*Por Valéria Vilela
As baixas temperaturas registradas nos últimos dias no Sul de Minas Gerais mantiveram o alerta dos cafeicultores para o risco de geadas, mas, até o momento, o frio tem sido considerado favorável ao andamento da colheita do café. Com tempo seco, umidade reduzida e madrugadas frias, as condições têm permitido o avanço das operações nas lavouras do principal cinturão produtor de café arábica do Brasil.
Apesar do clima colaborar com os trabalhos no campo, o mercado segue pressionado pelo aumento da oferta. A entrada da safra 2026/27 intensificou o volume de café disponível para comercialização, provocando recuo nas cotações do arábica nas principais praças produtoras. Pesquisadores do Cepea apontam que a maior disponibilidade do produto, associada ao ritmo da colheita, continua exercendo pressão sobre os preços, de acordo com as análises feitas pelos profissionais de mercado do Cepea Esalq/USP.
No Sul de Minas, o café arábica bebida boa tem sido negociado na faixa entre R$ 1.650 e R$ 1.655 por saca, enquanto os lotes da safra nova variam entre R$ 1.540 e R$ 1.560, refletindo a retração observada nas bolsas internacionais e no mercado físico brasileiro.de acordo com os especialistas da SAFRAS & Mercado
O cenário representa uma mudança significativa em relação aos recordes registrados nos últimos meses. Agora, com a colheita ganhando ritmo, compradores encontram maior oferta e pressionam os valores pagos ao produtor.
Clima beneficia qualidade – Depois das chuvas que chegaram a interromper parte da colheita no fim de junho, o retorno do tempo seco e das temperaturas típicas do inverno mineiro trouxe alívio aos produtores. O frio registrado nesta semana não provocou ocorrência significativa de geadas nas principais áreas produtoras, favorecendo tanto a derriça quanto a secagem dos grãos nos terreiros.
A combinação de dias ensolarados, noites frias e baixa umidade contribui para preservar a qualidade do café, fator determinante para obtenção de melhores classificações e agregação de valor ao produto.
Safra avança no Cinturão do Arábica – O chamado Cinturão do Arábica, que engloba o Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Mogiana Paulista e Alta Mogiana, concentra a maior produção de café arábica do país. Na região sul-mineira, cooperativas, exportadores e produtores seguem acelerando a colheita aproveitando a estabilidade climática.
Embora algumas áreas ainda apresentem diferenças no estágio de maturação dos frutos, a expectativa do setor é de avanço consistente nas próximas semanas, caso o tempo permaneça seco. O Cepea destaca que, após períodos de chuva que retardaram os trabalhos em algumas regiões, as atividades voltaram a ganhar ritmo praticamente em todas as praças produtor.
Mercado atento ao clima – Especialistas ressaltam que o mercado continuará acompanhando dois fatores principais: o comportamento das temperaturas nas próximas semanas e o ritmo da entrada da safra brasileira.
Caso não ocorram geadas severas e a colheita mantenha bom desempenho, a tendência é de continuidade da pressão sobre os preços devido ao aumento da oferta. Por outro lado, qualquer evento climático que comprometa a qualidade ou reduza a produtividade poderá alterar rapidamente o comportamento das cotações.
Para o produtor do Sul de Minas, o momento exige atenção redobrada tanto ao manejo da colheita quanto às estratégias de comercialização, em um mercado marcado pela elevada volatilidade e pela influência direta das condições climáticas e das bolsas internacionais.