O governo do Irã confirmou na noite do sábado (28) a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, durante uma operação militar conjunta realizada por forças dos Estados Unidos e de Israel na manhã do mesmo dia. Aos 85 anos, Khamenei estava no poder desde 1989 e comandava a nação persa com mão de ferro, em um regime marcado pela repressão a opositores, pelo controle rígido dos meios de comunicação e pela influência decisiva sobre os rumos políticos, econômicos e religiosos do Irã. Em resposta ao ataque que vitimou a mais alta autoridade do país, o presidente Masoud Pezeshkian decretou luto oficial de quarenta dias, além de determinar sete dias de feriado nacional em todo o território iraniano.
Diante do vácuo de poder gerado pela morte do líder máximo, Teerã anunciou a formação de um conselho interino para gerir o país a partir deste domingo (29). O comando provisório será exercido pelo aiatolá Alireza Arafi, que assumirá a liderança ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do judiciário, até que a Assembleia dos Peritos, órgão responsável pela escolha do sucessor, defina definitivamente o novo líder supremo. A transição ocorre em meio a um cenário de extrema tensão, com a população dividida entre o luto oficial e a incerteza sobre os rumos políticos do país.
Do lado ocidental, a reação da Casa Branca foi de celebração e endurecimento do discurso. Em pronunciamento oficial, o presidente dos Estados Unidos classificou a morte do aiatolá como “a maior chance do povo iraniano de recuperar o país”, referindo-se a Khamenei como um “líder sanguinário”. O mandatário norte-americano aproveitou a ocasião para reiterar a postura agressiva de Washington na região, afirmando que “os Estados Unidos, caso seja necessário, continuarão com os bombardeios sem tempo determinado para cessar fogo, até que o presidente iraniano estabeleça a paz em seu país e no Oriente Médio”. A declaração acirra ainda mais as hostilidades em um contexto já explosivo, que tem como pano de fundo o programa nuclear iraniano — motivo central da repressão internacional liderada por Washington e intensificada durante a gestão de Donald Trump, que sempre combateu duramente o enriquecimento de urânio por parte de Teerã.
Enquanto o mundo acompanha os desdobramentos, informações não oficiais dão conta de que os ataques deste sábado podem ter causado baixas ainda mais expressivas na cúpula de segurança do Irã. De acordo com fontes ligadas à inteligência regional, o ministro da Defesa, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, estariam entre os mortos. Caso confirmadas, as mortes representariam uma verdadeira decapitação do alto escalão militar iraniano, aprofundando o caos institucional e deixando o país ainda mais vulnerável em um momento de fragilidade política extrema, com desdobramentos imprevisíveis para a estabilidade de todo o Oriente Médio.
Por: João Bosco / O Debate
Foto: Redes Sociais