A venda de produtos preparados com “sabor café”, mas que não são o tradicional café, tem preocupado a indústria brasileira no momento em que o pó do grão torrado e moído verdadeiro é comercializado a preços altos nos supermercados, na esteira de recordes das cotações no mercado global.
O chamado “café fake” ou “cafake” é uma “clara e evidente tentativa de burlar e enganar o consumidor”, disse o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio da Silva, em entrevista à Reuters.
Recentemente, a Abic identificou a venda do pó com sabor café, que pode ser produzido a partir de cascas, palha, folhas, paus ou qualquer parte da planta exceto a semente do café, em Bauru, no interior de São Paulo.
A fabricante do Oficial do Brasil, a Master Blends, com sede em Salto de Pirapora (SP), afirmou à Reuters que criou um “subproduto” do café, deixando claro isso na embalagem, e que não aceita que digam que a companhia está enganando os consumidores.
“Em momento algum falamos que é café, criamos apenas um subproduto para atender uma classe que está sofrendo a cada dia que passa, este produto é composto de café e polpa de café torrado e moído, está escrito ‘bebida à base de café’ na frente e também atrás da embalagem…”, afirmou a Master Blends, em uma nota.
“Somos uma empresa que está no mercado há 32 anos, jamais enganamos o consumidor.”
Segundo a coluna Café na Prensa, publicada na semana anterior pelo jornal Folha de S.Paulo, meio quilo do produto “sabor café” tem sido vendido em supermercados por 13,99 reais, valor muito inferior à média atual do café tradicional no varejo, que sai por cerca de 30 reais.
Essa não é a primeira vez que a Abic identifica o chamado “cafake” no mercado. No entanto, os levantamentos da entidade não registravam o pó com sabor café no mercado desde 2022, segundo o executivo da associação.
O dirigente da Abic lembrou ainda que a comercialização desse produto com sabor café vai na direção contrária de iniciativas da entidade, que no passado lançou um selo de pureza para evitar a venda de grãos moídos misturados com milho torrado, por exemplo.
“O Brasil mostrou que café não é tudo igual, tirando esse ranço de que nós não bebemos bons cafés… Se não combatermos isso, as pessoas vão começar a beber este ‘café’ e dizer que não gostam… elas podem diminuir o consumo.”
(Fonte: Agência Reuters)