No coração tecnológico de Campinas, a cultura cafeeira resgata suas raízes nos trilhos do trem e mostra como a ciência de mais de um século continua a projetar o futuro do campo.
Quem observa a movimentação de Campinas, no interior paulista — hoje reconhecida como um dos maiores polos econômicos, científicos e de tecnologia do país —, pode não se dar conta de que a engrenagem por trás de tanta modernidade começou a girar, lá atrás, ao ritmo das lavouras. Na segunda metade do século XIX, o grão dourado não só impulsionou a construção de ferrovias e indústrias, mas fundou a vocação científica da cidade.
Agora, entre os dias 14 e 18 de setembro, essa trajetória secular ganha novo capítulo durante a terceira edição do Campinas Innovation Week (CIW). No histórico Prédio do Relógio, localizado no antigo Pátio Ferroviário, o ecossistema cafeeiro volta a se reunir para provar que tradição e inovação caminham no mesmo trilho.
Do Grão ao Laboratório: A Semente da Ciência
A relação de Campinas com a pesquisa agrícola tem marco zero bem definido. Em 1887, D. Pedro II fundava na cidade a Imperial Estação Agronômica — que mais tarde se tornaria o mundialmente renomado Instituto Agronômico (IAC). A missão era clara: aplicar a ciência para solucionar os desafios da cafeicultura.
A herança daquele período permanece viva. O novo esforço de mobilização regional é liderado pelo Coletivo Campinas Café, fruto da união entre o IAC, o Campinas e Região Convention & Visitors Bureau, a Rede Social do Café, a Confraria Solo Sagrado, a plataforma Baristando e o Campinas Café Festival.
“A proposta do coletivo é conectar pesquisa, comunicação, turismo e o ecossistema de cafeterias para valorizar o produto nacional e acelerar a circulação do conhecimento do campo até a xícara”, destaca o pesquisador científico do IAC e articulador da Rede Social do Café, Sérgio Parreiras Pereira.
Experiências na Xícara e Sustentabilidade no Campo
Durante os cinco dias do evento, o estande do Coletivo transforma o Prédio do Relógio em uma vitrine viva da cafeicultura moderna. Os visitantes poderão acompanhar demonstrações práticas e degustações que vão desde métodos tradicionais a inovações surpreendentes:
Cafés Exóticos do IAC: Cultivares desenvolvidos por melhoramento genético com perfis sensoriais diferenciados.
Preparo Árabe na Areia: Demonstração de rituais e métodos históricos de extração.
Inovação em Bebidas: Refrigerantes e bebidas funcionais produzidos a partir do café verde.
Troca de Conhecimento: Presença de produtores, torrefadores e baristas da Confraria Solo Sagrado para atendimento e orientação ao público.
O Debate: O Amanhã da Cafeicultura
A presença do setor culmina na sexta-feira, 18 de setembro, às 15h40, com a realização da plenária “Ativação do Ecossistema Cafeeiro: Campinas entre o passado, o presente e o futuro”. O painel de encerramento do CIW reúne especialistas e lideranças para discutir os rumos da atividade no Brasil:
Por Valeria Vilela