Emater-MG atua para mitigar efeitos da crise hídrica nas propriedades rurais da região de Furnas

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
IMPRIMIR
Share on facebook
Share on whatsapp
Share on email
Share on print

Proteção de nascentes e conservação de estradas vicinais estão entre as ações

 O Brasil vive uma crise hídrica histórica. De acordo com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, o último período chuvoso foi o mais seco em 91 anos no país. Devido à irregularidade das chuvas, os reservatórios estão em níveis muito baixos e a agricultura também registra várias perdas no ano. O Lago de Furnas, no Sudoeste de Minas, encerrou o mês de junho com menos de 30% da sua capacidade e os municípios da região estão sofrendo com a diminuição da água da represa. Além do turismo, a piscicultura e a agricultura também estão sendo afetados. De olho nessa situação, o Emater-MG tem realizado diversas ações junto aos produtores para mitigar os efeitos da redução de água nas propriedades rurais da região.

A coordenadora regional de Meio Ambiente da Emater-MG em Passos, Alice Soares, comenta que as crises hídricas têm se acentuado muito nos últimos tempos na região Sudeste do país e também no Sudoeste de Minas, por isso existe uma preocupação entre os profissionais da Unidade Regional da Emater-MG com a questão da conservação da água. “Na região de Passos, temos realizado vários trabalhos, tanto em parceria com as prefeituras e municípios como outros parceiros como a Copasa e a Agência Nacional de Águas (ANA)”, diz Alice Soares.

Uma dessas iniciativas é o projeto Produtor de Águas, que é uma parceria com a ANA e prefeituras e está sendo desenvolvido nos municípios de Passos, Capitólio, Piumhi, Doresópolis e Pimenta. “A proteção de nascentes e áreas de recarga, manejo de solo e conservação de estradas vicinais são algumas das atividades realizadas. O programa Produtor de Águas prevê também o pagamento de serviços ambientais aos produtores, que aderirem ao projeto. Então é um avanço, porque o programa reconhece que, ao realizar ações de mitigação dos impactos das mudanças climáticas, os agricultores estão contribuindo para a melhoria da quantidade e da qualidade da água para toda a sociedade”, explica a coordenadora.

Outro trabalho ambiental importante é a parceria com a Copasa no programa Pró-Mananciais. O projeto ocorre em Capitólio, Cássia, Carmo do Rio Claro e Itaú e tem o objetivo de recuperar e manter as Áreas de Preservação Permanentes (APPs). “Além do Pró-Mananciais e do Produtor de Águas, realizamos ainda vários cursos de conservação de estradas rurais para funcionários de prefeituras da região. As estradas rurais malconservadas são sérios agentes poluidores, causando o assoreamento de cursos d´água”, afirma a técnica da Emater.

Todos podem ajudar

A coordenadora da Emater-MG diz que qualquer produtor pode ajudar no trabalho de preservação da água, fazendo bom uso do solo com técnicas de manejo e conservação. Entre essas técnicas estão o plantio em nível, construção de terraços, conservação da vegetação nativa, principalmente em áreas de recarga como topos de morro, proteção de nascentes, além de rotação de pastagens e de piquetes para diminuir a compactação do solo.

“Todas essas técnicas ajudam a promover a infiltração da água, abastecendo os lençóis subterrâneos e aumentando a quantidade de água, tanto na propriedade como na bacia hidrográfica que o terreno se insere”, explica Alice Soares.

Já alguns erros bastante comuns em propriedades rurais contribuem para a diminuição da água numa fazenda. “O maior problema encontrado é o mal uso do solo. Em solos compactados não ocorre a infiltração da água. As pastagens mal manejadas e solos descobertos são mais alguns graves problemas. A cobertura do solo contribui muito para a infiltração da água. Ela diminui o impacto da chuva, promove a descompactação do terreno, propicia uma atividade biológica mais forte, melhorando a qualidade das raízes. Assim, a água se infiltra com mais facilidade, abastecendo o lençol subterrâneo”, ensina a extensionista.

Lama

O Lago de Furnas é um dos maiores reservatórios de água do Brasil e possui uma área inundada de 1.440 quilômetros quadrados, que abrangem 34 municípios de Minas Gerais. A população local é de cerca de 800 mil habitantes, que dependem direta ou indiretamente das águas do reservatório. Em muitos lugares, o lago, conhecido como “Mar de Minas”, chegou a recuar cerca de oito quilômetros, dando lugar a pasto e lama.

A crise hídrica atual e seus impactos confirmam os prognósticos do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), que deve finalizar em breve seu sexto relatório, com a participação de mais de três mil cientistas. Segundo os pesquisadores, com as mudanças climáticas, eventos extremos vão se tornar mais frequentes no mundo e com intensidades maiores. E como estamos no início do período seco, a tendência é da situação de pouca água se agravar nos próximos meses. “A previsão é de pouca chuva até novembro. Se agora já estamos com o reservatório tão baixo, imagina daqui a alguns meses. Então o cenário é muito preocupante”, lamenta Fausto Costa, secretário-executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago).

 

(Assessoria de Comunicação – Emater-MG / Jornalista Flávia Freitas)

Notícias Recentes