Indigestos revezes

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“A Corte precisa ser preservada .”( Anna Maya, escritora)

As relações entre os Poderes azedaram pra valer. O Congresso infligiu contundentes revezes ao Planalto.

Um deles, referente à redução de penas aos golpistas, de certa forma já aguardada. O que causou desconforto foi a gritante diferença de votos observada.

O outro revés, envolvendo a rejeição de Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no colegiado do STF, pegou as lideranças governistas de surpresa. Abalou interlocuções que se imaginavam promissoras, ligações políticas aparentemente amistosas, levantando suspeições sobre o comportamento, no processo, de supostos aliados do situacionismo.

Não se pode deixar de reconhecer que as tricas e futricas, típicas do momento pré-eleitoral, contribuíram em demasia para o entrechoque de interesses registrado. No entanto, faz-se mister admitir que a decisão do Parlamento foi ainda fortemente influenciada pela disposição de não mais se garantirem sufrágios, para tão elevadas funções, a nome notoriamente vinculado ao Presidente.

No ver de muitos parlamentares, a Corte precisa ser preservada, em sua composição, da presença contínua de personagens, por mais brilhantes e capazes que sejam, comprometidos politicamente. A objeção a Messias, de acordo com esse entendimento das coisas, nada teria a ver, por conseguinte, com uma negação de seus méritos. Na realidade, o ex-advogado da União desfruta, na vida pública brasileira, de larga admiração e apreço pelo saber jurídico e poder empreendedor.

O que está por acontecer agora? No tocante à derrubada do veto da chamada dosimetria, a candente questão está fadada a enveredar pelo caminho da judicialização. O Supremo será fatalmente impelido a pronunciar-se.

Quanto ao preenchimento da vaga no STF, o Governo poderá fazer nova indicação antes da eleição, talvez até, como já aventado, de jurista mulher  negra. A hipótese de que o esquema da escolha seja deixado para o próximo ano, noutra gestão, não está de todo descartada.

2) Racismo reverso – Para ficar suficientemente esclarecida, a historinha carece ser lida mais de uma vez. Seguinte: autarquia federal dos EUA, especializada em questões raciais, recebeu ordem do Presidente Donald Trump para questionar na Justiça o “The New York Times” por crime de preconceito racial.

A acusação diz que um funcionário branco do sexo masculino foi preterido numa promoção para o cargo de editor adjunto. Argumentou-se que o elemento era “significativamente mais qualificado”, mas a escolha acabou recaindo em mulher negra. O “New York Times” é o maior jornal do mundo, com 3 milhões de assinantes. Trump já moveu ações bilionárias contra o periódico, sustentando haver sofrido prejuízos de imagem em matérias estampadas sobre sua trajetória política e empresarial.

*Cesar Vanucci – Jornalista cantonius1@yahoo.com.br

 

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