Reconhecimento ao ex-deputado destaca sua contribuição à cafeicultura brasileira e à defesa dos produtores; encontro em Caxambu reúne lideranças, pesquisadores e especialistas para celebrar cinco décadas de ciência, tecnologia e inovação no setor.
CAXAMBU (MG) — A cafeicultura brasileira vive uma semana de celebração, conhecimento e reconhecimento histórico. Começou na terça-feira, 27 de outubro, e segue até o dia 30, em Caxambu, no Sul de Minas, a 50ª edição do Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, um dos encontros tradicionais dedicados à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à evolução da produção de café no país.
Promovido pela Fundação Procafé, em parceria com a Embrapa Café, a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, a Universidade Federal de Lavras (UFLA), a Universidade de Uberaba (Uniube) e outras instituições, o congresso reúne produtores, pesquisadores, professores, técnicos e lideranças de diferentes regiões brasileiras. A programação contempla apresentações de pesquisas, debates técnicos, divulgação de novas tecnologias e troca de experiências voltadas ao aumento da produtividade, à qualidade e à sustentabilidade da cafeicultura.
O evento tem como anfitrião o presidente da Fundação Procafé, Alison V. Fagundes, e é coordenado pelo engenheiro-agrônomo e pesquisador José Braz Matiello, referência nos estudos e no desenvolvimento de tecnologias para a cultura do café.
Homenagem a Carlos Melles e Silas Brasileiro
Entre os momentos de destaque desta edição comemorativa está a homenagem aos ex-deputados federais Carlos Melles e Silas Brasileiro, reconhecidos por sua trajetória de atuação em defesa da cafeicultura e pela contribuição na articulação e destinação de recursos fundamentais ao fortalecimento da pesquisa cafeeira.
A homenagem também resgata a participação dos dois ex-parlamentares na construção de mecanismos de apoio e proteção ao setor, com atenção especial ao produtor rural, considerado por Melles o maior patrimônio da cafeicultura brasileira.
Como símbolo desse reconhecimento, ambos receberam quadros pintados pela artista plástica e produtora de café Valéria Vidigal, conhecida como a “Artista do Café”. A obra representa a aproximação entre a arte, a cultura cafeeira e a história de pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da atividade no Brasil.
Para Carlos Melles, a homenagem tem um significado que ultrapassa o reconhecimento individual. Ela representa também o resgate de uma trajetória coletiva de mobilização política em favor do café, construída ao lado de outras lideranças e integrantes da Frente Parlamentar do Café.
“Esse evento, depois da extinção do IBC, é a prova viva da capacidade que o café do Brasil tem de se reinventar. É a prova de que a ciência e a tecnologia transformadas em conhecimento são a mais forte comprovação de que, com isso, as coisas caminham”, afirmou Melles, ao destacar a importância da pesquisa e da inovação para a continuidade do desenvolvimento da cafeicultura nacional.
O ex-deputado também ressaltou a emoção de reencontrar antigos companheiros de jornada e receber o reconhecimento de profissionais ligados diretamente à pesquisa e ao desenvolvimento técnico do setor.
“Eu particularmente fiquei tocado, primeiro porque revi antigos e grandes amigos do café. Acho que essa homenagem dos técnicos aos políticos, como eu e o Silas, foi também um resgate de parte da história. Quem conhecia sabia da importância da luta que eu e o Silas realizamos pelo café, ao lado de outros grandes nomes da Frente Parlamentar do Café”, declarou.
Melles acrescentou que o reconhecimento vindo da comunidade técnica tem um significado especial, por representar o encontro entre a atuação política e os resultados esperados pelo setor produtivo. Para ele, a homenagem contribui para que novas gerações conheçam melhor a história das articulações e iniciativas que ajudaram a fortalecer a cafeicultura brasileira.
Ciência, pesquisa e reconhecimento de uma trajetória
A programação comemorativa também reservou espaço para homenagens a profissionais que construíram suas carreiras em favor da pesquisa cafeeira. Um dos destaques foi o reconhecimento ao engenheiro-agrônomo e pesquisador José Braz Matiello, da Fundação Procafé, pelo conjunto de trabalhos desenvolvidos ao longo de sua trajetória e por sua contribuição ao avanço do conhecimento técnico sobre a cultura do café.
A presença de pesquisadores, dirigentes de entidades, representantes de instituições de ensino e lideranças do setor reforçou o caráter técnico e institucional do congresso. Entre os participantes estão Rodolfo Osório de Oliveira, chefe-geral da Embrapa Café; Marcos Matos, CEO do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé); Juliano Tarabal, diretor da Federação dos Cafeicultores do Cerrado; Henrique Cambraia, presidente da Sancoffee e diretor da Acave; e José Marcos Rafael Magalhães, conselheiro da Minasul e presidente do Instituto da História do Café (INCI).
Também participam André Luis Teixeira Fernandes, pró-reitor da Uniube; Aldir Alves Teixeira, diretor da Experimental Agrícola do Brasil/Illycaffè; e Dalyse Castanheira, representante da Universidade Federal de Lavras, entre outras lideranças e profissionais ligados à cadeia produtiva.
Além das palestras e apresentações técnicas, o congresso conta com expositores que apresentam produtos, equipamentos, tecnologias e serviços destinados aos diferentes segmentos da atividade cafeeira. A iniciativa amplia as oportunidades de contato entre pesquisadores, empresas, produtores e instituições, favorecendo a circulação de conhecimento e a aproximação entre a pesquisa científica e as necessidades do campo.
Cinquenta anos de pesquisa e um olhar para o futuro
Chegar à 50ª edição representa mais do que uma marca no calendário de eventos do setor. A trajetória do Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras simboliza a continuidade de um esforço coletivo para manter o Brasil na vanguarda da produção mundial de café, mesmo diante de transformações econômicas, desafios climáticos e mudanças nas exigências dos mercados.
Ao longo de cinco décadas, a pesquisa tem desempenhado papel decisivo na evolução dos sistemas de produção, no desenvolvimento de cultivares, no aprimoramento do manejo das lavouras e na busca por mais eficiência e qualidade. A integração entre ciência, tecnologia, assistência técnica e experiência dos produtores permanece como um dos pilares para o fortalecimento da cafeicultura brasileira.
A edição comemorativa de 2026 ganha ainda maior significado diante de outro marco histórico que se aproxima: em 2027, o Brasil celebrará os 300 anos da cultura do café no país, uma trajetória que se confunde com importantes transformações econômicas, sociais e culturais da história nacional.
Entre homenagens, debates e novas descobertas, o congresso realizado em Caxambu reafirma a importância de preservar a memória do setor e, ao mesmo tempo, preparar os próximos capítulos dessa história. Celebrar seus 50 anos é reconhecer o trabalho de gerações de pesquisadores, produtores, técnicos e lideranças que contribuíram para consolidar o café como uma das grandes riquezas do Brasil — e renovar o compromisso com o futuro da cafeicultura nacional.
(ASCOM)