Pioneirismo: Guaxupé é a primeira cidade do sudeste brasileiro a implantar modelo de projeto de compostagem

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(Fotos: ASCOM)

 

Detritos orgânicos terão destinação correta na cidade em projeto que terá plano piloto iniciado nos próximos dias

Guaxupé já conta há 6 anos com uma usina de reciclagem, que realiza a destinação correta aos detritos que podem – e devem – ser reciclados. Além do ganho ambiental imensurável, a ação fomenta a economia gerando emprego e renda para os cooperados e viabiliza grande economia aos cofres públicos. Apesar de ainda reciclar menos material do que poderia (já que depende da população separar seu lixo e colocar corretamente no dia que o caminhão passa), a cidade retira dos aterros toneladas de lixo todos os dias e, agora, inicia uma nova fase piloto que traz a dar destinação aos resíduos orgânicos: a compostagem!
A diretora de meio ambiente de Guaxupé Rafaela Macedo explica que o projeto passará por uma fase inicial de testes antes de ser ampliado para toda a cidade: “Mais da metade dos resíduos domiciliares gerados em Guaxupé é orgânico. São cerca de 20 toneladas por dia de restos de comida, cascas e resíduos verdes (podas de árvores) que hoje são apresentados para aterro sanitário. Vamos transformar a reciclagem em adubo, em renda para catadores e em economia para os cofres públicos, com a proposta de um novo sistema de compostagem que começa a ser testado aqui em Guaxupé. A partir deste mês, esses resíduos serão separados, coletados e transformados em composto, gerando trabalho e renda para os catadores da cidade.”
O projeto “Guaxupé Composta” faz parte do programa Mutirão Brasil, das redes internacionais de cidades C40 Cities e Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM) e recebe assistência técnica dos institutos Pólis e 17 (i17). A iniciativa prevê a implantação de uma Unidade de Valorização de Resíduos Orgânicos (UVRO) e coleta seletiva em residências, restaurantes e outros grandes geradores de lixo. Na primeira fase, a expectativa é retirar de 15 a 20 toneladas de resíduos orgânicos por mês do aterro, cerca de 2% do volume orgânico gerado no município. A unidade foi dimensionada para processamento de até 770 toneladas por mês, ou seja, 80% de todos os resíduos orgânicos gerados no município, à medida que o sistema ganha escala.
“Boa parte do que as cidades brasileiras mandam para aterros é destruição orgânica que pode virar adubo. Guaxupé decidiu encarar isso de frente e é justamente com esse tipo de projeto que se une à solução ambiental e geração de renda que o Mutirão Brasil existe para apoiar. O papel do programa é ajudar cidades a transformar a intenção em um sistema que funciona e que outras possam replicar”, explica Caio Raposo, Gerente Sênior de Resíduos do Programa Mutirão Brasil.
Restos de comida, cascas e podas estão entre os materiais que mais pesam no lixo doméstico e, na maioria das cidades, são enviados a aterros distantes, a um custo alto de transporte e aterramento, quando poderiam voltar ao solo como adubo. Hoje, cada tonelada enviada ao aterro em Guaxupé custa R$ 106,50 apenas pelo aterramento, além da coleta e transporte, que, se somados, chegam a R$ 387,66 por tonelada. Com a compostagem local, o trajeto dos resíduos será reduzido de 42 km para 14 km, prejudicando custos e impactos do transporte. É um desperdício duplo: pagar para transportar e enterrar um recurso que, aproveitado, poderia gerar adubo, trabalho e renda.
A compostagem invertida é tão lógica quando virar em vez de seguir para o aterro, a destruição orgânica pode ser separada, coletada e entregue a um processo natural de depósito controlado até composto. O que era despesa passava a ter valor, o mesmo material que custava transportar e aterro se transforma em adubo capaz de voltar à agricultura e às áreas verdes. Tratar o desconto orgânico perto de onde ele é gerado, encurtamento e redução de custos. O projeto terá início na cidade com a usina piloto coletando a despesa orgânica de grandes geradores, depois nos restaurantes municipais e na sequência em um bairro da cidade para testar o que funciona aqui, o que precisará ser ajustado para, quando aberto para toda a cidade, o serviço de gripe e funcionar bem. Guaxupé será a primeira cidade de todo o sudeste do Brasil a implantar esse modelo de parceria.

 

O protagonismo dos catadores
Os cooperados da Recicla Guaxupé serão diretamente envolvidos na coleta, na coleta e na operação da compostagem. Mais do que isso: o modelo está sendo construído com eles, por meio de capacitação. Assim, a solução para o lixo se torna também uma oportunidade de renda para esses profissionais.
 “Quando olhamos para o lixo orgânico, costumamos enxergar um problema. O Guaxupé Composta nasce para mostrar que ali também existe oportunidade de criar adubo para o solo, renda para as famílias dos catadores e uma cidade mais limpa. É um projeto que começa em Guaxupé, mas que pode e deve servir de exemplo para outras cidades do estado de Minas e de todo o Brasil que enfrentam o mesmo desafio”, afirma Homayra Abdala, reunião de desenvolvimento econômico e meio ambiente de Guaxupé.

 

Sobre o programa Mutirão Brasil:
O Programa Mutirão Brasil é uma iniciativa estratégica do C40 Cities e do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM), que busca acelerar a implementação da ação climática nas cidades brasileiras por meio da cooperação entre governos locais, governo nacional e parceiros internacionais.
Lançado no contexto da liderança climática do Brasil e da presidência da COP30, o programa transforma a ambição climática em resultados concretos, fortalecendo as condições para que as cidades desenvolvam e avancem projetos de alto impacto. A iniciativa apoia +50 municípios e estados brasileiros no desenvolvimento de 20 projetos prontos para financiamento nas áreas de mobilidade urbana sustentável e gestão de resíduos, o planejamento climático na Amazônia, ao mesmo tempo em que mobiliza apoio transversal em finanças climáticas, acesso a dados, diplomacia climática, orçamento climático, e ação climática inclusiva.
O Programa Mutirão Brasil demonstra como parcerias multiníveis entre os governos nacionais e os locais aceleram a implementação da ação climática onde ela mais importante: nas cidades, posicionando o Brasil como uma referência global de governança climática multinível e de implementação em escala até 2027.
A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) atua como parceira facilitadora do programa, fortalecendo a coordenação com lideranças municipais em todo o país. O Mutirão Brasil é implementado em colaboração com uma ampla coalizão de parceiros técnicos, incluindo WRI Brasil, ICCT, Instituto 17 + Instituto Pólis (i17), Cities Climate Finance Leadership Alliance / Climate Policy Initiative (CCFLA / CPI), Urban Climate Change Research Network (UCCRN), ICLEI América do Sul, Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBC) e Associação Brasileira de Municípios (ABM).
O programa também conta com estratégia estratégica com o Ministério das Cidades (MCID), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a Presidência da COP30, o Conselho da Federação, a Casa Civil e outros ministérios do Governo Federal, fortalecendo a cooperação entre os diferentes níveis de governo para acelerar a ação climática no território.

 

(ASCOM)

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