Nos dias 11 e 12 de abril, a cadeia da cafeicultura se reuniu no Palácio de Cristal em Uberlândia para o Encoffe 2023, o encontro dos gestores da cafeicultura.
Entre os assuntos em que foram discutidos estavam estratégias de gestão, clima e descarbonização na cafeicultura.
Nesta edição, especialistas fizeram uma análise dos primeiros passos do novo governo e as mudanças nos aspectos políticos e econômicos, mercado do café, tendências, perspectivas, gestão de risco e sucessão familiar.
Da região marcaram presença várias personalidades do setor. Para o vice-presidente da Coopervitae, Adenilson Donizete Elias “entre os temas apresentados, o que nos despertou maior interesse foram os painéis sobre o mercado internacional do grão, a cafeicultura 4.0, a denominação de origem como diferencial, novas tecnologias”. Já para o tesoureiro da cooperativa, Fernando de Oliveira Madeira, “como a Coopervitae tem o objetivo de apoiar no cumprimento dos critérios Fairtrade e no seu compromisso de respeitar os direitos humanos e a sustentabilidade ambiental, o painel sobre os impactos das cooperativas na vida dos produtores reforçou a importância das nossas ações,” relatou.
Para a cafeicultora Mariza Contreras, da Fazenda Capoeira que junto com o presidente executivo da Coopercitrus Fernando Degobb fez apresentação citada acima. “Foi um momento de mostrarmos e reforçarmos como a presença das cooperativas muda e transforma a vida das pessoas. O dia que conheci o Fernando, nossa conexão começou eu pedi ajuda para estar entre os cafeicultores que tinham plantio sistematizado e foi assim que estamos caminhado juntos, disse a cafeicultora. Em seguida, Degobb explicou “precisamos entender os impactos das coisas que fazemos, a tecnologia esta fazendo algo interessante, é preciso entender quem é estratégico, quem é tático e quem é operacional. As empresas estão encurtando essas relações, e já é possível perceber que as operações são estratégicas”, falou referindo a importância das ações das cooperativas que impactam nas vidas das famílias cooperadas.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café verde. Em janeiro, abrindo a temporada 2023, o Brasil embarcou 2,8 milhões de toneladas. Os dados do Conselho Nacional do Café também mostram um recuo na receita e nos preços dos grãos. Mesmo assim, o mercado internacional acena de forma positiva para a cafeicultura, referente a preços e aumento dos embarques. Só no ano passado, pelo menos 300 mil fazendas de café mantiveram o Brasil como maior produtor e exportador mundial, explicou Luciana Martins, diretora executiva do grupo Conecta, responsável pela organização do evento.
“As mudanças climáticas já interferem na vida do cafeicultor. No Sul de Minas Gerais, por exemplo, centenas de propriedades foram castigadas pelos temporais e granizo. Enquanto isso, os olhos do mundo estão voltados ao Brasil e à produção sustentável. A Europa recentemente lançou um ‘pacto verde’ com meta de descarbonização, que vai interferir diretamente no agro brasileiro. Por isso, é importante ampliar o conhecimento”, conta Danilo Bomfim, sócio e diretor de produção do grupo Conecta.
Cerca a presença de mais de 500 cafeicultores e profissionais do setor, além de empresas e cooperativas como COAGRIL, AMOCA, COOPADAP, MINASUL, EXPOCACCER, COOPERCAM, Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), COOPAMA, NATER COOP, COOPMAC, CAPEBE, CARMOCER, COCAPIL, COOPERVITAE, CASUL, COCAPEC, COABRIEL, COOCACER, COOXUPÉ, Sindicato Rural de Indianópolis, Sindicato Rural de Uberlândia, Sindicato Rural de Nepomuceno, COOPERCITRUS, Sindicato Rural de Franca, CAFENATO, CARPEC, COOPERVASS, COOPADAP, COAGRIL, SINDICATO RURAL NEPOMUCENO, ACA, COOCACER, CASA DO ADUBO, EXPOCACCER, SINDICATO RURAL DE UBERL NDIA, COCAPEC, COOPERVASS,ICL, Grenhas Grupo e Tecfertil Agrociencias.
De acordo com dados da Embrapa Café, o Brasil é o maior produtor, exportador e segundo maior consumidor de café em nível mundial. O País possui aproximadamente 300 mil estabelecimentos produtores de café, dos quais 78% são considerados da cafeicultura familiar. Tais lavouras produtoras de café, além de atender os mercados mais exigentes internos e externos, também contribuem para fortalecer aspectos econômicos, sociais e ambientais, requisitos indispensáveis para o desenvolvimento sustentável do setor. Assim, o café está presente nas cinco regiões geográficas, em 16 estados da Federação, nos quais 1.448 municípios produzem café, o que corresponde a aproximadamente 26% dos municípios brasileiros, com a geração direta e indireta de mais de 8 milhões de empregos.
Na cafeicultura, além das tendências de consumo no Brasil e no mundo e o cenário econômico pós-pandemia estiveram presentes no encontros, analistas de mercado, representantes de cooperativas e economistas.
(VALÉRIA VILELA)