Um 5° ROSTO NA MONTANHA

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
IMPRIMIR
Share on facebook
Share on whatsapp
Share on email
Share on print

 

“Até que não seria nada mal!” (Donald Trump)

Acredite se quiser, ou se puder! O teatro político contemporâneo, sobretudo com o advento da “era Trump”, tem sido pródigo em oferecer espetáculos de pura bizarrice. A história contada a seguir, levada a sério por fervorosos adeptos do agrupamento fundamentalista liderado pelo atual inquilino da Casa Branca, reforça cabalmente essa assertiva.

Senão vejamos: no Estado americano de Dakota do Sul, mais precisamente no Monte Rushmore, existe um colossal monumento — uma espécie de Olimpo petrificado — com as efígies dos Patriarcas apontados na reverência popular como construtores da grandeza dos EUA. São eles: George Washington, comandante do exército na Guerra de Independência e primeiro Presidente; Thomas Jefferson, autor da Declaração da Independência; Theodore Roosevelt, pioneiro do pujante ciclo de desenvolvimento industrial; Abraham Lincoln, Pai da abolição da escravatura, responsável pela unificação política do país.

Os rostos foram esculpidos no topo da montanha a 1.745 metros acima do mar. Cada um deles tem 18 metros. Por motivos mais do que óbvios, o local atrai turistas de todas as partes. O cinema tem explorado à exaustão o magnífico cenário. Um exemplo icônico é o do filme Intriga Internacional (1959), de Hitchcock. As cenas da perseguição frenética sobre os rostos de granito reforçam o gigantismo do local.

Deixando o imponente Rushmore e o panteão dos mitos sagrados, fixemos agora a atenção noutro importante marco cívico, o Capitólio, Washington. No gabinete da deputada republicana Anna Paulina Luna, nos corredores e plenários do Congresso Nacional trabalha-se febrilmente em favor da aprovação de proposta parlamentar que garanta a afixação do rosto de Donald Trump, com seu topete dourado, ao lado dos heróis da pátria no majestoso monumento.

Confessando-se lisonjeado com a iniciativa da leal correligionária, sublinhando que seus feitos dão origem a esse tipo de manifestação, Trump não deixa por menos: “Até que não seria nada mal!” A proposição vem gerando, obviamente, reações que vão do espanto à zombaria. Partidários do emplumado governante atribuem as críticas a “invejosos” militantes democratas, que fingem desconhecer os “feitos” de Trump, em particular sua contribuição para a causa da confraternização universal…

Cabe aqui anotar que o “Culto à Personalidade”, ou seja, o “monometalismo autocrático” incentivado pelo chefe de Governo tem permitido sejam seu nome e imagem estampados em numerosos arranha-céus espalhados pelo país. Além disso, tramita em casas legislativas projeto para que seu rosto apareça em cédulas e passaportes e seu nome rebatize o aeroporto da Capital Federal. E não é que personagens como Hitler, Mussolini, Stalin e Mao Tsé-Tung encaravam com entusiasmo essa mesma prática? Resumindo: cara petrificada ou cara de pau?

Cesar Vanucci – cantonius1@yahoo.com.br

Notícias Recentes