Decisão foi anunciada nas redes sociais pelo senador em vídeo com os presidentes nacional e estadual do Republicanos
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) surpreendeu e anunciou que não será candidato ao governo de Minas Gerais. A decisão foi comunicada pelo Republicanos, na tarde da segunda-feira (3/8), em vídeo publicado pelo parlamentar ao lado dos presidentes estadual e nacional da legenda, os deputados federais Euclydes Pettersen e Marcos Pereira.
Na publicação, Cleitinho chorou, pediu perdão e afirmou não ter condições emocionais de entrar na disputa em função do falecimento do irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. O anúncio foi feito após reunião do senador com a cúpula do Republicanos, em Brasília.
“Eu quero me dirigir aqui ao povo mineiro, pedir perdão, porque meu momento não está fácil para mim e para minha família. Não adianta eu entrar em uma campanha agora do jeito que eu estou. Não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de mim, cuidando da minha família. Eu tenho que ser honesto, com vocês, tenho que falar a verdade”, disse, aos prantos, Cleitinho na publicação.
No vídeo, o deputado federal Marcos Pereira, que preside o Republicanos nacionalmente, disse que o partido deu todas as oportunidades a Cleitinho para que ele avançasse com a candidatura. Pereira lembrou, porém, da ausência do senador na convenção do partido em Minas há duas semanas e o período sem respostas concretas sobre a candidatura ao governo.
Segundo Marcos Pereira, a decisão sobre a não disputa das eleições foi tomada por Cleitinho e já compartilhada com partidos aliados como PP, PL e União Brasil. “O Cleitinho tomou uma decisão espontaneamente diante do momento difícil que ele está vivenciando. Eu quero que você fale com toda a franqueza, com todo seu coração, porque você é um homem sério, é um homem honrado, é um homem de princípios e de valores, e é um homem sentimental. Eu sei que você está passando por esse momento difícil e nós temos a solidariedade com você”, disse.
Presidente do Republicanos em Minas, o deputado federal Euclydes Pettersen reafirmou o apoio ao senador, mas disse que a decisão foi acatada com respeito pela legenda. “É uma decisão pessoal do Cleitinho, a gente deu para ele agora, em reunião aqui, todas as condições, as oportunidades, mas como ele disse, ele não está bem”, observou.
Reviravolta
A desistência de Cleitinho Azevedo em concorrer ao governo de Minas Gerais representa uma reviravolta na situação do senador. Na última quarta-feira, o Republicanos publicou nota afirmando que ele não seria mais candidato ao Palácio Tiradentes. O posicionamento da legenda veio após a demora de Cleitinho que hesitou por meses em confirmar a candidatura.
O senador prometeu respostas para março, depois adiou para maio, em seguida pediu um novo prazo após o final da Copa do Mundo e, por fim, disse que se decidiria no dia 5 de agosto. A ‘gota d’água’ ao Republicanos foi a ausência do senador na convenção do partido.
O encontro foi marcado no mesmo dia em que a morte de Matheus Azevedo, irmão caçula de Cleitinho, completou sete dias. Após a nota do Republicanos, Cleitinho convocou coletiva em praça pública, em Divinópolis, e afirmou que seria candidato.
No dia seguinte, na última quinta-feira, reuniu-se por mais de 5 horas com Marcos Pereira e Euclydes Pettersen em São José dos Campos para tratar do assunto. Cotado a vice na chapa, o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, também participou da reunião.
Depois da conversa, as tratativas seguiram durante todo o final de semana, com forte pressão do Partido Liberal (PL). O senador Flávio Bolsonaro (PL), a propósito, entrou na jogada a favor de Cleitinho. No sábado, Marcos Pereira chegou a avisar aliados e lideranças políticas de que o senador seria candidato, mas a decisão acabou não se confirmando.
Sem disputar o governo, Cleitinho seguirá no Senado, onde tem mandato até 2030.
Confira o video: https://www.instagram.com/p/DblrMmrS3bg/
(Por Simon Nascimento – O TEMPO)