A produção do queijo Canastra é uma tradição antiga e uma paixão transmitida de pais para filhos, ao logo das últimas décadas. Em São Roque de Minas, a bisavó da família Faria, Melvira, foi uma das primeiras a produzir o queijo e comercializar, ainda fresco. É certo que naquela época, o Canastra ainda não tinha o reconhecimento que tem hoje, mas a história seguiu com a filha Maria Aparecida, que transmitiu para o filho Rildo de Oliveira Faria, que mantém a tradição atualmente com a esposa e os três filhos. São quatro gerações trabalhando com o queijo Canastra.
QUEIJARIA
A fazenda Santiago das Batatas está na microrregião da Canastra, pertinho de São Roque de Minas. Bem localizada, possui uma estrutura adequada de acordo com as exigências dos órgãos de inspeção. A queijaria ganhou o nome de Irmãos Faria há quatro anos e integra o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria há oito meses.
Com a assistência do técnico do Programa, Júlio Cesar Moreira, os irmãos Faria seguem adequando a queijaria de acordo com as exigências dos órgãos de inspeção. Já possuem o registro no Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e com o apoio do Júlio estão adequando o memorial sanitário econômico, memorial construtivo e controle financeiro.
“O SENAR MINAS é muito importante para nós. O ATeG tem nos ajudado muito. Fizemos vários cursos para aprimorar a nossa qualidade, esse o processo é muito importante para a nossa evolução. A avaliação mensal com o técnico nos ajuda na organização e analisa a nossa gestão”, disse Rafaela Faria. Ela e os irmãos já estavam no mercado de trabalho, quando decidiram retornar para a fazenda e investir na produção de queijos.
Segundo Rafaela, não foi uma decisão fácil. Hoje, ela e o irmão Leonardo já estão em tempo integral na fazenda e o irmão mais velho, Fernando, contribui nos finais de semana, feriados e folgas. Cada membro da família tem uma função no trabalho diário que resulta em 25 peças de queijo por dia. Segundo Rafaela, a decisão de voltar para a fazenda foi assertiva e todos estão realizados na atividade.
Dia a Dia
A opção pelo trabalho familiar foi mantida. A meta não é investir no crescimento da produção, mas sim na qualidade do produto. “Os conhecimentos dos filhos foram utilizados na divisão das tarefas. Leonardo, que é técnico em agropecuária, trabalha na ordenha, e Rafaela com seu conhecimento gerencial ficou com a comercialização e gestão. O retorno dos filhos foi fundamental para o sucesso da queijaria”, disse Júlio.
A ordenha das vacas, alimentação, qualidade do leite fica a cargo do senhor Rildo e do filho Leonardo. A produção do queijo com a matriarca da família, dona Maria com a ajuda da Rafaela; que também trabalha na comercialização, entrega das peças para empórios da região e gestão do negócio.
Sobre o processo de transição entre a produção tradicional e as normas atuais dos órgãos de inspeção, Rafaela destaca que não foi difícil devido aos cursos de maturação e boas práticas de fabricação do SENAR, os quais feitos por sua mãe, que adequou a maneira correta de produzir. ELAS também participaram de cursos sobre a qualidade do queijo e gestão de custos. “Com o foco direcionado a qualidade do produto, indicamos aos produtores a realizar análise da matéria prima, o controle e potabilidade da água e análise do produto acabado. O que tem sido feito na queijaria”, disse Júlio.
Novos tempos
Com o trabalho da Assistência Técnica e Gerencial, os Irmãos Faria iniciaram o atendimento através do marketing digital, com a criação do Instagram da empresa. Também encontraram novos clientes através de empórios que passaram a comercializar os seus queijos.
Uma das vantagens do grupo é que todos da família sabem produzir o queijo, o que facilita o calendário de folga. A meta do grupo é focar na qualidade e futuramente conquistar o selo arte.
(ASCOM)