Morreu na manhã do sábado (30), em Porto Alegre (RS), um dos maiores escritores, cronistas e humoristas do Brasil: Luis Fernando Veríssimo, aos 88 anos. Internado no Hospital Moinhos de Vento para tratar de uma pneumonia, o autor não resistiu às complicações do quadro. Nos últimos anos, sua saúde já vinha fragilizada em razão de limitações motoras, da doença de Parkinson, de um AVC em 2021 e do uso de marca-passo desde 2016. Por conta dessas condições, havia deixado de escrever em 2021, encerrando uma carreira literária marcada por inteligência, humor refinado e crítica social.
Nascido em Porto Alegre, em 1936, Veríssimo era filho do consagrado escritor Érico Veríssimo e de Mafalda Halfen Volpe. Desde cedo esteve cercado pela literatura, mas também cultivava outras paixões: era amante do jazz, saxofonista talentoso e apaixonado por futebol, sempre vibrando pelo Internacional, seu clube do coração. Durante parte da infância e adolescência, estudou nos Estados Unidos, experiência que ampliou sua visão de mundo. De volta ao Brasil, viveu por um período no Rio de Janeiro, onde conheceu Lúcia Helena Massa, sua companheira por toda a vida e mãe de seus três filhos: Fernanda, Mariana e Pedro.
Sua trajetória profissional começou na Editora Globo e no jornal Zero Hora, onde atuou como revisor e depois colunista. Foi justamente nas crônicas, publicadas diariamente a partir de 1969, que Veríssimo consolidou seu estilo inconfundível: textos curtos, bem-humorados e críticos, que revelavam o cotidiano com ironia e leveza. Seu olhar sobre a vida urbana, a política e as relações humanas conquistou leitores de todas as idades, transformando-o em um dos autores mais populares do país.
Ao longo de sua carreira, publicou dezenas de livros, entre eles alguns que se tornaram clássicos da literatura brasileira contemporânea, como O Analista de Bagé, Comédias para Ler na Escola, As Mentiras que os Homens Contam, O Clube dos Anjos e Sexo na Cabeça. Embora tenha se tornado um cronista célebre, Veríssimo transitava com a mesma habilidade entre romance, dramaturgia, roteiros, traduções e cartuns. Suas obras misturavam crítica social com humor inteligente, acessível e envolvente, cativando milhões de leitores dentro e fora do país.
Luis Fernando Veríssimo deixa uma herança cultural inestimável. Romancista, dramaturgo, cronista, cartunista, tradutor, músico amador e, sobretudo, um observador genial do Brasil, ele marcou gerações com sua escrita leve e ao mesmo tempo profunda. Sua partida representa uma enorme perda para a literatura, para o jornalismo e para a cultura nacional, mas suas palavras permanecem vivas na memória coletiva. O Brasil se despede de um mestre do humor e da crítica, que soube transformar a vida cotidiana em arte e que, certamente, fará muita falta.
Por: João Bosco
(O Debate)