Delação à vista?

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“Daniel Vorcaro é uma ‘caixa preta’ da ‘banda podre’ da política.” (Jornalista Valdo Cruz).

Nos fervilhantes bastidores políticos de Brasília circula com intensidade a intrigante informação de que os estoques de remédios para dormir e combater ansiedade extrema acham-se esgotados nas farmácias. Tudo por culpa, tá na cara, do que pode vir a furo nos capítulos seguintes da trepidante novela, uma emoção atordoante por minuto, do caso Máster. O que mais se teme, no modo de entender de experimentados especialistas em coisas que rolam no pedaço político do Distrito Federal, é uma eventual “delação premiada” do banqueiro preso ou de algum de seus imediatos.

Nos últimos dias, a boataria a respeito da hipótese aventada ganhou forte impulso, à vista da troca do advogado de defesa assim que se configurou a decisão da 2ª Turma do STF confirmando a prisão do empresário solicitada pela PF e decretada pelo Ministro relator André Mendonça. O advogado que assumiu o patrocínio da causa, ao contrário de seu antecessor, é conhecido por mostrar-se favorável a acordos de colaboração dos réus com a justiça, como registra sua atuação nos tribunais. A mudança pode estar sinalizando o fim de um tempo marcado por retórica de resistência e o provável começo de um posicionamento pragmático capaz de conduzir à abertura da “caixa preta”.

A possível quebra do lacre dessa “Caixa de Pandora” é enxergada por alguns como um “Deus nos acuda”. As investigações da PF levaram à apreensão de 111 celulares de pessoas supostamente ligadas as ações clandestinas do “Máster”, 11 deles do próprio Vorcaro. Menos de 50 por cento do conteúdo periciado de um único celular já rendeu toda essa celeuma que tomou conta do noticiário. Tal constatação é, obviamente de tirar fôlego de quem acompanha os desdobramentos da história e, também, motivo de dar calafrios na espinha de quem, direta ou indiretamente, próximo ou remotamente se sinta comprometido com as fraudulentas operações.

Mudando de tecla. Com toda certeza, não existe, por parte do Ilustre Ministro Edson Fachin, Presidente do STF, intenção preconcebida de vincular com o “caso Máster” palavras recentemente proferidas sobre o papel da justiça na conjuntura política. Mesmo assim, parece-nos oportuno sublinhar trechos do clarividente pronunciamento. Aqui estão:

“Tribunais constitucionais precisam exercer ‘humildade institucional’ e resistir à tentação de assumir decisões que deveriam ser tomadas por outros poderes da república”. (…) “Juízes têm autoridade para interpretar a lei, mas não podem se colocar como substitutos do debate político.” (…) “Os tribunais têm autoridade para dizer o Direito, mas não têm o monopólio da sabedoria política (…) “Não temos o voto. Temos o argumento da lei e, acima dela, o argumento da Constituição.” Falou disse!

*Cesar Vanucci – Jornalista (cantoniu1@yahoo.com.br)

 

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