Cantor e compositor mineiro falou sobre Clube da Esquina, Milton Nascimento, 14 Bis, futebol e sucessos que marcaram a música brasileira
O cantor, compositor e instrumentista Flávio Venturini foi o convidado do programa The Noite com Danilo Gentili, exibido pelo SBT na quarta-feira (16). Aos 50 anos de carreira, o artista aproveitou a entrevista para relembrar momentos importantes de sua trajetória, desde os primeiros contatos com a música até a consolidação como um dos grandes nomes da música popular brasileira.
Venturini está percorrendo o país com a turnê “Minha História – 50 anos”, que também deu origem a um álbum comemorativo com participações especiais. Durante a conversa, ele contou que, antes de escolher a música, chegou a sonhar em seguir carreira no futebol.
“Eu tentei ser jogador de futebol, mas acho que não tinha físico. Joguei no Cruzeiro do Sul, na várzea”, relembrou.
A música, entretanto, entrou cedo em sua vida. Influenciado pelas canções que escutava no rádio, começou a tocar acordeon e posteriormente passou a se dedicar a outros instrumentos. “Os anos 50 foram muito românticos, eu ouvia muito rádio e só tocava música linda. Eu queria fazer isso também. Meu primeiro instrumento foi o acordeon”, contou.
Clube da Esquina e Milton Nascimento
Um dos momentos de maior destaque da entrevista foi a lembrança de sua participação no Clube da Esquina, movimento musical que reuniu importantes artistas mineiros, entre eles Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes.
Venturini participou de trabalhos com os três e destacou a importância de Milton Nascimento em sua formação artística e profissional.
“Clube da Esquina é uma reunião de grandes compositores mineiros, capitaneados pelo nosso padrinho Milton Nascimento, nosso grande artista maravilhoso, ele deu a mão para todo mundo”, afirmou.
A relação com Milton ultrapassou os estúdios. Segundo Venturini, o cantor o indicou para bandas e diferentes trabalhos, além de convidá-lo para apresentações e turnês no Brasil e no exterior.
A composição “Nascente”, de autoria de Venturini, também ganhou destaque na trajetória da parceria. A música foi gravada por Milton Nascimento e posteriormente recebeu versões em outros idiomas.
Sucessos e passagem pelo 14 Bis
Ao falar sobre sua identidade artística, Venturini destacou principalmente o trabalho como compositor. “Eu sou antes de tudo um compositor de música brasileira, eu gosto muito da música romântica, mas eu tenho essas vertentes do rock também”, declarou.
O músico também revelou um desejo que ainda pretende realizar: gravar um álbum instrumental.
Outro capítulo importante de sua carreira foi a passagem pelo grupo 14 Bis. Segundo Venturini, foi na banda que amadureceu como cantor. Entre os sucessos associados ao período estão “Todo Azul do Mar” e “Linda Juventude”, esta última apresentada como uma homenagem a Milton Nascimento.
As canções de Venturini também ganharam espaço em trilhas de novelas. “Espanhola” integrou a trilha de Que Rei Sou Eu?, enquanto “Noites com Sol” esteve em Fera Ferida e Orgulho & Paixão. O artista também interpretou o tema de Vende-se um Véu de Noiva, do SBT.
Já “Céu de Santo Amaro”, uma de suas composições mais conhecidas, foi tema da novela Cabocla. A música teve origem em uma inspiração ligada à obra do compositor alemão Johann Sebastian Bach.
Futebol e histórias com grandes nomes
A paixão pelo futebol, presente desde a infância, também apareceu durante a entrevista. Venturini relembrou a amizade com o ex-jogador Sócrates e contou que chegou a jogar futebol com o craque.
Segundo o músico, Sócrates e Raí também costumavam frequentar apresentações do 14 Bis. Ele ainda recordou o período em que acompanhou a cantora Fafá de Belém como músico em algumas turnês.
Ao completar cinco décadas de carreira, Flávio Venturini segue revisitando sua história por meio da turnê e do álbum comemorativo, celebrando canções, encontros e parcerias que ajudaram a construir sua trajetória na música brasileira.
(Com informações – ASCOM SBT)