Muzambinho, 12 de julho de 2024

Covid: Corpus Christi e cepa indiana deixam especialistas em alerta em MG

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Pesquisadores temem repique de casos de Covid-19 após feriado e pedem medidas como testagem em massa para frear pandemia

Com a aproximação de mais um feriado prolongado nesta semana, a ameaça da disseminação da variante indiana no país e com a cepa de Manaus predominando em Minas Gerais, especialistas temem novo boom de casos de Covid-19 no Estado nas próximas semanas e cobram ações mais efetivas do governo federal e estadual para tentar conter a escalada.

Cerca de duas semanas após feriados prolongados, a curva de casos de Covid-19 em Minas Gerais tem aumentado sucessivamente. Por ora, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) não anunciou qualquer medida para tentar reverter o cenário com a aproximação do feriado de Corpus Christi, celebrado nesta quinta-feira (3). Ela declarou, por meio de nota, que “os protocolos de prevenção no Estado devem ser seguidos para evitar a propagação do vírus da Covid-19 e suas variantes” e que as orientações estaduais podem ser alteradas semanalmente no contexto do Minas Consciente.

Ao mesmo tempo, o isolamento social no Estado nas últimas semanas de maio deste ano é cerca de três vezes menor do que no mesmo período em 2020. De acordo com o Índice de Permanência Domiciliar, medido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no final de semana entre os dias 23 e 24 de maio de 2020, o isolamento chegava a 54 pontos na escala de 100 considerada pela fundação, mas, entre 22 e 23 de maio, foi de, no máximo, 16.

Nesse final de semana, como tem ocorrido quando as praças da capital Belo Horizonte estão abertas, a orla da Pampulha, por exemplo, voltou a se encher de pessoas. “As pessoas estão achando que a pandemia acabou. E, ao mesmo tempo, a prefeitura não tem condição de manter a cidade fechada por conta desse auxílio emergencial de fome do governo federal”, diz o infectologista Unaí Tupinambás, um dos membros do comitê de enfrentamento à pandemia da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

Cenário preocupa mesmo sem variante indiana

A nova variante indiana do coronavírus é uma das quatro cepas consideradas preocupantes pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Por ora, houve a confirmação de apenas um paciente infectado pela cepa em Minas Gerais, mas indícios de que ela seja mais transmissível colocam pesquisadores em alerta. 

“Todo mundo que chega ao Brasil de países onde há variantes de preocupação deveria ser barrado, responder a um questionário e fazer um teste, depois ficar de quarentena. Deveríamos pegar o contato de todo mundo que chega nos aeroportos brasileiros e monitorar essas pessoas”, diz o infectologista Unaí Tupinambás. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), a responsabilidade por barreiras sanitárias em portos e aeroportos são estabelecidas pelo Ministério da Saúde a partir de recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O paciente infectado pela variante indiana que chegou a Minas Gerais desembarcou em São Paulo com um resultado de teste negativo e só começou a ser acompanhado pelas autoridades sanitárias ao apresentar sintomas. 

Pelas regras atuais, voos procedentes da África do Sul, da Índia, do Reino Unido, estão proibidos no Brasil. O estrangeiro que eventualmente chegar ao Brasil após passagem por esses locais precisa passar por uma quarentena de 14 dias e apresentar o resultado negativo para Covid-19 de um teste PCR realizado até 72 horas antes do desembarque. Uma nova portaria publicada pelo governo federal na última semana restringe o desembarque de tripulação marítima proveniente desses países no Brasil, que precisam passar por quarentena antes de desembarcarem. A Anvisa também avalia padronizar com o governo federal onde passageiros que precisem passar por quarentena deverão cumprir isolamento.  

Na perspectiva do pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Renan Pedra, que mapeia e variantes do vírus no Estado em um projeto do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a variante indiana preocupa, mas a situação do Estado é grave mesmo sem a disseminação dela. 

“Já temos mais de 90% de prevalência da variante P1 (de Manaus) na região metropolitana de BH. Mais do que buscar as novas variantes, como política de Estado nós deveríamos interromper cadeias de transmissão para que, daqui 45, 60 dias, não tenhamos uma P5 ou P6. A variante indiana é importante, mas não deve ser usada como cortina de fumaça para deixar de falar que a nossa pandemia, com ou sem ela, está descontrolada há mais de 60 dias, com risco de gerar nossas próprias variantes tão ou mais perigosas que a indiana”, diz.

Testagem em massa

O pesquisador Renan Pedra aposta na testagem em massa de forma estratégia, em nível municipal: em vez de testar apenas pessoas com sintomas suspeitos de Covid-19, realizar testes por amostragem em áreas com maiores índices de contaminação. “Se alguém aparece tossindo e com uma febre de 40ºC, você suspeita que seja Covid-19, mas o perigo é aquela pessoa que aparece de cara limpa na festa de família no final de semana, sem nenhum sintoma”, pontua. Ele lembra a testagem realizada por Betim, na Grande BH, no início da pandemia, quando o município testou em massa para mapear a realidade local. 

O professor Unaí Tupinambás concorda que a ampliação da testagem seria uma ferramenta essencial, que, na perspectiva dele, foi ignorada pelo Brasil desde o princípio da crise sanitária. “Temos testes rápidos de antígeno hoje, que perdem na sensibilidade, mas ganham no volume de pessoas testadas. Tínhamos que testar em todas as unidades de saúde”, conclui. 

Por meio de nota, a SES-MG disse que tem aumentado a quantidade de testes de Covid-19: a média diária de testes realizados em abril de 2020 foi de 333, enquanto, em abril de 2021, chegou a 2.582, segundo o governo estadual.

 

(Por GABRIEL RODRIGUES – O TEMPO)

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