. “Mazzilli deixa um legado de amor gigante pela vida e pelos animais. Ele espalhou amor, viveu o amor ao próximo na prática, na simplicidade, no carinho expresso em gestos concretos. Fica uma ausência e um amor para sempre. Eu e Mary tivemos o privilégio de sermos amadas por ele.”
Anterinho e Amanda também ressaltaram o companheirismo do artista. “Mazzilli era amigo dos dias incertos. O carinho dele se expressava em palavras e em gestos concretos. Já faz muita falta.”
O cantor Evandro Navarro o definiu como um agente cultural essencial. “Foi um agente da cultura, da arte, um incentivador do novo, do moderno, da arte que incomoda e faz pensar.”
Já o músico Eli Muzamba recordou uma reflexão marcante durante a pandemia. “Mazzilli falava da arte como resistência, como sobrevivência, como algo essencial à vida humana para atravessarmos momentos de turbulência. Ele nasceu artista, viveu a arte.”
O jornalista Vagner, diretor de A Folha Regional, destacou a irreverência que movimentava a cidade. “A cidade ficou mais monótona. A irreverência de Mazzilli sempre trouxe inquietude. Sua presença era sinônimo de alegria e movimento, riso solto, um verdadeiro aglutinador de gente”.
Fernando, artista de Monte Belo, ressaltou a qualidade estética de sua obra. “Mazzilli era um artista refinado.”
A amiga e modista Zana Maria emocionou-se ao falar do talento do amigo. “Como a vida pode ser generosa… Quem conheceu Mazzilli viu de perto seu talento. Tive a alegria de vivenciar com ele momentos de suas exposições em Belo Horizonte. Um artista que orgulha Muzambinho e nossa gente.”
Domingos Mazzilli Júnior deixa um legado que transcende telas e consultórios. Permanece na memória coletiva como símbolo de sensibilidade, ousadia criativa e amor à vida — um artista que fez da própria existência uma expressão permanente de arte.
(Redação)
Ao querido amigo Juninho Mazzilli
Quando morre um amigo,
não se cala apenas uma voz —
silencia-se uma presença que preenchia os espaços com riso, conversa e criação.
Grande artista,
à frente do seu tempo,
amante dos animais e amado por eles . Seus cães eram suas verdadeiras pérolas.
Para ele a ARTE não era ofício,
era pulso — era o próprio sangue correndo nas veias.
Pulsava ARTE em cada gesto,
em cada palavra bem colocada,
na boa prosa que atravessava tardes inteiras e transformava encontros simples em momentos únicos.
Filho de Muzambinho,
cidade natal e cidade alma.
Cidade escolhida e prometida.
Com ele a frase faz sentido:
“Muzambinho é TUDO.”
E talvez fosse mesmo —
porque é aqui estão
suas raízes,
sua história,
seu pertencimento.
Deixa um legado de convivência generosa,de amizade verdadeira, de memórias afetivas que seguem vivas em cada um de nós.
Cada objeto era transformado em história e ganhava VIDA PRÓPRIA. Sua casa , o casarão, tem nome e sobrenome “Solar das Acácias” virou tela , se transformou em palco. Virou Noite Solar.
Você , Juninho, sempre foi VIDA e para sempre SOLAR.
Para nós permanecerá o amigo e o artista . Não morre quem vive em nós!
Seguiremos com seu legado.
Descanse na Paz.
Por Ana Paula Montanari