Adalclever Lopes (PSD) apoiará a candidatura de Alexandre Kalil (PSD) ao governo de Minas; já Mauro Lopes (PP) e Adalberto Lopes (PP) caminharão com o governador Romeu Zema (Novo)
Uma das famílias mais tradicionais da política de Minas Gerais estará em lados opostos nas próximas eleições. Enquanto o ex-deputado estadual Adalclever Lopes (PSD) apoiará a candidatura do ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD) ao governo de Minas, o deputado federal Mauro Lopes (PP) e o vice-prefeito de Campo Belo, no Sul de Minas, Adalberto Lopes (PP), caminharão ao lado do governador Romeu Zema (Novo). A cisão, entretanto, é minimizada pelos familiares, que, ao Aparte, descartam qualquer rivalidade.
Porém, a divisão levará à concorrência direta entre os irmãos Adalclever e Adalberto por uma cadeira na Assembleia Legislativa. Inclusive, ambos deixaram o MDB rumo a diferentes partidos para viabilizar as candidaturas. Aliado de Kalil desde quando foi secretário de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Adalclever se filiou ao PSD. Já Adalberto, à frente do segundo mandato como vice de Campo Belo, escolheu o lado do pai: foi para o PP.
Questionado, Adalclever refuta qualquer divisão entre os Lopes. “No próprio MDB, quando éramos filiados, sempre ficamos com candidaturas diferentes. Na última eleição (do diretório estadual), eu fiquei com o Newton Cardoso Jr., e ele ao lado do Saraiva Felipe. Nem a minha campanha, quando fui candidato a governador, o meu pai me apoiou”, aponta o ex-presidente da ALMG. Segundo Adalclever, Adalberto “sempre foi companheiro político” de Mauro.
Adalberto avalia o cenário como natural, já que a família Andrada, outra influente na política mineira, também sofreu uma dissidência em 2018. “O deputado Doorgal Andrada (eleito pelo Patriota) disputou contra o tio Toninho Andrada (candidato pelo antigo DEM) na eleição passada. Não há conflito. Ele já foi deputado, presidente da Assembleia, e eu vou buscar o meu caminho”, exemplifica.
Adalberto ainda lembra, por exemplo, que a própria base eleitoral é diferente daquela de Adalclever. “Tenho a minha região (Sul de Minas), onde sou vice-prefeito. Além de Campo Belo, atuo nas cidades do entorno. Também tenho Gouveia, próximo a Diamantina, na região Central, e o Leste de Minas, como Caratinga e cidades próximas, como Água Boa, Resplendor e Guanhães. Ainda tenho Camanducaia e Conceição dos Ouros, cidades onde Adalclever não atua”, detalha o pré-candidato a deputado estadual.
O argumento é enfatizado por Mauro. “Não vai ter nenhum confronto, porque Minas Gerais tem 853 municípios, e cada um está em uma área do Estado”, pondera o candidato à reeleição à Câmara dos Deputados. “Em Perdões, onde nasceram Adalclever e Adalberto, por exemplo. Lá, a minha votação é com Adalclever, não com Adalberto. Então não há problema de conflitos familiares. As áreas estão divididas, e um não vai entrar na área do outro”, alega.
No entanto, como ambos admitem, a dobradinha será entre Mauro e Adalberto, já que os dois apoiam a reeleição de Zema. “Na maioria das cidades em que estou, estou com Adalberto. Como estamos apoiando Zema e Adalclever apoia Kalil, a base eleitoral de Adalclever acaba indo para outro lado. Ele vai ter muitos votos em cidades da Zona da Mata, como Carangola e Ubá, onde não tenho nenhum voto”, diz.
De acordo com Adalclever, ele e o pai nunca fizeram dobradinha. “Sempre fui de centro-esquerda, e ele, de extrema direita. Há pensamentos, ideologias e posicionamentos radicalmente diferentes. Tanto é que ele apoia Bolsonaro e Zema, e eu, Lula e Kalil. Adalberto sempre foi companheiro político dele”, afirma o ex-deputado estadual.
(Gabriel Ferreira Borges – O TEMPO)