Quando o fomento chega à lavoura: crédito e conhecimento transformam a cafeicultura do Sudoeste de Minas

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
IMPRIMIR
Share on facebook
Share on whatsapp
Share on email
Share on print

(Foto: Divulgação)

Na região, recursos e o suporte de instituições do Sistema Nacional de Fomento ajudam produtores a organizar a produção, adotar práticas sustentáveis e transformar qualidade e origem em valor

 

No Sudoeste de Minas, o café é uma das principais forças econômicas. Mas, para que uma região produtora consiga avançar em qualidade, sustentabilidade e acesso a mercados, não basta plantar e colher. É preciso investir em conhecimento, gestão, tecnologia e organização.
É nesse espaço que atua o Sistema Nacional de Fomento (SNF). Coordenado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), o SNF reúne mais de 30 instituições, entre bancos públicos e de desenvolvimento, agências de fomento, bancos cooperativos, Finep e inclui o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).. Essa rede estratégica tem como função financiar setores essenciais, apoiar a inovação e promover o desenvolvimento econômico sustentável e a redução das desigualdades regionais.
Os cafeicultores, suas associações e cooperativas contam com diferentes instrumentos de financiamento operados pelas instituições que integram o Sistema Nacional de Fomento. Além das linhas disponibilizadas no âmbito do Plano Safra, o setor conta com um instrumento específico, o Funcafé, que atende diferentes necessidades da cadeia produtiva, com recursos para custeio, comercialização, aquisição de café, capital de giro e recuperação de cafezais. Para a safra 2026/2027, são R$ 7,37 bilhões destinados ao Fundo. A orientação é que produtores, associações e cooperativas procurem as instituições financeiras habilitadas para conhecer as linhas disponíveis e identificar aquela mais adequada às suas necessidades.
No caso de Minas Gerais, os dados disponíveis no Painel do Funcafé mostram a relevância desses recursos para o estado. Atualmente, o painel registra cerca de R$ 2,08 bilhões aplicados em Minas Gerais, o maior valor entre as unidades da Federação”, explica diretor executivo da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE)
No campo, essa atuação além do crédito tradicional. O recurso financeiro chega à propriedade para custear investimentos produtivos, mas também viabiliza assistência técnica, consultorias, capacitação gerencial e a articulação coletiva das cadeias produtivas. Os números dimensionam esse impacto: segundo a ABDE, em 2023 o SNF respondeu por R$ 287,1 bilhões em crédito agropecuário — o equivalente a 71,2% de todo o crédito do setor no país, distribuídos em 1,9 milhão de contratos (91,5% do total nacional). Além disso, a agricultura sustentável figura como uma das áreas prioritárias de contribuição do SNF aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

 

Do dinheiro à organização do território
Um exemplo prático dessa engrenagem está na Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas. O trabalho de estruturação começou em 2020 com o apoio direto do Sebrae Minas, instituição integrante do SNF, passando por diagnóstico territorial, planejamento, governança e implantação de boas práticas agrícolas. A articulação resultou na constituição da associação em 2021 e, em 2023, na conquista da Indicação de Procedência (IP) Sudoeste de Minas, reconhecida pelo INPI.
O investimento, portanto, extrapolou os limites da porteira. Serviu para erigir uma estrutura capaz de organizar os produtores e transformar um diferencial geográfico em estratégia de mercado. Para o cafeicultor Fernando Barbosa da Silva, de São Pedro da União, o suporte técnico foi decisivo: “O Sebrae Minas é o nosso braço direito, pois nos ofereceu condições de fazer o diagnóstico da região e trabalhar na reformulação da governança.”

 

Conhecimento também é investimento
Em Muzambinho, a produtora Suzana Santos Passos integra desde 2016 o programa Educampo, iniciativa do Sebrae voltada à gestão de custos, indicadores e tomada de decisão. “O programa permitiu trazer uma visão técnica empresarial para dentro da porteira”, relata. A assistência também impulsionou a adoção de preceitos da cafeicultura regenerativa, evidenciando que o fomento produtivo gera capacidade de gestão e autonomia.
A vertente socioambiental ganha contornos sólidos em Monte Santo de Minas com a produtora Juliana Paulino da Costa Mello, da Fazenda Nova Aliança. Na propriedade, práticas conservacionistas como curvas de nível, bacias de infiltração e preservação de nascentes unem-se a ações educativas. “Nosso objetivo é o bem-estar real dos nossos colaboradores — não slogan”, afirma Juliana, que também preside a Associação dos Cafeicultores, integrando sustentabilidade, rentabilidade e valorização humana.

 

O efeito nos resultados e no mercado
No projeto Cafés do Sudoeste, cerca de 300 produtores de 13 municípios recebem atendimento via Sebraetec. Em 2024, dados do Sebrae apontaram um salto de até 40% na produtividade para parte dos atendidos, com 90% conquistando novos mercados e um incremento médio de 46% no faturamento.
A trajetória revela a sinergia perfeita entre os eixos do SNF: organização, conhecimento, inovação produtiva e valorização da origem por meio de concursos de qualidade e da Indicação de Procedência. No Sudoeste de Minas, o fomento prova que seu verdadeiro valor não se resume ao montante injetado na lavoura, mas sim ao que esse recurso é capaz de transformar muito depois de chegar. A associação agora se prepara para o seu concurso de cafés especiais, uma ação que melhora a visibilidade dos grãos e amplia a vitrine para comercialização da safra.

 

(ESPECIAL – VALERIA VILELA)

Notícias Recentes