Com a morte do Dr. Aulício Pasqua Murta, ocorrida no último domingo, 26 de fevereiro, em virtude de um violento enfarto, perde a classe médica de Guaxupé um de seus expoentes, e a sociedade um de seus valores mais expressivos.
Sob a extensão do pensamento latino, “o homem não só nasce para si, mas também para a comunidade em que o mesmo se encontra inserido”, Dr. Aulício foi um médico que entendeu e cultivou os seus deveres cívicos vivendo sua vocação profissional com acentuados méritos.
Desde o início de sua carreira ele se revelou o anestesista seguro e prudente, o amigo querido, e o médico que passava confiança aos pacientes que enfrentavam cirurgias. Trabalhou sem tréguas na Santa Casa de Guaxupé, vocacionado que era para o grande sacerdócio de sarar as dores e consolar os que sofrem.
Ele nucleou a sua vida com aquela bondade e generosidade que todos lhe reconhecem e, tão impositiva, que fazia da sua simplicidade e da sua humildade igual, e de par, com os andrajos de miséria que ele acudia, mesmo diante da posição profissional que o levou ao grande prestígio junto da classe médica.
Tornou-se o Dr. Aulício digno da estima e da admiração pública pelas suas invulgares qualidades. Profissional generoso, se fez querido por todos, grandes e pequenos, ricos e pobres, não que a eminência de sua posição assim o impusesse, mas pela simplicidade com que a todos acolhia. Ele se fez grande porque soube ser pequeno entre os humildes e modestos. A modéstia foi a marca dominante de sua vida, que mais não foi que vida tripétala repartindo-se entre o lar que tanto amava, a cidade que engrandecia, e a pobreza sofredora que acudia e consolava.
Médico, emprestou à classe a que pertencia o prestígio de seu alto saber, e a sua grande valia sempre se ressaltou na sua figura de profissional generoso, descuidado de sua própria glória, repassada de altruísmo porque ele era infesto às vantagens pessoais. Com esta inspiração orientou seus dias, vivendo naquele postulado segundo o qual “é mais feliz quem proporciona um benefício do quem recebe”. Assim, compreendendo a vida, ele foi feliz, eis que acrescido a este seu jeito de ser teve no lar, na afeição da família e na estima de seus clientes e de seus concidadãos a forma ideal com a qual se superam todos os óbices da vida: o amor e pelo amor.
Dedicado à família e aos seus, foi exemplar nos seus deveres para com o lar. O afeto sempre foi a força que cimentou a paz do seu lar, e a harmonia entre os seus. Esposo, pai e irmão se fez sempre amado pela doçura com que viveu e ensinou a viver os que o rodeavam.
Dr. Aulício Pasqua Murta, médico formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, era filho dos saudosos, Austen Madureira Murta, contador, músico e funcionário do Banco do Brasil que foi, falecido a 07 de junho de 2013, e de Dona Líssia Pasqua Murta, falecida em 11 de outubro de 2013; era casado com a Professora Maria Helena de Souza Murta, e deixa os filhos: Ana Cristina, Ernane, Aulício Henrique, Lícia Maria e Fernando César.
Ele era neto materno de Luiz Pedro Pásqua e de Tereza Lepiani. Luiz Pedro foi comerciante e industrial em Guaxupé, nascido a 24 de junho de 1871, em Domenico, Província de Cosenza, na Calabria, e falecido nesta cidade a 30 de maio de 1962. Ele foi um dos precursores da industrialização em Guaxupé, com sua fábrica de macarrão localizada na Rua d’ Aparecida.
Assim, Dr. Aulício deixa um legado moral dos mais preciosos, a beleza cristã dos seus exemplos e a modéstia sadia de sua vida ficam entre os seus que ele tanto estremeceu e amou, numa vivência imperecível, pois a sua vida foi para os seus filhos e descendentes uma inspiração perfeita aos melhores sentimentos e uma alta direção para o trabalho, no alívio do sofrimento dos enfermos, e para o amor ao próximo.
Seu corpo foi velado na Capela do Lar São Vicente de Paula e sepultado no dia seguinte, segunda-feira, às 10h, no Cemitério da Praça da Saudade.
À família enlutada as condolências do Jornal A Folha Regional.
Homenagem da historiadora Maria Luiza Lemos Brasileiro e de seu marido Wilson Ferraz