E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem dor. Apocalipse 21:4
O tempo não nos explica para onde leva a dor. Ele apenas segue, silencioso, enquanto tentamos compreender aquilo que parece não caber em palavras. Nesta semana, Muzambinho se despediu da pequena Luiza Anderson Fortes, com apenas 2 meses e 20 dias de vida. Uma partida que comoveu a cidade e nos fez encarar, de frente, a grandeza e a fragilidade da existência. Tão breve passagem, e ainda assim tão profundamente significativa.
Foram dias de luta, de fé, de orações que atravessaram lares, igrejas e corações. Houve união em torno de um único desejo: prolongar os dias da pequena Luiza. Mesmo aqueles que permaneceram do lado de fora da porta, acompanhando à distância, sentiram-se parte dessa corrente de amor.
Diante da dor, a pergunta que ecoa quase sempre é “por quê?”. Mas talvez, em meio às lágrimas, a reflexão mais transformadora seja “para quê?”. O que uma vida tão curta nos revela? O que uma despedida tão precoce nos ensina?
Ensina que os dias são ligeiros. Que o tempo é delicado. Que permanecemos, muitas vezes, em rotinas que nos pesam, adiando gestos de afeto, palavras de reconciliação, abraços que poderiam ser dados hoje. A urgência de amar se impõe quando percebemos o quanto tudo é passageiro.
A vida de Luiza, mesmo em sua brevidade, mobilizou uma cidade inteira. Mostrou a força da fé compartilhada, a solidariedade que nasce nos momentos mais difíceis, a capacidade humana de se unir em torno da esperança. Há grandeza nisso.
Também nos convida a olhar ao redor com mais atenção: para os filhos, para a família, para o dia que amanhece com chuva ou sol. Para as dádivas silenciosas que recebemos diariamente e que, tantas vezes, passam despercebidas. Enquanto alguns enfrentam batalhas imensas pela vida, somos chamados a valorizar o presente que já temos nas mãos.
Há mistérios que não compreenderemos por completo. Mas há também sinais de cuidado que se manifestam nos detalhes: nas pessoas que se aproximam, nos gestos de apoio, nas palavras que confortam. Deus se revela, muitas vezes, na presença concreta daqueles que Ele coloca ao nosso lado — verdadeiros anjos em forma de gente, tornando os dias menos pesados e as dores mais suportáveis.
Nossos caminhos nem sempre seguem pelas trilhas que imaginamos. Nem sempre conduzem à glória visível, mas quase sempre conduzem a aprendizados profundos. A vida é um caminhar delicado, onde bênçãos e lágrimas se entrelaçam, e cada experiência — mesmo a mais dolorosa — deixa marcas de transformação.
A pequena Luiza nos lembra que a existência não se mede apenas pelo tempo, mas pelo amor que desperta. E que, diante da fragilidade da vida, a maior resposta que podemos oferecer é viver com mais ternura, mais gratidão e mais consciência do valor de cada dia.
(por Valéria Vilela)