Federação aponta combinação de fatores que pode elevar em até 20% os custos da energia elétrica no próximo ano
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifestou preocupação com o cenário do setor elétrico brasileiro e alertou para a possibilidade de aumento significativo na conta de energia em 2027.
Segundo a entidade, a decisão do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) de manter a metodologia CVaR 15/40 tende a ampliar o acionamento de usinas termelétricas, fontes de geração mais caras e com maior emissão de gases de efeito estufa.
Metodologia mais conservadora
O CVaR (Conditional Value at Risk) é um parâmetro utilizado nos modelos computacionais que orientam a operação do sistema elétrico nacional.
De acordo com a FIEMG, a metodologia CVaR 15/40 adota uma postura mais conservadora em relação aos riscos hidrológicos, o que pode resultar em maior utilização de termelétricas para garantir a segurança energética do país.
Como consequência, os custos de geração tendem a aumentar, impactando diretamente consumidores residenciais e industriais.
Possível retorno do El Niño preocupa
Outro fator que preocupa a Federação é a possibilidade de ocorrência de um episódio de El Niño de forte intensidade entre o final de 2026 e o início de 2027.
Segundo o coordenador de Mercado de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, o fenômeno climático pode reduzir a disponibilidade hídrica dos reservatórios, aumentando ainda mais a necessidade de geração por fontes térmicas.
Novos contratos também pressionam tarifas
Além das condições climáticas e da metodologia adotada pelo setor elétrico, a FIEMG destaca que os consumidores também passarão a arcar com os custos dos novos contratos resultantes do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado em março de 2026.
O certame contratou quase cinco gigawatts adicionais de potência para o sistema elétrico nacional.
┃ Os consumidores passarão a arcar também com os custos dos novos contratos decorrentes do Leilão de Reserva de Capacidade. Isoladamente, cada um desses fatores já representa um desafio relevante. Em conjunto, eles acendem um sinal de alerta para um aumento expressivo dos custos de energia elétrica no próximo ano, podendo chegar a 20%, afirma Sérgio Pataca.
Impactos para indústria e famílias
Para a FIEMG, o cenário exige atenção do poder público e dos agentes do setor elétrico para reduzir os impactos econômicos da elevação dos custos de energia.
Segundo a entidade, um aumento dessa magnitude pode comprometer:
- A competitividade da indústria brasileira;
- Os custos operacionais das empresas;
- O orçamento das famílias;
- O crescimento econômico em diversos setores produtivos.
A Federação defende o acompanhamento permanente das condições do sistema elétrico e a adoção de medidas que contribuam para preservar a modicidade tarifária e a segurança energética do país.