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Na região, recursos e o suporte de instituições do Sistema Nacional de Fomento ajudam produtores a organizar a produção, adotar práticas sustentáveis e transformar qualidade e origem em valor
No Sudoeste de Minas, o café é uma das principais forças econômicas. Mas, para que uma região produtora consiga avançar em qualidade, sustentabilidade e acesso a mercados, não basta plantar e colher. É preciso investir em conhecimento, gestão, tecnologia e organização.
É nesse espaço que atua o Sistema Nacional de Fomento (SNF). Coordenado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), o SNF reúne mais de 30 instituições, entre bancos públicos e de desenvolvimento, agências de fomento, bancos cooperativos, Finep e inclui o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).. Essa rede estratégica tem como função financiar setores essenciais, apoiar a inovação e promover o desenvolvimento econômico sustentável e a redução das desigualdades regionais.
Os cafeicultores, suas associações e cooperativas contam com diferentes instrumentos de financiamento operados pelas instituições que integram o Sistema Nacional de Fomento. Além das linhas disponibilizadas no âmbito do Plano Safra, o setor conta com um instrumento específico, o Funcafé, que atende diferentes necessidades da cadeia produtiva, com recursos para custeio, comercialização, aquisição de café, capital de giro e recuperação de cafezais. Para a safra 2026/2027, são R$ 7,37 bilhões destinados ao Fundo. A orientação é que produtores, associações e cooperativas procurem as instituições financeiras habilitadas para conhecer as linhas disponíveis e identificar aquela mais adequada às suas necessidades.
No caso de Minas Gerais, os dados disponíveis no Painel do Funcafé mostram a relevância desses recursos para o estado. Atualmente, o painel registra cerca de R$ 2,08 bilhões aplicados em Minas Gerais, o maior valor entre as unidades da Federação”, explica diretor executivo da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE)
No campo, essa atuação além do crédito tradicional. O recurso financeiro chega à propriedade para custear investimentos produtivos, mas também viabiliza assistência técnica, consultorias, capacitação gerencial e a articulação coletiva das cadeias produtivas. Os números dimensionam esse impacto: segundo a ABDE, em 2023 o SNF respondeu por R$ 287,1 bilhões em crédito agropecuário — o equivalente a 71,2% de todo o crédito do setor no país, distribuídos em 1,9 milhão de contratos (91,5% do total nacional). Além disso, a agricultura sustentável figura como uma das áreas prioritárias de contribuição do SNF aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Do dinheiro à organização do território
Um exemplo prático dessa engrenagem está na Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas. O trabalho de estruturação começou em 2020 com o apoio direto do Sebrae Minas, instituição integrante do SNF, passando por diagnóstico territorial, planejamento, governança e implantação de boas práticas agrícolas. A articulação resultou na constituição da associação em 2021 e, em 2023, na conquista da Indicação de Procedência (IP) Sudoeste de Minas, reconhecida pelo INPI.
O investimento, portanto, extrapolou os limites da porteira. Serviu para erigir uma estrutura capaz de organizar os produtores e transformar um diferencial geográfico em estratégia de mercado. Para o cafeicultor Fernando Barbosa da Silva, de São Pedro da União, o suporte técnico foi decisivo: “O Sebrae Minas é o nosso braço direito, pois nos ofereceu condições de fazer o diagnóstico da região e trabalhar na reformulação da governança.”
Conhecimento também é investimento
Em Muzambinho, a produtora Suzana Santos Passos integra desde 2016 o programa Educampo, iniciativa do Sebrae voltada à gestão de custos, indicadores e tomada de decisão. “O programa permitiu trazer uma visão técnica empresarial para dentro da porteira”, relata. A assistência também impulsionou a adoção de preceitos da cafeicultura regenerativa, evidenciando que o fomento produtivo gera capacidade de gestão e autonomia.
A vertente socioambiental ganha contornos sólidos em Monte Santo de Minas com a produtora Juliana Paulino da Costa Mello, da Fazenda Nova Aliança. Na propriedade, práticas conservacionistas como curvas de nível, bacias de infiltração e preservação de nascentes unem-se a ações educativas. “Nosso objetivo é o bem-estar real dos nossos colaboradores — não slogan”, afirma Juliana, que também preside a Associação dos Cafeicultores, integrando sustentabilidade, rentabilidade e valorização humana.
O efeito nos resultados e no mercado
No projeto Cafés do Sudoeste, cerca de 300 produtores de 13 municípios recebem atendimento via Sebraetec. Em 2024, dados do Sebrae apontaram um salto de até 40% na produtividade para parte dos atendidos, com 90% conquistando novos mercados e um incremento médio de 46% no faturamento.
A trajetória revela a sinergia perfeita entre os eixos do SNF: organização, conhecimento, inovação produtiva e valorização da origem por meio de concursos de qualidade e da Indicação de Procedência. No Sudoeste de Minas, o fomento prova que seu verdadeiro valor não se resume ao montante injetado na lavoura, mas sim ao que esse recurso é capaz de transformar muito depois de chegar. A associação agora se prepara para o seu concurso de cafés especiais, uma ação que melhora a visibilidade dos grãos e amplia a vitrine para comercialização da safra.
(ESPECIAL – VALERIA VILELA)