O 5º Encontro das Mulheres da Região Vulcânica reuniu produtoras, pesquisadoras e profissionais do agronegócio para um dia de troca de conhecimento, inspiração e debates sobre o futuro da cafeicultura. A programação abordou desde bem-estar e liderança feminina até temas técnicos como resiliência climática, terroir e cafeicultura regenerativa.
A abertura contou com a palestra master “Mulheres que Cuidam”, ministrada por Danielle Rodrigues, pró-reitora da UNIFEOB, que falou sobre o papel transformador das mulheres na sociedade e também dentro das propriedades rurais. Segundo ela, o cuidado, a gestão e a sensibilidade feminina têm ganhado cada vez mais espaço nas decisões do campo.
Na sequência, o diretor de agronegócio da Fazenda Sertãozinho, Lucas Franco, apresentou o case da propriedade durante a palestra sobre terroir vulcânico, destacando os cuidados desde a colheita até o preparo das amostras de cafés especiais.
“O terroir da Região Vulcânica tem características únicas. Nosso trabalho começa na lavoura, com atenção ao momento certo da colheita, passa por um pós-colheita cuidadoso e chega ao preparo das amostras para que o café expresse todo o seu potencial de qualidade”, destacou Lucas Franco.
A programação também trouxe reflexões importantes sobre os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A professora Dalyse Toledo, da Universidade Federal de Lavras, apresentou o projeto Paisagens Sustentáveis e explicou como práticas agrícolas mais integradas ajudam a fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos.
“Quando pensamos em paisagens sustentáveis, estamos falando de um conjunto de práticas que aumentam a capacidade do agroecossistema de enfrentar períodos de seca, calor ou excesso de chuva. É uma forma de produzir café cuidando do solo, da biodiversidade e do futuro da produção”, explicou a pesquisadora.
O evento também abriu espaço para o cuidado com a saúde física e emocional das mulheres do campo, com uma atividade voltada ao bem-estar conduzida pela enfermeira Patricia Reche, pela psicóloga Lidiane Naliati e pela profissional de educação física Erika dos Anjos, que reforçaram a importância de equilíbrio entre trabalho, saúde e qualidade de vida.
Encerrando a programação da manhã, a professora Dalilla Carvalho, do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais, campus Machado, abordou a cafeicultura regenerativa, destacando práticas que recuperam o solo e fortalecem a sustentabilidade das propriedades.
“O solo é a base de tudo. Quando adotamos práticas regenerativas, melhoramos a fertilidade, aumentamos a biodiversidade e garantimos uma produção mais equilibrada e resiliente ao longo dos anos”, explicou.
O encontro reforçou o protagonismo feminino na construção de uma cafeicultura mais inovadora, sustentável e conectada com os desafios do futuro.