Muzambinho, 20 de maio de 2024

SOBRE VACINAS E QUE TAIS

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         É preciso reconhecer o excelente trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde de Muzambinho, relativamente ao processo de vacinação. Tomei as duas doses do imunizante, com horário agendado pelo órgão.

          Nas duas vezes em que compareci ao ambulatório, havia apenas três ou quatro pessoas na minha frente. Em quinze minutos, fui despachado, com a satisfação de alívio que nos proporciona a imunização.

           Acho que este modelo deveria ser adotado por todos os municípios brasileiros. Afinal, a rede do SUS  tem no  cadastrado todos os vacináveis, com os respectivos endereços e telefones.

            No entanto, causa espécie atitudes como as tomadas pelo município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. O prefeito, possivelmente, querendo faturar politicamente sobre a triste pandemia que nos assola, convocou todos os cidadãos acima de sessenta anos para a vacinação num determinado dia.

           Ora, Duque de Caxias situa-se na Baixada fluminense, bem próximo da capital do Estado, e tem quase um milhão de habitantes. No dia aprazado, portanto, milhares de sexagenários compareceram para receber a sua dose. Formaram-se filas intermináveis, gerando as indesejadas aglomerações. O povo passou o dia inteiro nas filas. Muitos não conseguiram a sua vacina. O prefeito, com a máscara no queixo, transitava no meio da multidão, passeando a sua vaidade, com o intuito de tirar vantagem política sobre o infausto episódio.

  JUSTIÇA SEJA FEITA                  

 É importante reconhecer, sem nenhuma intenção de fazer qualquer proselitismo político – mesmo porque já não sou um militante – que as coronavacs que temos por aí, devem-se ao governador de São Paulo, João Dória e ao Instituto Butantã.             Enquanto que o presidente esculhambava com a vacina e com a vacinação, o Governo do Estado de São Paulo bancou a fabricação do imunizante. O governo federal somente entrou no processo em razão da pressão popular, eis que São Paulo já tinha as vacinas e ameaçava começar o processo de vacinação à revelia do Ministério da Saúde.

DOUTORA LUANA

         Na CPI  da covid, ouvimos, no dia 02 de junho, o excepcional depoimento da dra. Luana Araújo. Eu acho que ela é mineira, pois mora em Belo Horizonte.  A dra. Luana é médica infectologista. Tinha sido convidada, pelo dr. Marcelo Queiroga para compor a equipe do Ministério da Saúde. Entretanto, o governo negacionista, com o qual infelizmente ainda temos que conviver,  tratou logo de desautorizar o ministro e ele teve de recuar do convite feito. Não restaria ao Ministro, se este não estivesse tão apegado ao cargo, pedir imediatamente o seu boné.

          A participação da dra. Luana foi uma verdadeira aula e uma manifestação inquebrantável de fé na ciência. Mesmo aqueles senadores que defendem a cloroquina e o tratamento precoce – por incrível que possa parecer ainda existem – ficaram embasbacados com a firmeza e a clareza da exposição da médica.

         Chegou até a questionar, com muita propriedade, a autonomia que o Conselho Federal de Medicina, concede aos médicos para prescrever medicamentos considerados ineficazes pela ciência. Argumentou que as pessoas não podem ser cobaias de experimentos já consagrados como inúteis para a covid, e o que é pior, com efeitos colaterais adversos para os pacientes. 

SUGESTÃO À SECRETARIA DE SAÚDE

        Fico me perguntando se não seria o caso de a Secretaria Municipal de Saúde, ouvida a classe médica mais afinada com os avanços científicos, soltar notas de esclarecimento à população, informando das orientações que a Ciência recomenda. Como lembrou dra. Luana, não existem duas ciências. Não há, neste contexto, corrente de opiniões. O que existe é o que o que é abalizado pela OMS e pelas mais conceituadas agências nacionais e internacionais. O resto é balela.

        As pessoas de mais idade, que são as que mais se preocupam com a pandemia, têm sido alvo de atendentes farmacêuticos que querem empurrar, a qualquer custo, vitaminas e medicamentos absolutamente inúteis. O crescimento da venda de produtos como a invermectina subiu exponencialmente, mesmo depois de o fabricante ter afirmado que o remédio não era eficaz no combate à covid. Isso preocupa porque o cidadão pode se sentir seguro e relaxar os cuidados necessários.

         Os infectologistas são unânimes em afirmar que as únicas medidas preventivas contra este mal nos preocupa a todos, neste momento, é o isolamento social, a higienização e a vacina. O resto é charlatanismo. Torçamos para que a vacinação, que agora passou a ser aceita até pelos negacionistas, que, criminosamente, retardaram o seu início, chegue o mais urgentemente possível nos braços da população brasileira.

( NILSON BORTOLOTI   – Professor e Ex-Prefeito de Muzambinho/MG)                        

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