Foto: Cooabriel
Após dias de forte pressão negativa, o mercado internacional do café arábica encontrou fôlego na segunda-feira (11) e encerrou os negócios na Bolsa de Nova York com alta expressiva. A recuperação técnica, somada às preocupações climáticas no Brasil e ao avanço do petróleo diante das tensões no Oriente Médio, devolveu parte do otimismo ao setor cafeeiro.
O contrato julho/2026 chegou a tocar 268 centavos de dólar por libra-peso — o menor nível desde agosto do ano passado — antes de ganhar força ao longo da sessão. No fechamento, o vencimento encerrou cotado a 282,30 centavos, avanço de 7,50 centavos, equivalente a 2,7%. Já o setembro/2026 terminou negociado a 274,85 centavos, alta de 2,9%.
A sessão foi marcada por forte volatilidade e movimentação técnica dos fundos, com cobertura de posições vendidas após a queda acentuada registrada nos últimos pregões.
Além do movimento financeiro, o mercado voltou a monitorar fatores externos que podem impactar diretamente os preços das commodities. O avanço do petróleo no cenário internacional ajudou a sustentar o café, diante da escalada das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. O temor de novas restrições no Estreito de Ormuz elevou a cautela global e trouxe suporte aos mercados de matérias-primas.
No campo climático, traders passaram a considerar um cenário de outono e inverno mais chuvosos no Brasil, condição que pode dificultar a secagem dos grãos e comprometer a qualidade do café arábica nesta safra. O fator climático voltou a ganhar peso justamente em um momento em que o mercado vinha precificando uma produção brasileira robusta, possivelmente recorde.
Para o cafeicultor, o movimento desta segunda-feira reforça que o mercado segue extremamente sensível tanto às questões climáticas quanto ao cenário internacional. Mesmo com expectativa de grande oferta brasileira, qualquer risco relacionado à qualidade da safra ou ao fluxo logístico global pode provocar reações intensas nas bolsas.
Analistas avaliam que os próximos dias devem continuar marcados por volatilidade, principalmente diante da aproximação da colheita brasileira e das incertezas sobre o comportamento do clima durante o período de secagem do café.