O cafeicultor de Nova Resende e atual vice-presidente da Cooxupé, Osvaldo Bachião Filho foi o entrevistado durante o programa Edição de Sábado, produzido por este semanário na Rural FM – 98,1, no último dia 22 de fevereiro. Com 26 anos de participação no conselho e na diretoria do Cooperativa, o profissional falou de vários assuntos referentes ao momento da cafeicultura. Confira alguns pontos:
PREÇO DO CAFÉ – “É a primeira vez na história que o cafeicultor vivencia esses preços. O maior preço registrado na bolsa de Nova Iorque, desde 1977, quando o valor chegou a 337 centavos de dólar por libra peso, preço por conta das fortes geadas. Para se ter uma referência, é como o americano faz a medida do café. É o maior preço nesse momento. Na última semana batemos 470 centavos de dólar por libra peso. Já o que mais tem mais afetado a produção do café no Vietnã, |América Central e Brasil são as altas temperaturas. Desde 1999, as temperaturas têm atingido altas muito expressivas. Os índices pluviométricos estão baixos e ainda registramos geada em 2021 nas áreas produtoras”.
CONSUMO JOVEM – “O lado bom que precisamos frisar é o consumo. Entre os jovens há um movimento crescente com filas para tomarem cafés em cafeterias nas grandes cidades. Hoje ir numa cafeteira é mais cultural, faz parte da rotina da juventude atual reunir para ir tomar um café do que ir a um bar”.
CUIDAR DA SAÚDE – “Nos últimos 25 anos, estudos apontam benefícios para a saúde dos consumidores de café. Uma bebida que proporciona bem estar. Quem experimenta café costuma não ficar sem. É uma transformação no consumo que vem melhorando a comercialização para os cafeicultores”.
AUMENTO NO CONSUMO – “Esse aumento sempre foi um sonho, mas nenhuma consultoria previu esse crescimento. Era um sonho de que os chineses consumissem também café. O que estamos vendo é um movimento global. Estive nos Estados Unidos onde vi filas de jovens para tomar um café. Nos países com tradição, o consumo continua linear, na Ásia e no Oriente Médio há um universo de oportunidades. E somos nós que vamos tomar conta desse mercado”.
CENÁRIO – “Precisamos ter equilíbrio, o produtor precisa saber que estamos enfrentando um momento de juros altos, mesmo com cafés com preços tão positivos. Em administração rural aprendemos que quando os juros passam de dois dígitos geralmente “o futuro traz quebradeira”. O setor está tomando dinheiro com taxas de 18%. É hora de ter sabedoria. Com a chegada da safra, com certeza teremos quedas no valor das sacas. O mercado anda na frente e é ele quem precifica, ele viu antes que ia faltar café e o preço subiu. Tivemos um consumo em alta e uma produção em queda. Os fundos investidores entraram comprando no mercado financeiro e houve essa elevação nos preços”.
PANDEMIA – “Nos anos 90 vivemos preços medíocres para a saca de café. E em abril de 2019, há 6 anos, tivemos café sendo comercializado por 70 dólares a saca. Não existia expectativa nenhuma de café atingir 200 dólares a saca. Durante a pandemia houve mudanças de hábitos. Precisamos ser cautelosos e olhar a história. É hora de aproveitar a oportunidade para pagar contas e investir. Nosso negócio é café. Esse momento é o melhor que já vivemos. A relação de saca de café para comprar um trator, uma máquina é sem dúvida alguma a melhor que já tivemos. Já chegamos a gastar até 5 sacas para pagar o tratamento de solo, 5 a 6 sacas de café para pagar uma tonelada de adubo. Hoje o cafeicultor que estiver capitalizado e for comprar a vista gasta 3 sacas para fazer um tratamento completo com produtos de alta tecnologia. É hora de prestar atenção e participar do mercado. É momento de investir pensando em aumento de produtividade e melhorar as propriedades para produzir mais com menos esforço”.
“QUEBRADEIRA” – “Armazéns que fecham e não pagam voltou a acontecer. Na Cooxupé temos um levantamento de 12 situações envolvendo empresas que fecham ou pedem falência, cinco foram de Armazéns em Muzambinho. Como aparecem preços tão acima dos praticados pelo mercado? A responsabilidade é do cafeicultor, é ele que escolhe onde quer levar a sua safra, muitas vezes o cafeicultor vai atrás de promessas, ele tem livre arbítrio. O mercado tem se comportado de uma forma estranha e infelizmente, nestas pirâmides financeiras com café, em algum momento alguém vai perder. Muitas vezes o cafeicultor não quer pagar imposto de renda e comercializa sem nota fiscal. Isso não existe, como é que o cafeicultor não tem cuidado com o fruto do seu trabalho de um ano inteiro? É preciso ter responsabilidade com a sua produção, afinal é o cafeicultor que é o dono da sua produção. Na Cooxupé, as operações são todas com nota e seguro, isso gera custo, mas dá segurança e paz para os gestores e para os produtores”.
ASSEMBLEIA – A Cooxupé fará a sua prestação de contas no dia 28 de março. Serão apresentados os relatórios de gestão onde, entregamos 90% do valor da exportação aos nossos produtores. A Cooxupé presta contas aos seus cooperados de maneira clara. A seriedade e transparência no processo é importante na hora da tomada de decisão. Lembro que no mundo, 3 clientes compram 70% da produção mundial de café: JDE, Nestle e Starbucks. Como que vai aparecer alguém que paga mais alto que eles? O nosso parâmetro é sempre a bolsa de Nova Iorque para o café arábica e Londres para o café robusto. Precisamos prestar atenção a formação de preço. A cooperativa é para quem quer ser sócio e ninguém é obrigado a ser sócio de ninguém. Afirmou ainda que a Cooxupé está em Muzambinho e nossos serviços estão à disposição da comunidade”.
CAFÉ – “Esse é um momento espetacular, no café continuamos e por isso é preciso ter firmeza e participar do mercado, cuidar bem da lavoura. Preparar para atender esse consumo crescente”.
POLÍTICA – “A cooperativa não tem bandeira partidária, inclusive para participar dos conselhos não pode exercer cargos políticos. Temos um bom relacionamento com os políticos e precisamos deles e na Cooxupé estamos com as portas abertas para receber e mostrar nossa capacidade”.
DESAFIOS – “A questão trabalhista, falta gente para os tratos culturais, precisamos nos mobilizar e estarmos preparado para as fiscalizações que vão continuar, esse é um assunto que tratamos nos nossos dias de campo que vão começar em abril. É preciso ficar atento a legislação trabalhista. E precisamos nos mobilizar para a questão da segurança. Na Femagri que acontece entre os dias 19 e 21 de março, vamos ter fornecedores de sistemas de segurança de câmera que apoiam a policia militar no trabalho de combate ao crime na área rural. É preciso ficar atento aos movimentos de pessoas estranhas. E pedir aos nossos prefeitos que eles nos ajudem com os sistemas de monitoramento de câmeras”.
FEMAGRI – A feira acontece nos dias 19 a 21 de março de 2025, temos um ambiente para a família, com uma programação educativa para as crianças, um espaço para as mulheres e um grande ambiente de negócios.