No bairro rural da Palmeia, em Muzambinho, uma tradição mantida há mais de 60 anos continua reunindo famílias, fortalecendo amizades e renovando a fé. Todos os anos, moradores da comunidade se unem para preparar doces caseiros que serão vendidos durante a Festa de Nossa Senhora Aparecida, celebrada na Igreja Matriz.
O trabalho começa ainda de madrugada, com a busca do leite fresco e o acendimento das fornalhas nos quintais. Sob o calor da lenha e ao redor dos grandes tachos, os participantes passam horas preparando as receitas que fazem parte da história da comunidade.
Entre os responsáveis pelo mutirão estão Izabel Paixão, Neivinha Custódio, Cidinha Lopes, Lucinda Lopes e Flávia, além dos cafeicultores Gilmar Labanca e Nilton Ventura. Cada um contribui com seu trabalho e experiência para manter viva uma tradição que atravessa gerações.
Os ingredientes são obtidos por meio da colaboração das próprias famílias, de doações e de arrecadações feitas entre os moradores. Ao todo, são preparados cerca de 60 quilos de doces artesanais, entre abóbora cremosa, cocada, doce de leite e o tradicional pé de moleque.
O preparo exige força, paciência e muitas horas diante do fogo. Enquanto os doces engrossam lentamente nos tachos, o ambiente é marcado pelas conversas, risadas e lembranças de outras gerações que também participaram dessa tradição.
Para Gilmar Labanca, o trabalho representa muito mais do que a produção dos doces. É uma oportunidade de união da comunidade e uma demonstração de fé.
“Quando a gente acende a lenha bem cedinho e sente aquele calor do fogão, sabe que não está apenas fazendo doce. É um momento de união muito forte da nossa gente. Ver todo mundo junto, mexendo o tacho, conversando e sabendo que cada docinho vai virar um cartucho para a festa de Nossa Senhora é uma emoção que passa de pai para filho e aquece o coração da gente”, relata.
Depois de horas de trabalho, os doces são preparados nos tradicionais cartuchos, que seguem do bairro da Palmeia para a Igreja Matriz de Muzambinho. Além de levar sabor aos fiéis, cada cartucho representa a dedicação de pessoas que, ano após ano, ajudam a preservar uma tradição religiosa e comunitária.
Os cartuchos de doces estarão à venda nos dias 9, 10, 11 e 12 de outubro, durante a Festa de Nossa Senhora Aparecida, na Igreja Matriz de Muzambinho.
Mais do que açúcar, leite e ingredientes caseiros, os doces carregam histórias, amizade, solidariedade e fé — uma tradição que continua acesa, assim como o fogo dos antigos fogões a lenha da Palmeia.