Projetos resgatam receitas, contos, causos, tradições e pontos turísticos que ajudam a contar a história da cidade
A história e a cultura de Areado vêm ganhando novas formas de preservação por meio do trabalho desenvolvido na Biblioteca Municipal Alaor Fernandes. À frente de uma iniciativa de valorização da memória local, a bibliotecária Ana Paula Ferreira da Paz foi responsável pelo desenvolvimento de três projetos que resultaram em livros construídos a partir de informações, histórias e conhecimentos compartilhados pela própria comunidade areadense.
As obras foram produzidas entre 2024 e 2026 e têm como principal objetivo registrar e valorizar elementos que fazem parte da identidade do município. Os projetos são: “Areado e seus Sabores – Comidas Típicas do Nosso Povo”, lançado em 2024; “Contos e Causos de Areado”, de 2025; e “Biscoiteiro? Claro que Sim!”, desenvolvido em 2026.
O trabalho realizado pela bibliotecária envolveu a coleta, seleção e organização de informações junto aos moradores, permitindo transformar memórias individuais e coletivas em registros que poderão ser consultados pelas atuais e futuras gerações.
Sabores que preservam a memória
O primeiro projeto nasceu da intenção de preservar a memória culinária e a cultura gastronômica de Areado. O livro “Areado e seus Sabores – Comidas Típicas do Nosso Povo” reúne receitas tradicionais e histórias relacionadas à culinária do município.
Mais do que apresentar pratos, a publicação busca homenagear pessoas que contribuíram e continuam contribuindo para a história da cidade. Muitas das receitas foram preservadas ao longo de gerações e carregam lembranças de famílias, encontros e tradições.
A proposta parte do entendimento de que a culinária também é uma forma de contar a história de um povo. Cada receita resgatada representa um pouco da identidade areadense e da característica hospitaleira de sua população.
Contos e causos resgatam a tradição oral
Em 2025, a Biblioteca Municipal deu continuidade ao trabalho com o projeto “Contos e Causos de Areado”, uma coletânea formada por histórias reais, relatos do imaginário popular e acontecimentos que atravessaram gerações.
A obra reúne histórias relacionadas à cidade, construções centenárias, personagens marcantes, acontecimentos inusitados, tradições e crenças presentes na memória da população.
Parte significativa desse material foi recuperada por meio da escuta da comunidade, especialmente de pessoas idosas que tiveram contato com essas histórias durante a infância e a juventude, muitas vezes ouvindo pais e avós em momentos de convivência familiar, junto aos fogões de lenha e nas varandas das casas.
O livro representa, assim, um importante registro da tradição oral de Areado, evitando que histórias que permaneceram durante décadas apenas na memória dos moradores sejam esquecidas com o passar do tempo.
“Biscoiteiro? Claro que Sim!” valoriza identidade e patrimônio
O projeto mais recente, desenvolvido em 2026, recebeu o título “Biscoiteiro? Claro que Sim!” e apresenta fatos da história de Areado e informações sobre alguns dos principais pontos turísticos do município de maneira lúdica e acessível.
A publicação aborda locais que fazem parte dos cartões-postais da cidade, como o Alto do Cruzeiro e a Igreja Matriz, transformando informações históricas e culturais em um material de consulta para a comunidade.
O próprio título da obra ressignifica o tradicional apelido “biscoiteiro”, associado aos moradores de Areado. Na proposta do livro, a expressão passa a ser apresentada como elemento de orgulho, pertencimento e tradição, reforçando a identidade cultural da população.
Com linguagem acessível e caráter informativo, o projeto busca aproximar moradores e novas gerações da história do município, contribuindo para ampliar o conhecimento e a valorização do patrimônio cultural areadense.
Memória construída pela comunidade
Os três projetos desenvolvidos pela Biblioteca Municipal Alaor Fernandes demonstram que preservar a história de Areado vai além do registro de datas e acontecimentos oficiais. Receitas de família, histórias contadas pelos mais velhos, personagens, tradições, crenças, apelidos e lugares simbólicos também fazem parte da memória de uma cidade.
Ao ouvir a população e transformar esses relatos em livros, o trabalho desenvolvido por Ana Paula contribui para que conhecimentos transmitidos de geração em geração permaneçam registrados e acessíveis.
As publicações também reforçam o papel da biblioteca como espaço de preservação cultural, pesquisa e aproximação com a comunidade.
Em Areado, livros passam a funcionar como verdadeiros guardiões da memória, reunindo diferentes fragmentos da história local e ajudando a fortalecer o sentimento de pertencimento dos moradores.
Dessa forma, Areado preserva no papel aquilo que durante décadas viveu na cozinha, nas rodas de conversa, nas lembranças dos moradores e nos lugares que fazem parte da paisagem da cidade — garantindo que sabores, histórias, personagens e tradições continuem sendo conhecidos pelas próximas gerações.