UMA SITUAÇÃO ESTARRECEDORA

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Leio que 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas. Isto quer dizer que oito em cada dez famílias estão passando por dificuldade financeira.
O grande vilão para este problema de magnas proporções, além dos juros escorchantes dos cartões de crédito – pasmem- é o jogo.
Com a abertura que se deu para a realização dos jogos de azar, o país parece ter virado um grande cassino. Estou quase querendo deixar de assistir futebol na televisão por causa dos tais “bets” da vida. Notáveis homens públicos ficam martelando o tempo todo na cabeça dos desavisados o chamamento para o ingresso a este mundo de “sonhos”, de “magia”. Fiquei fã do ex- técnico do Flamengo, Felipe Luiz, que se recusou a estampar no seu uniforme a propaganda de um desses jogos enganadores.
Desde os tempos imemoriais, sabemos que é a banca quem sempre ganha. Comentei numa das crônicas, que o jogo é a mãe de todos os vícios. Já temos visto – e nunca aprendemos- famílias se desestruturarem, levando muitos até ao suicídio.
Sofrem sobretudo as mulheres que, no mais das vezes, são as controladoras dos orçamentos domésticos. Enquanto que elas economizam os tostões, os “maridões” vão aos jogos, quase sempre escondidos das “patroas”, que, indignadas, têm que administrar o inadministrável.
Quem entende um pouquinho de matemática deveria explicar para estes jogadores contumazes a lei das probabilidades. Confesso que já tentei fazer isso; em vão. Aí, vem-se com aquela consideração: “mas, alguém ganha!” Por que seria, você, cara pálida, o ungidos dos deuses?
Aí, a mídia manda a informação: “jogue com responsabilidade!” Quem é viciado nunca vai beber ou jogar “com responsabilidade”. Quando o “frisson” aperta, joga-se o que se tem e o que não se tem. Sei disso porque fui fumante durante 48 anos e somente num 28 de outubro, dia de São Judas Tadeu, o Santo das Causas Impossíveis, consegui abandonar o tabaco. Isto há uns quinze anos. Antes do abandono do cigarro de uma forma, que espero ser definitiva, fiz diversas tentativas, todas malogradas. O vício me dominava.
Este nosso Brasil varonil tem muitos problemas a resolver; entretanto, se a classe política, não se irmanar com as instituições mais sérias, e se não houver uma conscientização da magnitude deste problema, então, será o caos.

(PROF. NILSON BORTOLOTI- MUZAMBINHO/MG)

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