Entre tradição e expectativa, cafeicultores apostam na qualidade da safra no Sul de Minas

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No terreiro, o ritmo é constante. Os grãos espalhados para a secagem recebem atenção a cada instante. Entre uma passada de rodo e outra, surgem conversas sobre a lavoura, histórias da família e até apostas sobre o placar do jogo do próximo domingo. O cenário revela muito mais do que a rotina da colheita: mostra como a tradição da cafeicultura é construída de geração em geração.
Aos 91 anos, o cafeicultor Romildo Dias, da Fazenda Cachoeira do Cambuí, continua sendo o principal mestre da família quando o assunto é produzir cafés de qualidade. Cercado por filhos, tios e sobrinhos, ele faz questão de transmitir os ensinamentos acumulados ao longo de décadas.
Para Romildo, cultivar um bom café exige mais do que conhecimento técnico. “O café precisa de amor, carinho, dedicação e muita paciência”, costuma ensinar aos mais jovens enquanto acompanha de perto o trabalho no terreiro.
Entre os aprendizes está Wilson Lima Neto, representante da quarta geração da família. Desde pequeno, ele participa da colheita e do pós-colheita e hoje já domina os cuidados necessários para preservar a qualidade dos grãos. No próximo domingo, enquanto parte da família acompanha a partida de futebol, será dele a responsabilidade de cuidar do terreiro e garantir que a secagem continue no momento certo.
Neste ano, as chuvas provocaram atrasos no início da colheita em diversas propriedades do cinturão do café arábica. Apesar das dificuldades, os produtores afirmam que o manejo cuidadoso no pós-colheita tem sido fundamental para manter o potencial de qualidade da safra.
Em Monte Belo, o cafeicultor Tadeu Sequalini, presidente da Associação dos Cafeicultores Especiais de Monte Belo, acompanha o desenvolvimento da colheita com otimismo. Segundo ele, o clima exigiu atenção redobrada dos produtores, mas os cuidados adotados nas propriedades permitem esperar um bom resultado na bebida.
“A chuva trouxe desafios no começo da colheita, mas quem conseguiu fazer um pós-colheita bem conduzido deve colher excelentes resultados. A expectativa é de uma safra com cafés de alta qualidade na xícara”, afirma Sequalini.
As perspectivas para a produção e os impactos das condições climáticas estarão entre os principais temas do Café e Clima da Cooxupé, encontro que reunirá especialistas, pesquisadores e cafeicultores para discutir os desafios das próximas safras e as tendências do mercado.
Em meio às análises técnicas e previsões climáticas, histórias como a da família de Romildo Dias mostram que a qualidade do café também nasce da experiência compartilhada. No Sul de Minas, tradição, conhecimento e dedicação continuam sendo ingredientes indispensáveis para transformar o trabalho no campo em cafés que se destacam na xícara.

 

 

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