Nova geração do café se prepara para assumir o campo

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(Foto: Divulgação)

 

Projeto reúne jovens cafeicultores e aposta em conhecimento para enfrentar um dos principais desafios da atividade: a sucessão familiar

Quem vai cuidar das lavouras de café daqui a 10, 20 ou 30 anos? A pergunta está cada vez mais presente entre as famílias que vivem da cafeicultura. Em muitas propriedades, a continuidade do trabalho depende da disposição dos filhos e netos em permanecer no campo e assumir, além das atividades da lavoura, a gestão dos negócios da família.

É nesse cenário que um grupo de jovens cafeicultores começa a se preparar para os próximos passos. Nesta quarta-feira (23), em Guaxupé, no Sul de Minas, a Cooxupé e a JDE Peet’s apresentam o projeto “Gerações do Café: Semeando um Futuro Sustentável”, voltado à formação de novos profissionais para a cafeicultura e ao fortalecimento da sucessão familiar.

A proposta é capacitar cerca de 700 cafeicultores ao longo de cinco anos. Nesta primeira etapa, o projeto reúne participantes de 18 a 35 anos ligados ao programa Gerações, protocolo de sustentabilidade da Cooxupé. A formação aborda temas que vão além da produção: gestão da propriedade, liderança, cooperativismo, inovação e agricultura regenerativa.

A preocupação com a sucessão está relacionada a uma mudança no perfil das propriedades rurais. Para permanecer na atividade, a nova geração precisa dominar não apenas as técnicas de produção, mas também compreender custos, planejamento, mercado, sustentabilidade e estratégias de gestão.

Conhecimento para permanecer

Durante o encontro, os jovens terão contato com profissionais de diferentes áreas. A programação inclui a palestra “Sustentabilidade e visão geral das exigências do mercado”, com Onara Lima, executiva de sustentabilidade ESG, engenheira, conselheira e fundadora da ESG Advisory.

A agricultura regenerativa será abordada pela engenheira agrônoma Luiza Oliveira, produtora de cafés especiais e fundadora da Conhecimento Agro. O tema ganhou espaço nas propriedades à medida que práticas de conservação do solo, uso eficiente dos recursos naturais e sustentabilidade passaram a fazer parte das exigências de diferentes mercados.

Outro ponto da formação será a gestão das propriedades rurais, tema que será apresentado pela engenheira agrônoma Bárbara Pacheco, uma das coordenadoras do projeto Educampo/Sebrae Minas.

A ideia é aproximar os jovens de ferramentas que podem ajudar na tomada de decisões dentro da propriedade e, ao mesmo tempo, estimular uma visão de futuro para a atividade.

Sucessão vai além da transferência da propriedade

Na cafeicultura familiar, a sucessão não significa apenas passar a terra de uma geração para outra. Envolve transferência de conhecimento, responsabilidades e decisões. É também um processo que pode determinar se uma propriedade continuará produzindo café ou se a atividade será interrompida com a saída da geração que atualmente está à frente dos negócios.

Por isso, iniciativas voltadas aos jovens procuram criar condições para que eles tenham participação efetiva na atividade e possam enxergar possibilidades de crescimento no campo.

O projeto “Gerações do Café” pretende trabalhar justamente essa preparação. Ao longo de cinco anos, a expectativa é alcançar 700 cafeicultores, formando uma nova geração mais preparada para lidar com as transformações da cafeicultura e com as exigências de um mercado cada vez mais atento à sustentabilidade, à gestão e à origem do café.

O primeiro encontro será realizado a partir das 8h, na Assoxupé, em Guaxupé. Além das atividades de formação, representantes da Cooxupé, da JDE Peet’s e produtores cooperados participarão do encontro e estarão disponíveis para entrevistas.

( colaborou: Valéria Vilela)

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