Entre a cautela e a oportunidade: O panorama do comércio mineiro para a temporada de descontos

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O comércio varejista de Minas Gerais movimenta-se para mais uma edição da Black Friday, data amplamente consolidada no calendário nacional de consumo. De acordo com levantamento inédito realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, o evento possui um índice de reconhecimento expressivo de 95,8% entre as empresas do setor no estado. Para o ciclo atual, 35,8% dos estabelecimentos que conhecem a data planejam realizar ações promocionais, evidenciando o peso estratégico da ocasião para dinamizar o faturamento antes das festividades de fim de ano.

 

A adesão ao movimento reflete o empenho do empresariado em atrair o consumidor por meio de táticas bem estruturadas. Os descontos agressivos lideram as iniciativas, sendo apontados por 58,1% das empresas participantes, seguidos por facilidades de pagamento (22,3%), campanhas de propaganda e divulgação (19,6%) e promoções gerais (18,9%). No recorte por canais de atuação, as estratégias serão adotadas por 35,3% das lojas físicas e por 19,2% dos negócios com operação voltada para o e-commerce.

 

A economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, pontua a maturidade do setor produtivo na condução das campanhas. “A Black Friday deixou de ser um evento isolado de queima de estoque e passou a integrar o núcleo do planejamento estratégico do varejo mineiro. Observamos que os empresários estão calibrando suas ofertas com cautela, equilibrando margens de lucro e atratividade para o consumidor em um cenário econômico dinâmico”, avalia Martins.

 

Em relação à intensidade dos descontos programados, 26,2% dos empresários participantes ainda não definiram o teto de abatimento, enquanto aqueles que já fixaram parâmetros destacam faixas de 15,01% a 20,0% (16,8%) e de 45,01% a 50,0% (12,1%). Esse planejamento reflete diretamente nas projeções de desempenho: 57,4% das empresas esperam registrar um crescimento de até 30,0% no volume de vendas durante o período, ao passo que 21,4% projetam expansões superiores a 50,0%. Apenas 3,3% dos respondentes afirmam não aguardar impacto nos negócios.

 

Em contrapartida, entre os 60,1% dos empresários conhecedores da data que optaram por não participar, somados a 4,1% que não souberam ou não responderam, os principais motivos para a abstenção residem na falta de interesse pessoal na campanha (56,4%) e na percepção de que a data não gera lucro para o seu modelo específico de negócio (26,1%). Fatores como o baixo fluxo de vendas (6,1%) e a conjuntura de crise econômica (5,5%) também influenciam a decisão.

 

Quando questionados sobre potenciais entraves ao desempenho comercial da temporada, 44,7% dos empresários acreditam que nenhum fator deverá atrapalhar os resultados. Contudo, entre os que antecipam barreiras, 25,5% apontam a crise econômica e o baixo fluxo no comércio, 15,6% destacam a cautela e o endividamento do consumidor, e 7,8% mencionam a escassez de recursos financeiros para investimento.

 

Outro ponto de relevância examinado pela pesquisa é a interface entre a Black Friday e as vendas natalinas. Para a maioria expressiva de 64,2% dos empresários, a Black Friday não interfere no desempenho do Natal. Outros 23,3% enxergam uma interferência de caráter positivo, enquanto 12,5% avaliam que há impacto negativo, sendo que, entre estes últimos, 64,2% justificam que a data antecipa as compras de fim de ano e 27,7% argumentam que o consumidor chega descapitalizado a dezembro.

 

Para Gabriela Martins, a harmonia entre as duas principais datas do varejo exige sensibilidade gerencial. “O reflexo da Black Friday sobre o Natal atua como um termômetro da saúde financeira e da propensão ao consumo das famílias mineiras. O fato de a maioria dos empresários não enxergar choque negativo demonstra que as datas cumprem papéis complementares no ciclo anual do comércio, desde que alinhadas à gestão de estoque e ao perfil do público-alvo”, conclui a economista.

 

Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 800 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

 

Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.

(Ascom)

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