O aumento do custo do crédito e o crescimento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio estarão entre os principais temas do 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), que será realizado entre os dias 11 e 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
O debate ganha relevância em um cenário de maior pressão financeira sobre produtores rurais, distribuidores de insumos, cooperativas e empresas que integram a cadeia do agro. Com juros elevados e maior rigor das instituições financeiras na concessão de empréstimos, o acesso aos recursos tornou-se mais restrito, exigindo planejamento financeiro, garantias sólidas e maior capacidade de pagamento por parte dos tomadores de crédito.
A discussão será aprofundada no painel “Crédito, Mercado Financeiro e Recuperação Judicial”, marcado para o dia 12 de agosto, às 14h45. Especialistas do setor analisarão como o ambiente econômico vem alterando as formas de financiamento da atividade agropecuária e quais estratégias podem reduzir os riscos em um período de maior instabilidade.
Nos últimos anos, o agronegócio ampliou o uso de instrumentos privados de financiamento, como operações estruturadas e recursos oriundos do mercado de capitais, reduzindo parte da dependência do crédito rural tradicional. Ao mesmo tempo, essa transformação aumentou a complexidade das operações financeiras, exigindo maior acompanhamento jurídico, gestão de riscos e planejamento por parte das empresas.
Outro tema que preocupa o setor é o avanço das recuperações judiciais. Quando um produtor enfrenta dificuldades para honrar seus compromissos financeiros, os reflexos costumam atingir toda a cadeia produtiva, comprometendo o fluxo de caixa de revendas, cooperativas, indústrias de insumos e instituições financiadoras. Esse efeito em cascata tem levado o mercado a reforçar a análise de risco antes da liberação de novos financiamentos.
Além de discutir alternativas para ampliar o acesso ao crédito, o painel abordará mecanismos de mitigação de riscos, avaliação da capacidade de pagamento, qualidade das garantias e novas modalidades de financiamento para o setor agropecuário.
Participam do debate o presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), Renato Buranello; o diretor de Agronegócios do Santander, Carlos Aguiar Neto; o diretor de Agronegócios do Itaú BBA, Pedro Fernandes; o diretor-geral de Agronegócios da Serasa Experian, Marcelo Pimenta; e o sócio-fundador da Agromatic, ACE e Laure Defina Advogados, Julio Laure.
Para o presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, compreender a evolução das fontes de financiamento tornou-se essencial para garantir a continuidade dos negócios em toda a cadeia de distribuição de insumos. Segundo ele, acompanhar as mudanças do mercado financeiro e os mecanismos de proteção ao crédito é cada vez mais estratégico para empresas e produtores.
Com o tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”, o Congresso Andav 2026 reunirá especialistas para discutir os principais desafios do agronegócio, incluindo economia, geopolítica, reforma tributária, inteligência de mercado, gestão de pessoas, bioenergia, inovação e distribuição de insumos.
Durante o evento também será apresentada a Pesquisa Nacional da Distribuição Andav 2026, elaborada em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), trazendo um panorama atualizado sobre o desempenho e as perspectivas do segmento de distribuição de insumos no Brasil.
A expectativa da organização é reunir milhares de participantes ao longo dos três dias de programação, consolidando o Congresso Andav como um dos principais fóruns de discussão sobre os rumos do agronegócio brasileiro.
(Valéria Vilela)