Por Leonardo Rodrigo Lopes de Moura, Especialista em
Negócios Corporativos da Sicredi das Culturas RS/MG.
Em um início de ano marcado por eventos fora do roteiro, o brasileiro se vê diante de um noticiário intenso: escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã; maior volatilidade nos preços do petróleo, do ouro e do dólar; safra recorde pressionando a soja; juros domésticos ainda nos níveis mais altos em quase duas décadas; e, no Brasil, um ano eleitoral que naturalmente amplia a oscilação das expectativas. Em cenários assim, prudência e leitura cautelosa do ambiente tornam-se essenciais.
A ofensiva coordenada de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, inaugurou um novo capítulo de incerteza no Oriente Médio. As retaliações iranianas elevaram o risco de desorganização logística em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz. Qualquer distúrbio nessa passagem tende a provocar reações rápidas sobre energia, fretes e inflação, com impacto direto em ativos globais, já que cerca de 20% do petróleo mundial circula por esse corredor.
Nesse contexto, o preço do petróleo tipo Brent acumula alta superior a 50% em 2026, superando os 100 dólares por barril. As novas tensões intensificam dúvidas sobre o abastecimento global de energia, pressionando custos em diferentes setores e reacendendo preocupações inflacionárias nas principais economias. Como reflexo, bancos centrais revisitam estratégias de política monetária, adotando uma postura mais cautelosa ao avaliar a velocidade de cortes ou possíveis ajustes nas taxas de juros, para evitar que o choque de energia se desdobre em novas pressões sobre preços.
No Brasil, os efeitos do conflito se manifestaram rapidamente em áreas sensíveis da economia. O primeiro impacto foi a forte volatilidade cambial: logo após os confrontos, o dólar registrou oscilações significativas e superou R$ 5,30 em alguns momentos. Esse comportamento reflete a aversão ao risco e o aumento das incertezas globais.
Outra variável relevante é a condução da política monetária doméstica. Diante da possibilidade de novas pressões inflacionárias, o Banco Central pode adotar uma postura mais pragmática em relação à Selic, atualmente em 15% ao ano, avaliando movimentos que contribuam para mitigar impactos vindos do ambiente internacional.
Paralelamente, o mercado financeiro também direciona atenção para a corrida eleitoral de 2026, que tende a influenciar a precificação de ativos como dólar e Bolsa de Valores. A divulgação de pesquisas de intenção de voto costuma alterar o humor dos investidores, que ajustam posições conforme o quadro político ganha maior nitidez até a escolha do próximo presidente, em outubro. Assim como no último ciclo eleitoral, o ambiente permanece polarizado, o que amplia a volatilidade e mantém divergências sobre os rumos da economia brasileira.
Esses elementos externos e internos aumentam a percepção de risco no país e reforçam a importância de uma gestão financeira sólida. Nesse cenário, o Sicredi oferece soluções alinhadas aos perfis de seus associados, com atendimento consultivo que permite identificar necessidades, fortalecer a gestão de riscos e ampliar as oportunidades de diversificação, sempre contextualizando os movimentos macroeconômicos e geopolíticos para a realidade local.
Em ambientes de maior incerteza, produtos como Poupança e aplicações de renda fixa atreladas ao CDI seguem estratégicos. A combinação de segurança e boa rentabilidade ganha ainda mais relevância quando os juros permanecem elevados, proporcionando um juro real particularmente atrativo.
No mercado de commodities, a soja apresenta um movimento de alta no curto prazo. A recente valorização do petróleo tende a estimular o aumento da mistura obrigatória de biodiesel, fortalecendo o complexo da oleaginosa e sustentando preços mais firmes na Bolsa de Chicago. Paralelamente, o fortalecimento do dólar melhora a paridade de exportação no mercado interno. Contudo, vale lembrar que o Brasil caminha para colher uma safra recorde, superior a 180 milhões de toneladas, conforme os relatórios mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Esse volume robusto deve manter pressão sobre os prêmios de exportação
Movimento semelhante ocorre no mercado de café. O conflito no Oriente Médio pressiona custos logísticos e pode sustentar preços no curto prazo. No entanto, para o produtor brasileiro, acompanhar a dinâmica global de oferta e demanda é fundamental, e ela aponta para um quadro de maior equilíbrio a partir da safra 2026/27.
Ainda assim, é importante destacar que muitos desses movimentos são conjunturais. Mais relevante do que buscar ganhos imediatos é manter uma gestão de risco estruturada e diversificada, apoiada por reservas financeiras capazes de ampliar a segurança e contribuir para resultados consistentes no médio e longo prazo.
O Sicredi reafirma seu compromisso de estar ao lado dos associados, oferecendo clareza e contextualização sobre os fatores macroeconômicos e geopolíticos que influenciam a economia e os negócios das nossas regiões. Atuamos de forma consultiva, buscando soluções compatíveis com o perfil de cada associado, sempre com foco em segurança, rentabilidade e sustentabilidade financeira.