Os 130 anos do Cemitério Luiz Smargiassi em Guaxupé

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 No próximo domingo, 10 de maio, o Cemitério Luiz Smargiassi, localizado na Praça da Saudade, em Guaxupé, estará completando 130 anos de existência.

Aquela necrópole foi construída por iniciativa da Igreja Católica Apostólica Romana e foi benta pelo então bispo da Diocese de São Paulo, da qual Guaxupé fazia parte, Dom Joaquim do Arco Verde de Albuquerque Cavalcanti, em 10 de maio de 1896, sendo o terceiro campo santo de Guaxupé.

O primeiro cemitério guaxupeano foi construído possivelmente no século XVIII, em terras da antiga fazenda do Bálsamo e encontrava-se nas proximidades da estação ferroviária do Japy, mais precisamente na margem esquerda da rodovia que liga Guaxupé a São Pedro da União.

Na década de 1850 foi construída uma igreja onde atualmente se encontra a majestosa Catedral de Nossa Senhora das Dores, a qual foi benta em 15 de março de 1856, ocasião em que foi instalado o chamado “Curato de Nossa Senhora das Dores do Guaxupé”.

Conforme previa as normas canônicas, para se instalar um curato era necessário que o povoado contasse com um templo religioso e com um cemitério aos seus fundos. Desta forma foi construído o segundo cemitério de Guaxupé, que funcionou no período compreendido entre 15 de março de 1856 e 08 de maio de 1896, data em que foi realizado o último sepultamento. Este campo santo localizava-se onde atualmente encontra-se a Escola Municipal Noemia Costa Monteiro, o chamado Parque Infantil, e ficou conhecido por “Cemitério Parochial”.

No século XIX ocorria um alto índice de mortalidade infantil e de mulheres vítimas de complicações de parto, o que fez com que o Cemitério Parochial ficasse saturado num período de aproximadamente 40 anos.

Diante da saturação desta necrópole, o então pároco da Paróchia de Nossa Senhora das Dores do Guaxupé, Padre Frediano Dini, requereu autorização da Diocese de São Paulo, da qual Guaxupé fazia parte, para a construção de uma nova necrópole, no que foi atendido. Assim, em 06 de abril de 1896, ele requeria autorização do bispo de São Paulo para que pudesse ser realizada a benção e o início do funcionamento da nova necrópole. A autorização foi concedida no dia 15 daquele mesmo mês e ano.

Acontece que naquela ocasião o então bispo diocesano, Dom Joaquim do Arcoverde havia empreendido uma visita pastoral pelas paróquias desta região e ao visitar a Paróchia de Nossa Senhora das Dores do Guaxupé procedeu a benção da nova necrópole no dia 10 de maio de 1896, conforme registro acostado às fls. 65 verso, do primeiro livro do tombo da paróquia.

 

 Demolição do Cemitério Parochial

Com a inauguração do cemitério localizado na atual Praça da Saudade, a necrópole localizada onde atualmente encontra-se o Parque Infantil Municipal permaneceu inativo até 1928, quando foi demolido.

Os restos mortais das sepulturas temporárias foram transladadas para um ossário comum localizado logo na entrada da atual necrópole, do lado esquerdo de quem entra e que ficou conhecido por “Sepultura das 13 Almas Benditas”.

Com relação aos restos mortais das sepulturas perpétuas, que eram em número extremamente reduzido, parte foi transferida para o Jazigo do Barão de Guaxupé e parte para outras sepulturas.

 

  Sepulturas mais antigas do Cemitério da Praça da Saudade

As duas sepulturas mais antigas do atual cemitério da Praça da Saudade são: a de Vitor Costa, falecido em 26 de outubro de 1896, filho do saudoso Cel. Joaquim da Costa Monteiro; e a de Augusto Carneiro de Carvalho, falecido em 21 de abril de 1897.

 

 Municipalização do cemitério

Infelizmente, até o presente momento ainda não logramos êxito em localizar nos arquivos da Igreja Católica a data em que a administração do cemitério foi transferida para a municipalidade.

Conforme consta de registros acostados às fls. 42, do terceiro livro do Tombo da Paróchia de Nossa Senhora das Dores do Guaxupé, em 1923, o cemitério ainda se encontrava sob a administração da igreja.

Um incêndio ocorrido em 05 de maio de 1945 destruiu a quase totalidade da documentação da Prefeitura e da Câmara Municipal de Guaxupé.

 Por outro lado, uma servidora municipal que já se encontra aposentada afirma que um ex-prefeito, logo que tomou posse, teria mandado incinerar alguns documentos antigos que ainda restavam, dentre eles registros do atual cemitério.

No passado, as normas canônicas estabeleciam que as necrópoles deveriam ser divididas em duas partes, a benta e a não benta. A parte benta era reservada ao sepultamento dos féis católicos e a não benta deveria ser destinada aos que professassem outras religiões, filhos de mães solteiras, prostitutas, soldados que morressem em guerras, entre outros.

Segundo a tradição oral, em determinada ocasião teria falecido uma senhora da sociedade guaxupeana de então, porém a mesma era de origem árabe e não professava a religião Católica Apostólica Romana. O prefeito da época teria intercedido junto ao pároco para que o corpo da mesma pudesse ser sepultado na parte benta, porém o sacerdote permaneceu irredutível. Nestas circunstâncias o prefeito teria desapropriado o cemitério, autorizando o sepultamento na parte “benta”.

 

Ampliações do cemitério

A primeira ampliação de vulto do atual cemitério foi feita na administração do prefeito Dr. Benedito Felipe da Silva. Naquela administração também foi construída a atual capela, no centro da necrópole, em cujo sub solo existe um ossário comum, onde eram colocados os restos mortais das sepulturas temporárias.

O então prefeito Dr. Benedito Felipe, com a sua grande visão administrativa, havia desapropriado uma área de aproximadamente três alqueires de terra de propriedade da Igreja Católica destinada a instalação do Ginásio Estadual, da estação de tratamento de água da COMAG e o restante destinado exclusivamente para ampliação do cemitério. Infelizmente um dos prefeitos que o sucedeu deu outra destinação ao terreno que havia sido reservado para ampliação da necrópole.

No ano de 1972, na administração do prefeito Dr. Antônio Costa Monteiro Júnior, foi feita uma ampliação da necrópole com a doação de uma área de aproximadamente 6 mil metros quadrados feita pela Imobiliária J. Ribeiro, dos irmãos Joaquim e Odilon Cecílio Ribeiro. Esta área encontra-se logo abaixo da capela construída na administração na administração do Dr. Benedito Felipe e já se encontra totalmente tomada por sepulturas perpétuas.

Na administração 1989/1992, do prefeito Antônio Felipe Zeitune, foi feita uma ampliação de 239 sepulturas, na parte da frente do cemitério. Para tanto foi utilizada parte do terreno da Praça da Saudade. Esta ampliação está dividida em duas partes, sendo uma do lado esquerdo, com capacidade para 126 túmulos, e a do lado direito, em relação a quem está entrando na necrópole, com 113 sepulturas.

Em 2002 o cemitério recebeu nova ampliação, em área que tinha sido destinada ao Ginásio Estadual, terreno este que havia sido adquirido pela Prefeitura na administração do saudoso prefeito Dr. Benedicto Felipe da Silva. Esta ampliação visava “remediar” a super lotação, com local para a construção de mais 91 sepulturas.

Finalmente, nos últimos anos, com a construção de “um banheiro público” na Praça da Saudade, foi possível a abertura de espaço para a construção de mais algumas sepulturas.

 

 Registros de sepultamentos

Salvo melhor juízo e entendimento, a municipalidade de Guaxupé não possui nenhum controle ou registro de sepultamentos realizados anteriormente a julho de 1946.

Em 1996 o pesquisador, historiador e colaborador deste jornal, Wilson Ferraz, juntamente com o filho Renato Ferraz, e o saudoso Gilberto Noronha procederam uma ampla pesquisa nos arquivos do cemitério Luiz Smargiassi.

Apesar de todos os esforços envidados, eles só encontraram registros de sepultamentos a partir de julho de 1946, anotados em folhas esparsas e ou em cadernos, sem nenhum controle cronológico e com uma letra de difícil compreensão.

Como naquela época eles ainda não dispunham de computadores, abriram livros e de forma manual foram inserindo na ordem cronológica os registros com os dados que encontraram.

Informações não oficiais dão conta de que a administração vem dando continuidade nas anotações dos pesquisadores.

 

 Inconformismo

Em várias audiências públicas e em pronunciamentos na tribuna da Câmara Municipal, Wilson Ferraz vem manifestando o seu inconformismo com a precariedade e falta de registros mais completos dos cemitérios municipais.

Ele alega que ao longo dos últimos 30 anos, nenhum administrador público se preocupou em restaurar e informatizar os registros de sepultamentos e que quando familiares de pessoas sepultadas em décadas passadas tentam localizar as respectivas sepulturas os representantes da administração municipal e ou a assessoria de imprensa da Prefeitura indicam aos solicitantes para que o procurem.

 

(Colaborou: Wilson Ferraz)

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