Cerimônia marcou conclusão da primeira fase do processo de beatificação de Dom Inácio em Guaxupé

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A Diocese de Guaxupé promoveu no último dia 15, a partir das 19h00, na Catedral de Nossa Senhora das Dores, um Ato Jurídico Canônico para encerramento da instrução do Inquérito Diocesano Pró-beatificação do Servo de Deus Dom Inácio João Dal Monte.

 

Como tudo começou

Até mesmo em vida o bispo Dom Inácio era considerado Santo por muitas pessoas. Após a sua morte muitos relatam que obtiveram graças e até milagres através da sua intercessão.

No decorrer dos anos crescia a convicção dos fiéis na santidade do bispo que intercedia junto de Deus diante das causas impossíveis. Porém foi em 2010 que as senhoras, Luiza Santos, secretária da Catedral, Selma Perocco Ribeiro do Valle e Neiva Buffoni tiveram a ideia de procederem um tríduo nos dias que antecediam o aniversário de morte de Dom Inácio, 29 de maio, nos anos de 2010, 2011 e 2012.

A realização do tríduo também tinha a intenção de catalogar graças e até milagres conquistados por fiéis devotos de Dom Inácio.

Nos últimos anos a devoção em Dom Inácio foi aumentando, ficando evidente o desejo dos fiéis de que o bispo fosse canonizado e, consequentemente, considerado Santo pela Igreja Católica Apostólica Romana.

 

Inquérito diocesano

No ano de 2017 o então pároco da Paróchia Nossa Senhora das Dores do Guaxupé, Padre Reginaldo José da Silva, solicitou que o pesquisador e historiador Wilson Ferraz elaborasse um documentário a respeito da vida e obra de Dom Inácio para substanciar um pedido de autorização para instauração de uma sequência de procedimentos que poderão culminar, num futuro próximo, com a canonização de Dom Inácio, ou seja, para que ele possa ser reconhecido como Santo pela Igreja Católica Apostólica Romana.

Até mesmo em virtude da sua vasta experiência em pesquisas e levantamentos históricos, Wilson, juntamente com a esposa, Maria Luiza Lemos Brasileiro, e com o apoio da secretária, Gisele dos Santos Costa, elaborou um documentário contendo 181 páginas digitadas em formato “A 4”, com a transcrição na íntegra de publicações a respeito do bispo que tinham sido divulgadas no jornal Folha do Povo, no período compreendido entre 1952 e 1963, época em que o bispo faleceu; além de registros acostados aos livros do Tombo de números 04 e 05, da Paróchia de Nossa Senhora das Dores.

A segunda encadernação, com 212 páginas, intitulada “O episcopado do Santo Dom Inácio”, na verdade é um livro que retrata em minúcias o dia-a-dia do episcopado de Dom Inácio em Guaxupé, com riqueza de detalhes e totalmente fundamentado em reportagens jornalísticas, registros dos livros tombo da paróquia, além de outros documentos.  

Em setembro de 2017 a Diocese de Guaxupé solicitou e obteve autorização da Congregação da Causa dos Santos, junto ao Vaticano, para abertura do inquérito diocesano, o qual corre em segredo de justiça canônica, o que impossibilita qualquer informação nesta fase.

Em fevereiro de 2018 o bispo da Diocese de Guaxupé, Dom José Lanza Neto, nomeou uma Comissão de Peritos em Historia, a qual foi composta por: Luiz Henrique Marques, presidente; Wilson Remédio Ferraz, secretário; Padre Clayton Bueno Mendonça, o tão popular e conhecido Padre Cleitinho, membro, e durante os trabalhos a mencionada comissão contou com a colaboração de Inácio Walacy de Souza Abranches e Sarah Gabriel Isaac.    

Diante da autorização da Congregação da Causa dos Santos, o Sr. Bispo instituiu o Tribunal que promoveu a investigação referente a colheita de depoimentos testemunhais, o qual foi composto pelo Pe. Reginaldo José da Silva, como delegado episcopal; como promotor de justiça o sacerdote Henrique Neverston, porém, com a morte deste no decorrer dos trabalhos, a vaga foi ocupada pelo Padre Francisco Carlos Pereira; a senhora Maria de Lourdes Sandroni, a Lurdinha, como notaria atuária, e Rodrigo de Castro, como notário adjunto. Representando a causa junto a Congregação dos Santos, no Vaticano, o postulador da Causa do Servo de Deus Dom Inácio João Dal Monte, o Dr. Paolo Villota.

Conforme já foi divulgado pela imprensa, em março de 2019 o pesquisador e historiador Wilson Ferraz realizou uma ampla e minuciosa pesquisa nos estados do Paraná e Santa Catarina, unidades da federação onde Dom Inácio tinha atuado como padre e bispo.

O trabalho da Comissão Histórica consistiu em realizar pesquisas e levantamentos históricos, na Itália, em Ribeirão Preto, em Santo Antônio da Platina, Pr., onde o então Padre Inácio João Dal Monte foi pároco, nas cúrias diocesanas de Joinville e Guaxupé, além da Cúria dos Freis Capuchinhos, em Curitiba, Pr.

 

Celebração

Para encerrar esta primeira fase, a qual é chamada de “Fase Diocesana” foi realizado um Ato Jurídico Canônico, presidido pelo postulador, Dr. Paolo Vilotta, e pelo bispo diocesano, Dom José Lanza Neto, com a Catedral lotada de fiéis.

Também participaram da solenidade os membros da comissão histórica, do tribunal eclesiástico, sacerdotes de várias paróquias da Diocese e seminaristas. Atuou como mestre de cerimônia o Dr. Ronaldo.

Dentre os fiéis se encontrava o deputado estadual, Antônio Carlos Arantes, o prefeito e o presidente da Câmara Municipal de Guaxupé, Heber Hamilton Quintella e Donizetti Luciano dos Santos, respectivamente, os vereadores, João Fernando de Souza e Paulo Rogério Leite Ribeiro.

Iniciada a solenidade, foram lacrados os autos do inquérito diocesano, sendo usada uma fita vermelha, com viés de papelão, onde foram acostados carimbos do bispo, e lacre com pingos de cera vermelha.

Pelo volume, pode-se afirmar que os autos contam com mais de três ou quatro mil páginas.

Terminado o ato jurídico, enquanto os sacerdotes se paramentavam para participarem da missa, os membros da Comissão Histórica, Luiz Henrique Marques e Wilson Ferraz se dirigiram até a cripta, procedendo o translado dos restos mortais de Dom Inácio até o altar.

Os despojos se encontravam em uma caixa de acrílico, e esta dentro de outra de madeira, onde se via em baixo relevo a inscrição “Servo de Deus Dom Inácio”.

Antes mesmo de ser retirado do interior da caixa de madeira, o involucro de acrílico foi coberto com um tecido de linho branco e colocado sobre uma pequena mesa.

Na sequência foi celebrada uma missa presidida por Dom José Lanza e concelebrada por vários padres da Diocese, com a distribuição de um grande número de comunhões.

Depois de terminada a missa, procedeu-se a outro ato jurídico, oportunidade em que a caixa de acrílico foi lacrada. Naquela oportunidade, seguindo determinação do Código Canônico, Luiz Henrique e Wilson Ferraz se valeram do tecido de linho para fazer um anteparo impedindo que os fiéis visualizassem os restos mortais de Dom Inácio, tendo Dr. Paolo procedido a lacração da caixa de acrílico com o mesmo método usado nos autos do inquérito diocesano.

Depois de lacrada, a caixa de acrílico foi novamente colocada no interior da de madeira, sendo a tampa presa por 12 parafusos de rosca soberba.

Terminados os procedimentos previstos nas normas canônicas, foi lavrada uma ata, a qual foi assinada pelo bispo, pelo Dr. Paolo, pelos membros do tribunal eclesiástico e da comissão histórica e pelas autoridades presentes que se encontravam junto dos fiéis.

Finalizando a solenidade, os restos mortais de Dom Inácio foram transladados para um sarcófago especialmente preparado e entronizado no piso principal da Catedral, ao lado da escada de acesso à cripta.

Pelo ritual canônico, a transladação, do altar até o sarcófago, deveria ser de competência de Luiz Henrique e de Wilson Ferraz, porém, atendendo a pedido dos sacerdotes, eles permitiram que os padres fizessem a condução.

Assim a urna de madeira foi introduzida no interior do sarcófago de granito, cuja tampa foi fechada e vedada com silicone.

(Colaborou: Wilson Ferraz)

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