Levantamento divulgado pelo Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, colocou municípios da área do 18º Departamento de Polícia Civil entre os destaques nacionais com menores taxas de homicídio do país.
De acordo com os dados referentes ao ano de 2024, o Brasil registrou oficialmente 42.590 homicídios, alcançando taxa nacional de 20,1 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.
Na região atendida pelo 18º Departamento da Polícia Civil de Minas Gerais, os municípios de Alfenas, Andradas e Piumhi figuraram entre as cidades com menores índices de homicídio do país.
Segundo o levantamento, Alfenas apareceu na 1ª colocação nacional entre os municípios com menor taxa de homicídios, registrando apenas um homicídio em uma população estimada de 81.950 habitantes, o que representa taxa de 1,2 homicídio por 100 mil habitantes.
Andradas ocupou a 22ª posição nacional, também com um homicídio registrado, em uma população de 42.282 habitantes, alcançando taxa de 2,4 homicídios por 100 mil habitantes.
Já Piumhi ficou na 30ª posição do ranking, igualmente com um homicídio registrado, em uma população estimada de 37.742 habitantes, apresentando taxa de 2,6 homicídios por 100 mil habitantes.
O ranking nacional contemplou os 5.569 municípios brasileiros e relacionou cidades com maiores e menores índices de homicídios. A lista das menores taxas excluiu 1.716 municípios que não registraram homicídios no período analisado.
O município de Passos também apresentou resultado abaixo da média nacional, registrando taxa de 8,6 homicídios por 100 mil habitantes, com 10 mortes violentas em uma população estimada de 116.530 habitantes.
Investigação qualificada e integração policial
Ao comentar os números, o Delegado de Polícia Ismael Jeronimo Soares, que atua há cinco anos em investigações de crimes contra a vida, tráfico de drogas, armas, tortura e sequestro, afirmou que os resultados refletem o fortalecimento das investigações criminais voltadas à repressão qualificada dos crimes violentos.
Segundo o delegado, a elevada capacidade de elucidação dos homicídios contribui diretamente para a prevenção de novos crimes, reduzindo a sensação de impunidade e retirando criminosos perigosos do convívio social.
Ele também destacou os recentes avanços legislativos relacionados aos crimes contra a vida. Atualmente, o homicídio doloso praticado por integrantes de organizações criminosas ultraviolentas, milícias privadas ou grupos paramilitares pode resultar em penas de 20 a 40 anos de reclusão, conforme prevê o Código Penal.
Em situações com agravantes — como crimes praticados contra menores, em instituições de ensino ou em contexto de vulnerabilidade — as penas podem ultrapassar 66 anos de reclusão. O mesmo entendimento se aplica aos casos de feminicídio e vicaricídio.
Mobilização imediata em casos de homicídio
A Polícia Civil destacou ainda que os crimes contra a vida recebem prioridade absoluta na região. Sempre que ocorre homicídio consumado ou tentado, equipes de diversas unidades passam a atuar de forma integrada.
Investigadores, escrivães, peritos, médicos-legistas e delegados unem esforços para ampliar a capacidade operacional e acelerar as diligências investigativas.
A integração com a Polícia Militar de Minas Gerais também foi apontada como fator determinante para o êxito das ações, especialmente na preservação dos locais de crime, coleta de informações e prisões em flagrante.
Participação da população é considerada fundamental
A Polícia Civil reforçou ainda a importância da participação da sociedade por meio de denúncias anônimas. Segundo a corporação, informações fornecidas pela população têm sido decisivas para identificação de suspeitos, apreensão de armas e esclarecimento de homicídios.
Para o chefe do 18º Departamento de Polícia Civil, Delegado-Geral Marcos Pimenta, a presença de três municípios da região entre os destaques nacionais demonstra que o trabalho das forças de segurança está no caminho correto, embora ressalte a necessidade de constante aprimoramento e capacitação dos servidores.
(ASCOM)