A Agência Nacional de Água (ANA) decidiu em reunião no dia 23/11, em Brasília, reduzir em 100 metros cúbicos (de 400 m³ para 300 m³) a vazão na hidrelétrica de Furnas, medida considerada fundamental para que a represa volte a atingir a cota mínima de 762 metros acima do nível do mar. A redução da vazão começará em 1º de dezembro e vai permanecer nesse patamar até 30 de abril de 2022.
“Estamos nos sentindo aliviados”, celebrou o presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), Djalma Carvalho, prefeito de Cristais. Segundo ele, a cota do lago está atualmente próxima de 756 metros, portanto ainda seis metros abaixo da cota mínima. Por conta do baixo volume, uma série de atividades econômicas que dependem do lago para sobreviver, como é o caso do turismo e do comércio, por exemplo, acumulam prejuízos históricos. “A decisão da ANA nos traz esperança”, acrescenta o prefeito.
Diretor Jurídico do Senado, Alexandre Silveira acompanhou a reunião de hoje na ANA, a pedido do presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco. “A agência tomou a decisão mais correta, pois o Lago de Furnas, o Mar de Minas, corria o sério risco de secar. E não poderíamos, em hipótese alguma, permitir que isso ocorresse”, assinalou Alexandre Silveira. A expectativa de Alexandre é que com o volume de chuvas, que já vem ocorrendo na região, que a represa possa não somente atingir o cota mínima de 762 metros acima do nível do mar, como ultrapasse esse patamar.
Vitor Saback, diretor da ANA, explicou, após a reunião, que a resolução faz parte do plano de contingência da agência para o reenchimento dos reservatórios mais importantes do país. “Estamos restringindo a vazão para manter no lago a água que chega. Não conseguimos controlar o que chega, mas conseguimos controlar o que sai”, assinalou Saback. Segundo ele, com a decisão, o lago vai conseguir recuperar o seu volume, o que vai assegurar o uso múltiplo das águas da represa, fundamental também para o turismo, a piscicultura, a agricultura irrigada e tantas outras atividades.
O drama de Furnas
Alexandre Silveira acompanha de perto o drama das cidades banhadas pelo Lago de Furnas. Por conta do baixo nível das águas, cerca de 50 atividades econômicas da região que dependem das águas do lago foram profundamente prejudicadas. O turismo, por exemplo, segundo dados da Alago, perdeu cerca de 20 mil empregos nos últimos anos. A piscicultura foi obrigada a reduzir sua produção em 70% por conta da falta de água.
Para pressionar o governo federal a tomar medidas para assegurar a cota mínima para o Lago de Furnas, Alexandre Silveira organizou em Alfenas, no dia 17 de setembro, um encontro dos prefeitos da região com os presidentes da Eletrobrás, Rodrigo Limp, e de Furnas, Clóvis Torres. Na ocasião, ambos assumiram o compromisso de trabalhar pela retomada da conta mínima do lago.
De acordo com o presidente da Alago, a redução da vazão, por si só, não vai resolver o problema do volume de água no Lago. Segundo ele, o lago vai continuar precisando da ajuda de São Pedro. “Precisamos ainda de muita chuva”, assinala Djalma Carvalho, embora ele ressalte que as perspectivas sejam muito boas, visto que o volume de chuvas na região, nesse final de ano, tem sido superior a de anos anteriores.
(ASCOM)