CURIOSIDADES DO PASSADO: Guaxupé, 110 anos de emancipação político administrativo

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Na próxima quarta-feira, 1º de junho, Guaxupé estará completando 110 anos de emancipação político administrativo, porém sua história remonta ao século XVI, ocasião em que se formaram diversas povoações clandestinas nesta região, as quais ficaram conhecidas por “quilombos”.
Nossa região foi colonizada a partir da destruição destas antigas povoações clandestinas que eram formadas por escravos fugitivos, libertos, brancos pobres e ou criminosos fugitivos da Justiça, que se embrenhavam nos chamados “sertões”.
A tradição oral sempre se referiu à possível existência de um ou mais quilombos no que hoje constitui o município de Guaxupé. Até o presente momento não conseguimos localizar documentos que comprovem ou desmintam esta versão.
Segundo o professor Tarcísio José Martins, Quilombo do Campo Grande, a História de Minas Roubada do Povo; e com base em um mapa elaborado em 1760 por Francisco de Assis Carvalho Franco, o qual se encontra arquivado no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, existiu em Guaxupé o Quilombo do Cala Boca. Este quilombo teria tido 90 casas e deveria localizar-se na divisa dos atuais municípios de Guaxupé e Guaranésia. Segundo o mesmo mestre, este quilombo ou arraial teria sido destruído pela expedição de Bartolomeu Bueno do Prado, no final de dezembro de 1759.
Após destruir o Quilombo do Cala Boca a expedição atacou o Quilombo do Zundum, o qual possuía cerca de cem casas e localizava-se onde atualmente encontra-se a cidade de Jacuí.
O ataque ao Quilombo do Zundum proporcionou às autoridades do império as descobertas das minas de ouro na região de Jacuí e, consequentemente, o conhecimento de que contrabandistas paulistas já vinham atuando na região.
Em 24 de setembro de 1764 o então governador da Capitania de Minas Gerais, Luís Diogo Lobo da Silva criava o grande e primitivo município de Jacuí, do qual fazia parte o que hoje constitui os municípios de São Sebastião do Paraíso, Monte Santo, Guaranésia, Guaxupé, Muzambinho, entre outros.

Fundação do Arraial de Dores do Guaxupé

Até 1837, Guaxupé era apenas um ponto de pouso de tropeiros com destino a Jacuí e às regiões auríferas mineiras. Naquela ocasião, encontrava-se estabelecido com sua fazenda, o cidadão Paulo Carneiro Bastos, casado com Laureana Maria de Jesus. O ponto de pouso dos viajantes localizava-se exatamente na fazenda dele. Paulo Carneiro entrou em entendimento com o representante da Igreja Católica, Padre João José de Paiva, para iniciarem a formação de um arraial, tendo em vista que o movimento de viajantes aumentava, bem como o número de pessoas aqui estabelecidas na zona rural, o que já demandava algum tipo de comércio para o abastecimento. Como a fé predominante na época era a Católica Apostólica Romana, a ausência de um templo religioso trazia certo desconforto.
Em 1º de novembro de 1837, Paulo Carneiro e sua esposa, Laureana, doavam uma determinada área para a construção do arraial. Foi feito, na época, um documento particular de doação e neste documento ficava estabelecido que o Alferes Antônio Nunes de Morais seria uma espécie de loteador, que deveria traçar as ruas e dividir os terrenos para serem vendidos a pessoas interessadas em construir no arraial que se iniciava..
Posteriormente este “documento particular” foi registrado como “escritura pública” no Cartório do Escrivão de Paz, Tabellião de Notas e Official do Registro Civil da Villa de Dores do Guaxupé, atual Cartório do Registro Civil de Guaxupé: em 08 de maio de 1861, às fls. 46 a 47, do 1º livro de notas; e em 14 de fevereiro de 1899, às fls. 65 v., do 12º livro de notas.

Muzambinho

Através da lei nº 2.500, de 12 de novembro de 1878, a vila de São José da Boa Vista era elevada à categoria de cidade com a denominação de “São José do Muzambinho” e passava a incorporar as freguesias de Dores do Guaxupé e de Santa Bárbara das Canoas, que até então se encontravam incorporadas ao território da “cidade de São Sebastião do Paraíso”.
A Câmara Municipal de Muzambinho só veio a se instalar de fato em 9 de janeiro de 1881, ocasião em que foram empossados os vereadores. Vale aqui lembrar que naquela época os presidentes das câmaras municipais exerciam as atividades dos atuais prefeitos, não existindo, portanto, distinção entre os atuais poderes Executivo e Legislativo.

Criação do município de Guaxupé

Na década de 1880 inicia-se o processo de imigração de europeus, principalmente italianos, para o Brasil, gente que vinha e aqui chegava com a vontade de “fazer a América” e construir um futuro melhor para suas famílias. Estes imigrantes foram os responsáveis pela expansão e explosão das lavouras cafeeiras. Eram assalariados e dependendo da quantidade de pés de café que cada família cuidava durante todo o ano agrícola, aquela família recebia uma determinada área de terreno para ali plantar e cultivar o que lhes fosse de interesse.
No que hoje constitui o município de Guaxupé, a imigração intensificou-se a partir de 1890. Nestas condições a produção de café para exportação aumentava em ritmo acelerado.
A chegada dos imigrantes revolucionou a região. Já traziam conhecimentos tecnológicos, uma mão-de-obra mais qualificada em relação ao escravo negro, conhecimentos científicos e, principalmente, a vontade de trabalhar, produzir e criar raízes no novo continente. Vinham de países mais desenvolvidos que o Brasil, portanto com muito mais conhecimentos.
A expansão das estradas de ferro abria novos horizontes para as lavouras de café que iam surgindo, revolucionando os transportes, criando meios para trazer o imigrante, agilizando o comércio. Em 15 de maio de 1904 inaugura-se o Ramal Férreo de Guaxupé e desta forma nossa região ficava ligada ao Porto de Santos, provocando verdadeira revolução nas atividades produtivas. Importante notar que em 1904 a cidade de Muzambinho, então sede do Distrito de Dores do Guaxupé ainda não contava com esse importante melhoramento que era a estrada de ferro.
Em 1908, era fundado pelo Coronel Antônio Costa Monteiro, e demais companheiros, o Banco do Guaxupé para dar suporte ao movimento de capitais gerados pela cultura do café. Naquele mesmo ano também era implantada a Santa Casa de Misericórdia de Guaxupé. Em 1909 instala-se também em Guaxupé a Agência do Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais, a segunda do país, banco este de capitais franceses e que trouxe grande desenvolvimento para a sociedade guaxupeana de então.
Diante de tanto progresso, a criação do município foi inevitável. Em 30 de agosto de 1911 Guaxupé deixava a condição de distrito de Muzambinho e, finalmente, em 1º de junho de 1912 ocorre o desmembramento e a instalação da Câmara Municipal de Guaxupé, sendo que naquela época o presidente da Câmara Municipal tinha a função do atual prefeito municipal.

(Acervo: Maria Luiza Lemos Brasileiro/ Wilson Ferraz)

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