Atirar a primeira pedra…

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
IMPRIMIR
Share on facebook
Share on whatsapp
Share on email
Share on print

 

“Não haverá complacência nem manobras que obstruam a busca pela verdade.” (Ministro André Mendonça, do STF).

O “escândalo Máster” varou os limites do Imaginável, penetrando fundo nos domínios do Inimaginável. Estupor é a expressão mais adequada para descrever o estado de espírito dominante, no cenário brasileiro, diante da mais ardilosa tramoia financeira já perpetrada desde a chegada das caravelas de Cabral a Porto Seguro.

A rede que se estruturou – de interesses clandestinos, barganhas, combinações, conveniências, arranjos espúrios – é de proporção capaz de estarrecer não apenas um frade de pedra, mas toda uma extensa fileira de frades de pedra. Observadores atentos aos acontecimentos assinalam que, embora estejamos no Brasil, de certa forma, habituados a sobressaltos éticos, este de agora terá sido provavelmente o mais desconcertante de todos.

A opinião pública já firmou, a propósito, irremovível conceito. As apurações em curso terão que ser levadas às consequências derradeiras. Nada de dissimulações, de tergiversações, de blindagens nefastas à saúde institucional. Especialistas apontam que o desdobramento do caso exigirá, dos órgãos de controle competentes, algo mais do que punições exemplares. Demandará igualmente reformulação cabal dos métodos de gestão pública e privada nas áreas concernentes às atividades financeiras e creditícias.

Os impactos da ação mafiosa ressoam, num primeiro instante, basicamente, em quatro “frentes”: a dos investidores do mercado financeiro, vítimas de fraudes com títulos de crédito falsos e manipulação de taxas; a das possíveis vítimas de intimidações por parte de milicianos recrutados para amedrontar desafetos e adversários do grupo promotor da maracutaia; a do sistema bancário brasileiro, à vista de que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Máster, gerando efeito dominó que afetou a credibilidade do setor e pequenos poupadores que detinham ativos na instituição; e a das instituições oficiais que demonstraram pontos nevrálgicos em suas estruturas, de modo a permitirem situações de prevaricação funcional.

As investigações da Polícia Federal atingem, no preciso momento em que estas linhas são digitadas, ápice raras vezes detectado de tensão institucional. O que parecia apenas rombo bancário bilionário transmutou-se em crise que coloca sob os holofotes figuras proeminentes dos Três Poderes da República.

A encrenca já não é apenas financeira. Consiste no reconhecimento de que segmentos do arcabouço oficial foram enredados por uma “teia de interesses nebulosos” sem precedentes. Situação e oposição convocam seus aguerridos seguidores para se beneficiarem ao máximo, neste período pré-eleitoral, das revelações incriminatórias vindas a furo. Fica difícil para qualquer um dos contendores atirar a primeira pedra.

*Cesar Vanucci
jornalista cantonius1@yahoo.com.b

 

Notícias Recentes