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O governo federal anunciou R$ 4 bilhões em recursos para o setor de fertilizantes dentro do programa Brasil Soberano 3. A medida foi destacada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante a abertura do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, realizado na terça-feira (25) pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).
A iniciativa ganha importância para o Sul de Minas, região que tem forte participação no agronegócio e também conta com produção de fertilizantes e insumos agrícolas. As empresas do setor poderão acessar as linhas de financiamento previstas no programa, especialmente aquelas que enfrentam impactos relacionados ao cenário internacional e à alta dependência brasileira de matérias-primas importadas.
Segundo Alckmin, os fertilizantes estão entre os produtos mais afetados pelos conflitos internacionais e pelas dificuldades no transporte marítimo. Cerca de 30% do comércio internacional de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz. Para reduzir a vulnerabilidade do país, o governo também aposta no fortalecimento da produção nacional. Entre as medidas citadas está o PLP 114, que prevê incentivos fiscais para estimular a fabricação de fertilizantes no Brasil.
Durante o congresso, Alckmin também destacou os investimentos para ampliar a oferta de gás natural, matéria-prima estratégica para a produção de fertilizantes nitrogenados. A produção nacional atualmente responde por cerca de 35% do abastecimento brasileiro, e o governo trabalha para ampliar essa participação.
No âmbito do Novo PAC, unidades da Petrobras que estavam paralisadas voltaram a receber investimentos. A FAFEN-BA, em Camaçari, foi reinaugurada em maio, com aporte de R$ 100 milhões e capacidade para produzir 1.300 toneladas diárias de ureia. Em Sergipe, a produção de amônia e ureia foi retomada, enquanto a unidade de Araucária, no Paraná, voltou a produzir amônia em abril.
Outro projeto estratégico é a retomada da construção da UFN-III, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Com investimento superior a R$ 5 bilhões, a fábrica deve entrar em operação comercial em 2029 e será a maior unidade de fertilizantes nitrogenados do país.
Para o produtor rural e para as empresas ligadas à cadeia de insumos no Sul de Minas, a ampliação da produção nacional e a abertura de linhas de crédito representam uma oportunidade para fortalecer a atividade, ampliar investimentos e reduzir os efeitos da dependência externa em um setor considerado estratégico para a produção de alimentos.
Além dos fertilizantes, o governo também destacou o avanço dos bioinsumos. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Soares, afirmou que o Brasil é líder no crescimento desse segmento e ressaltou que a recuperação de áreas degradadas e o desenvolvimento de tecnologias nacionais fazem parte da estratégia para tornar o agronegócio brasileiro menos dependente de fornecedores do Hemisfério Norte e do Oriente Médio.