Até fevereiro de 2023, um pouco da história de Poços de Caldas pode ser visitada na capital Belo Horizonte, em celebração aos 150 anos da cidade. São rostos de poços-caldenses anônimos ou conhecidos captados pelas lentes do icônico fotógrafo Limercy Forlin. Na última semana, a Câmera Sete – Casa da Fotografia de Minas Gerais abriu a exposição “Retratos de Limercy Forlin”, apresentada pelo Ministério do Turismo, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado e Instituto Moreira Salles. A realização da exposição em Belo Horizonte também conta com o apoio da Prefeitura de Poços de Caldas, por meio das secretarias municipais de Cultura e Turismo.
Em 6 de novembro, Poços de Caldas vai celebrar seus 150 anos de emancipação política e a Fundação Clóvis Salgado se torna também anfitriã desse momento tão importante na história do povo poços-caldense. A abertura da exposição, realizada na última quinta-feira (27), integra o calendário especial de celebrações do sesquicentenário do município.
Uma comitiva de Poços de Caldas – formada por artistas e produtores culturais, representantes do Conselho Municipal de Política Cultural, do Instituto Moreira Salles e das secretarias municipais de Cultura e Turismo, incluindo os secretários Gustavo Dutra e Ricardo Fonseca, respectivamente – prestigiou a solenidade de abertura da mostra, que fica em cartaz até 4 de fevereiro, com entrada gratuita. Entre os convidados, a artista plástica Dalmoni Lydijusse, um dos vários rostos retratados na exposição, também esteve no lançamento, além da presidente do CMPC, Rafaela Jacon Dutra.
O secretário municipal de Cultura, Gustavo Dutra, representou o prefeito Sérgio Azevedo no evento. “É uma grande honra estar na capital Belo Horizonte, celebrando os 150 anos de Poços de Caldas a partir dessa exposição que mostra o que a cidade tem de melhor: seu povo. São rostos que se unem para formar um grande retrato daquilo que essencialmente somos: uma cidade plural e diversa”, destacou o secretário.
A exposição é um registro histórico das mudanças sociais ocorridas com o passar do tempo. São mais de 7 mil retratos dos moradores da cidade, todos eles registrados no estúdio de Limercy Forlin entre as décadas de 1950 e 1980. “Quem constrói o legado de uma cidade são seus habitantes a partir das relações que estabelecem, especialmente no contato com outras culturas e repertórios. A história de Poços de Caldas pode refletir bem essa dinâmica. Um nome que desponta nesse cenário é o do fotógrafo Limercy Forlin, cujo trabalho revisitado na exposição dá a ver parte do cotidiano desse povo por meio de imagens clicadas entre os anos 50 e 80”, ressaltou o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, que também prestigiou a abertura da exposição.
Com curadoria de Teodoro Stein Carvalho Dias, a mostra reúne imagens do acervo do fotógrafo, sob a guarda do Instituto Moreira Salles desde 2016. A maior parte dos retratos foi tirada para ilustrar documentos da população, como RG e Carteira de Trabalho. O que era um registro rotineiro se tornou história e simboliza as relações de afeto e memória que vêm sendo construídas em Poços de Caldas ao longo do tempo.
História
O estúdio de Limercy Forlin foi fundado em 1945, ano em que o fotógrafo chegou a Poços de Caldas. Na cidade, consolidou-se no ramo da fotografia, comandando o negócio junto com sua esposa, Zizi Forlin. A exposição reproduz o método que Limercy e Zizi Forlin adotaram para arquivar seus negativos no estúdio, organizados a partir da data de aniversário dos clientes. Para conceber a mostra, a curadoria selecionou de 10 a 15 aniversariantes para cada dia do ano, em um período que vai de 1958 a 1982.
Além do contexto cultural que a exposição aborda, a mostra evidencia as transformações econômicas de Poços de Caldas. Na década de 1940, a região passava por um momento de ruptura. Os cassinos haviam sido proibidos no Brasil e a economia local precisou se reinventar, com fontes de renda para além do turismo.
O presidente da Fundação Clóvis Salgado, Sérgio Rodrigo Reis, destacou que ações como essa são extremamente importantes para o fomento à diversidade cultural do estado, além de aproximar os municípios do interior de Minas da capital Belo Horizonte.
A exposição Retratos de Limercy Forlin é correalizada pela APPA – arte e cultura. A Fundação Clóvis Salgado tem patrocínio máster da Cemig, Arcellormittal, Anglogold Ashanti e Usiminas, por meio das leis estadual e federal de incentivo à cultura.
(ASCOM)