Se o mundo fosse pintado com uma única cor, a própria beleza deixaria de existir. O contraste é o que dá sentido à vida. É essa provocação que me faço ao olhar para o passado: o que seria dos nossos pais e avós se eles tivessem acesso às mídias digitais e redes sociais que temos hoje? Nossos antepassados construíram o mundo na base da palavra empenhada, do fio de bigode e da amizade. Em Jacuí por exemplo, o ponto de encontro e as decisões, eram as conversas na praça. Ali se criavam laços reais. Para eles, o tempo corria de outra forma. Hoje, a tecnologia nos dá o poder de falar com o mundo em segundos. Mas fica a grande dúvida: se eles tivessem o WhatsApp e talvez outras ferramentas, nós seríamos mais evoluídos? A resposta não está na velocidade da internet, mas no uso que fazemos dela. Se os antigos tivessem o WhatsApp, quem sabe teriam encurtado distâncias, mas sem perder o valor do abraço. Se tivessem o Instagram, registrariam o trabalho na roça ou na cidade, mas sem a pressa de colher “curtidas”. Evolução de verdade não é acumular tecnologia. É usar a modernidade, mudar crescer ou se adaptar sem deixar de lado a sua verdadeira identidade. Nós não somos melhores ou piores que nossos avós e pais; temos ferramentas diferentes. O desafio da nossa geração é fazer com que a tecnologia sirva para unir as pessoas e não para isolá-las em mundos virtuais. Afinal, a beleza está justamente na mistura de todas as cores.
Fernando de Miranda Jorge
Acadêmico Correspondente da APC
Jacuí/MG – e-mail: fmjor@gmail.com